70 anos da COMARA mostram a força pouco conhecida da FAB na Amazônia

Jota

30 de janeiro de 2026

COMARA comemora 70 anos em 2026_Imagem Ilustrativa

70 anos da COMARA chegam em 2026 com um detalhe que quase sempre passa fora do radar do grande público. Quando se fala em Força Aérea Brasileira (FAB), muita gente lembra aviões caça, grandes aviões de transporte, helicópteros, demonstrações aéreas, patrulha e vigilância. No entanto, existe uma parte do trabalho que quase não aparece. Ainda assim, ela sustenta a presença do Estado em áreas remotas.

A Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) celebra aniversário em 12 de dezembro. A unidade nasceu em 12 de dezembro de 1956, pelo Decreto nº 40.551. Desde então, ela atua na construção e recuperação de aeroportos na Amazônia. Por isso, o marco de 2026 tem peso histórico e operacional.

COMARA comemora 70 anos em 2026_Imagem Ilustrativa
COMARA comemora 70 anos em 2026_Imagem Ilustrativa

O decreto de criação da COMARA trouxe uma resposta prática para um desafio antigo do Brasil. A região amazônica impõe longas distâncias, rios extensos e poucos acessos terrestres. Assim, infraestrutura e conectividade viraram prioridades estratégicas desde o início.

Com o tempo, a COMARA manteve foco em estudar, projetar, construir e equipar aeroportos na Amazônia. Ao mesmo tempo, a missão se conectou a necessidades de soberania e apoio logístico. Isso aparece com força em áreas de fronteira, onde a infraestrutura define o que é possível operar. Portanto, a unidade vai além do “canteiro de obras” comum.

Aqui entra um ponto curioso e pouco conhecido do público. A COMARA não se destaca pela operação de aeronaves. Mesmo assim, ela mantém uma estrutura voltada à engenharia pesada e à logística integrada.

Na prática, a unidade opera balsas, embarcações e rebocadores, além de máquinas, tratores e maquinário de engenharia. Com isso, ela viabiliza obras em locais onde estrada não resolve, ou nem existe. Esse cenário explica por que poucos brasileiros conhecem a COMARA. Ao mesmo tempo, ele mostra por que a Força Aérea Brasileira também atua no chão e nos rios.

Quando a COMARA desloca cargas por rios amazônicos, ela monta cadeias logísticas em etapas. Primeiro vem o trecho fluvial. Depois, quando necessário, ela complementa com outros meios. Assim, a operação ganha alcance real em áreas isoladas.

Outro ponto pouco percebido envolve o conhecimento prático da própria tropa. Ao longo de décadas na região amazônica, equipes da COMARA acumulam experiência para operar em ambiente fluvial. Esse histórico ajuda a leitura de vazão dos rios, além do reconhecimento de rotas e janelas de navegação.

Na prática, esse know how orienta deslocamentos por rios e também por igarapés, que costumam ser sinuosos e exigem atenção constante. Com isso, a COMARA consegue planejar melhor o início e o fim de cada etapa de obra. Assim, logística e cronograma ficam mais alinhados às condições locais.

COMARA-comemora-70-anos-em-2026_Imagem-Ilustrativa
COMARA-comemora-70-anos-em-2026_Imagem-Ilustrativa

Em 2025, a COMARA voltou a aparecer com força em divulgações institucionais ligadas ao EXCELSIOR 2025, sigla para Exercício de Campanha Logístico e de Sustentação Integrada em Operações Reais. A própria FAB descreveu o evento como o maior exercício de campanha da Força. Nesse contexto, a logística na Amazônia ganhou protagonismo.

Na etapa divulgada, balsas partiram de Belém (PA) para Santarém (PA). Elas transportaram materiais e equipamentos de grande volume. Entre os itens, apareceu estrutura ligada ao HCAMP, ou seja, Hospital de Campanha, um hospital móvel usado em operações. Assim, o público entende o impacto prático da mobilização.

Esse exemplo ajuda a explicar por que a COMARA foge do imaginário tradicional da FAB. Enquanto muitos pensam em voo, a unidade entrega engenharia, transporte fluvial e montagem de estrutura. Portanto, ela sustenta operações em ambientes complexos.

Outro assunto recente reforça a ideia de “presente e futuro” para o aniversário de 70 anos. Em 2025, divulgações destacaram testes de tecnologia para obras de pista ligados ao Aeródromo de Querari. O local fica em área remota e exige soluções de alto desempenho.

O material citado foi o ECC (Engineered Cementitious Composite). Em linguagem direta, trata-se de um compósito cimentício projetado, pensado para melhorar desempenho e durabilidade. Nesse tipo de ambiente, isso faz diferença, porque o clima e a logística pressionam a obra.

Ao mesmo tempo, o cenário mostra o custo da distância. Em certos trechos, o modal fluvial não fecha todo o percurso. Assim, parte do deslocamento precisa ocorrer por via aérea, o que eleva a complexidade. Por isso, cada avanço técnico vira um ganho operacional.

Em 2025, a COMARA também apareceu associada à produção e aplicação de brita para obras. Uma publicação institucional informou que a brita produzida em Moura seguiria para reformas de pistas. Os locais citados incluíram Coari (AM), Iauaretê (AM), Querari (AM) e Surucucu (RR). Além disso, a nota mencionou outras aplicações logísticas.

Esse tipo de informação detalha como a COMARA atua na prática. A unidade não apenas executa obras em locais remotos. Ela também organiza insumos e a cadeia de suprimentos, o que reduz dependências. Assim, o trabalho ganha escala em um ambiente difícil.

Existe ainda um ângulo atual que pouca gente associa a engenharia militar: sustentabilidade. Em 2025, o Ideflor-Bio divulgou a entrega de um viveiro de mudas em parceria com a COMARA. O anúncio citou capacidade de produção de mais de 15 mil mudas por ano.

O objetivo declarado foi apoiar a recuperação de áreas onde houve supressão de vegetação para abertura de pistas. Ou seja, a obra não termina no asfalto. Ela também envolve mitigação e recomposição ambiental, dentro do que foi divulgado. Assim, a pauta conversa com as cobranças modernas sobre infraestrutura na Amazônia.