Acidente com aeronaves A-29, restrições orçamentárias e calendário eleitoral ajudam a explicar os desafios enfrentados pelo EDA
A Esquadrilha da Fumaça em 2026 está aparecendo menos nos céus brasileiros. Para milhares de pessoas que aguardam a passagem dos sete A-29 Super Tucano, acompanhar suas manobras é uma experiência inesquecível, mas cada vez menos frequente. Uma consulta aos registros da própria Força Aérea Brasileira (FAB) revela números que merecem atenção.
Oficialmente denominada Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), a Esquadrilha tem como missão divulgar a imagem institucional da FAB no Brasil e no exterior. Nos últimos anos, porém, sua presença diante do público tem enfrentado limitações relacionadas ao orçamento, à recomposição da equipe e ao calendário eleitoral.

Esquadrilha da Fumaça: o que mostram os números oficiais?
Na página de perguntas frequentes da FAB, a instituição informa que a Esquadrilha realiza habitualmente entre 90 e 100 demonstrações anuais.
Entretanto, o histórico oficial do EDA apresenta 20 registros em 2024, 41 em 2025 e 32 até setembro de 2026.
Há uma divergência importante: em dezembro de 2025, a FAB informou que o comandante responsável pelo biênio 2024–2025 realizou 99 demonstrações durante sua gestão, enquanto o histórico público apresenta 61 registros para o mesmo período.
Portanto, os números indicam uma diferença em relação ao padrão histórico, embora não permitam estabelecer uma queda contínua entre todos os anos analisados.
Colisão entre dois Super Tucano interrompeu a temporada
Em 30 de julho de 2025, dois A-29 Super Tucano colidiram durante treinamento nas proximidades de Santa Rita do Passa Quatro, no interior paulista.
Uma aeronave foi destruída e seu piloto conseguiu se ejetar. O outro avião retornou à Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, apresentando danos estruturais.
O acidente aconteceu um dia depois da última demonstração de 2025 registrada pelo EDA, em Porto Ferreira (SP), no dia 29 de Julho 2025.
A perda de uma aeronave e a necessidade de recomposição da equipe trouxeram desafios operacionais à Esquadrilha, que permaneceu sem realizar demonstrações completas durante o restante daquele ano.
Em dezembro de 2025, o Major Aviador Nilson Rafael Oliveira Gasparelo assumiu o comando do EDA. Em junho de 2026, o Major Aviador Lucas Pacheco Yoshida concluiu sua formação como líder, passando a dividir essa função com o comandante.
O AeroJota acompanhou o episódio em sua reportagem sobre a colisão dos A-29.
A interrupção também mostrou como a disponibilidade de aeronaves e a formação de pilotos para funções específicas são importantes para manter o calendário de demonstrações. Diferentemente de uma apresentação isolada, a Esquadrilha depende de uma equipe altamente treinada, capaz de executar manobras coordenadas com precisão e regularidade.

Cortes orçamentários atingem a aviação militar
As restrições financeiras enfrentadas pela FAB nos últimos anos também ajudam a compreender o cenário.
Em 2025, reportagens apontaram que aproximadamente 40 aeronaves militares ficaram paradas e 137 pilotos foram temporariamente afastados da atividade aérea devido à contenção de despesas.
A redução das horas de voo também preocupa a instituição. Representantes da FAB relataram queda significativa na atividade aérea ao longo da última década, além da saída de aviadores para a iniciativa privada.
O impacto chegou às apresentações internacionais. Após participar da FIDAE 2024, no Chile, a Esquadrilha não retornou à feira em 2026. Segundo a imprensa especializada, a ausência esteve relacionada à preservação de recursos para outras atividades.
Entretanto, não há um levantamento público que discrimine quantas demonstrações foram canceladas especificamente por restrições orçamentárias.
Eleições também influenciam o planejamento das apresentações?
O calendário eleitoral representa outro fator no planejamento das apresentações.
As demonstrações da Esquadrilha são gratuitas e institucionais. A FAB estabelece que não podem ser utilizadas para propaganda político-partidária.
Em anos eleitorais, o planejamento também enfrenta restrições para evitar que apresentações sejam associadas a campanhas ou interpretadas como favorecimento a determinados candidatos e administrações municipais.
Esquadrilha da Fumaça terá apenas 34 demonstrações em 2026
O histórico oficial registra 32 apresentações até setembro de 2026. A programação não inclui ainda o Portões Abertos da AFA, realizado em 1º de novembro, e a cerimônia do Espadão, prevista para 11 de dezembro, em Pirassununga (SP).
Com 34 demonstrações previstas para 2026, a Esquadrilha deverá encerrar uma temporada atípica, distante das 90 a 100 apresentações anuais apontadas pela FAB como referência histórica.
A diferença representa aproximadamente 62% a 66% menos demonstrações em relação àquele padrão.
A Esquadrilha continua sendo um dos principais símbolos de aproximação entre a Força Aérea Brasileira e a população. Entretanto, os números levantam uma questão: quando os brasileiros voltarão a acompanhar suas apresentações com a frequência de outros tempos?





