Um aniversário que não cabe em foto, mas cabe em pista
O Aeroclube de Marília completa 86 anos e marca um fato raro no interior paulista. Ainda assim, o que chama atenção não é só a idade. É o que se manteve vivo: portas abertas, formação contínua e trabalho voluntário, mesmo quando o cenário muda ao redor.
Em uma mensagem publicada pelo próprio Aeroclube, a instituição resumiu o espírito do momento ao lembrar “trabalho voluntário” e “dedicação silenciosa” como base da sua história. A frase ajuda a entender por que a data mexe com ex-alunos e com quem acompanha a aviação regional.

Fundado em 1940, o Aeroclube de Marília comemora seu aniversário tradicionalmente em 18 de fevereiro. Em 2026, a data marcou 86 anos de portas abertas e de formação ligada à aviação regional.
Esse detalhe chama atenção por um contraste histórico. A própria Força Aérea Brasileira lembra que sua origem remonta a 20 de janeiro de 1941 e que 2026 foi o ano dos 85 anos da instituição. Assim, o Aeroclube de Marília aparece como mais antigo que a própria FAB
Marília e o início da TAM: quando uma escola de voo vira capítulo nacional
Quando se fala em Marília e aviação, uma associação aparece rápido. O próprio Aeroclube de Marília registra que foi na cidade que nasceu a Transportes Aéreos Marília (TAM), que depois se tornaria uma das marcas mais conhecidas do país, a LATAM.
Por isso, o aniversário não funciona apenas como celebração interna. Ele puxa memória e também reforça uma ideia simples. A aviação comercial não nasce só em grandes capitais. Muitas vezes, ela começa em estruturas locais, com sala de aula, hangar e rotina de instrução.
O legado mais difícil de medir: pilotos formados e vidas transformadas
A missão de um Aeroclube aparece, primeiro, no que ele entrega. Em materiais institucionais e descrições públicas, o Aeroclube de Marília é associado à formação de pilotos e à promoção da cultura aeronáutica, com atuação sem fins lucrativos e apoio voluntário.
Na prática, isso explica por que a entidade ultrapassa o círculo da aviação. Quando um aluno decola pela primeira vez, ele leva junto disciplina, método e responsabilidade. E, para muita gente, esse é o começo de uma carreira.
O impasse no aeroporto que saiu do bastidor e virou disputa aberta
Ao mesmo tempo, o Aeroclube de Marília convive com um tema que aparece com frequência no noticiário local. A instituição está ligada a um processo de disputa de área no Aeroporto de Marília, com discussões sobre reintegração de posse e risco de despejo.
Esse tipo de conflito quase sempre cria ruído para quem olha de fora. Mesmo assim, ele tem efeito direto na rotina: planejamento de instrução, manutenção, hangares e até a permanência de alunos em formação.
Entre perícias e negociações, o que pode mudar na prática
Nos últimos meses, surgiram sinais de tentativa de solução. Reportagens regionais mencionaram possibilidade de acordo e alternativas para a continuidade das atividades, incluindo discussões sobre uma nova área e um desenho de transição.
Só que transição não é apertar um botão. Ela exige prazo, orçamento, infraestrutura mínima e, principalmente, previsibilidade. Por isso, cada rodada de negociação pesa mais do que parece para quem só vê a manchete.
Quando Marília vira símbolo: a defesa dos aeroclubes ganha corpo
A crise vivida em Marília conversa com um cenário maior. Nos últimos anos, cresceu a mobilização em defesa de aeroclubes, com participação de associados e lideranças em agendas públicas, debates e movimentos que buscaram dar visibilidade ao tema.
Quando uma instituição tradicional entra em disputa, ela vira símbolo. E, quando vira símbolo, ela ajuda a organizar apoio, narrativa e pressão social. Assim, o aniversário também funciona como lembrete do que está em jogo.
O que os 86 anos dizem sobre o futuro da formação no interior
O Aeroclube de Marília completa 86 e anos chega com dois retratos ao mesmo tempo. De um lado, a história de formação e a conexão com o nascimento da TAM. Do outro, o risco de perder espaço e a necessidade de solução que preserve a atividade principal: ensinar a voar.
Se a data serve para celebrar, ela também serve para fixar uma pergunta. O interior vai seguir formando pilotos com tradição local, ou vai transformar esses espaços em lembrança? A resposta não depende só de homenagens. Ela depende de decisão, acordo e garantia de continuidade.
Aeroclube de Marília 86 anos: em um país que precisa de formação, perder um aeroclube nunca é apenas mudar um endereço. É mexer na base do voo.





