Presidente do Aeroclube de Garibaldi vai à Câmara e cobra garantias para o futuro da entidade
Aeroclube de Garibaldi voltou ao centro das atenções no Rio Grande do Sul após levar à Câmara de Vereadores sua posição sobre o processo de concessão do aeródromo municipal. Durante a sessão ordinária realizada na segunda-feira, 23 de março, o presidente da entidade, Alexandre Frigo, utilizou a Tribuna Popular para apresentar preocupações, defender a autonomia do aeroclube e mostrar projetos em andamento.
A fala ganhou relevância porque deixou claro que a entidade não se opõe à concessão nem à modernização da estrutura. Ao contrário, o Aeroclube declarou apoio a melhorias como ampliação da pista, construção de terminal e incentivo ao turismo. Ainda assim, pediu que o modelo final preserve sua independência administrativa e operacional.

Aeroclube de Garibaldi apoia modernização, mas quer garantias reais
Durante a manifestação, Alexandre Frigo reforçou que o Aeroclube é favorável ao avanço da infraestrutura do aeródromo. No entanto, ele alertou que o formato atualmente previsto no edital pode comprometer o funcionamento da entidade, que atua há mais de 80 anos no município.
Segundo Frigo, a preocupação central não está na concessão em si, mas no risco de o Aeroclube perder autonomia e passar a atuar sob limitações que enfraqueçam sua gestão. Por isso, ele pediu apoio do Legislativo para que o processo seja construído em regime de parceria, e não de subordinação à futura concessionária.
Reivindicações do aeroclube envolvem hangaragem, combustível e uso do pátio
Entre os principais pontos apresentados na Tribuna Popular, o presidente defendeu a liberação dos recursos obtidos com a hangaragem para manutenção da própria estrutura do aeroclube. Além disso, pediu parceria para a operação do posto de combustível e também o uso compartilhado do pátio do aeródromo.
Esses itens ajudam a explicar o que está realmente em disputa em Garibaldi. Mais do que uma discussão burocrática sobre concessão, o que o aeroclube tenta preservar é a capacidade de continuar operando com alguma autonomia financeira e funcional. Na prática, esse debate pode definir se a entidade seguirá tendo papel ativo no local ou se ficará dependente de decisões externas.
Papel histórico do Aeroclube de Garibaldi foi lembrado na Câmara
Outro eixo importante da fala de Alexandre Frigo foi o resgate da função histórica e social do aeroclube no município. Segundo ele, a entidade mantém o espaço com recursos próprios, sem finalidade lucrativa, e ainda contribui com atividades relevantes para a cidade e para a aviação regional.
Nesse contexto, Frigo destacou que o aeroclube apoia situações de emergência, ajuda a movimentar o turismo e mantém viva a formação aeronáutica. Esse argumento reforça a linha de defesa adotada pela entidade: o aeródromo não deve ser visto apenas como ativo econômico, mas também como estrutura de interesse comunitário e aeronáutico.
Projetos em andamento mostram que o aeroclube quer crescer e não apenas resistir
Além de apresentar reivindicações, o presidente levou aos vereadores um panorama das ações recentes e dos projetos em desenvolvimento. Entre eles, destacou a associação do Aeroclube de Garibaldi à Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) e também a uma entidade de apoio ao aerodesporto.
Ao mesmo tempo, a diretoria busca certificação para instrução de voo, o que mostra intenção de fortalecer a formação de pilotos no município. Também foram mencionados projetos para aquisição de aeronaves nos próximos anos, com foco justamente nessa retomada e ampliação das atividades de formação aeronáutica.
Esse detalhe é importante porque muda o tom da discussão. O Aeroclube de Garibaldi não foi à Câmara apenas para reclamar do edital. Foi também para mostrar que possui planejamento, metas e disposição para continuar investindo no setor.
Investimentos já realizados reforçam o argumento da entidade
No campo estrutural, Alexandre Frigo informou que o aeroclube já realizou investimentos concretos na operação do aeródromo. Um dos exemplos citados foi a aplicação de cerca de R$ 60 mil no Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio, além da implantação do Manual de Gerenciamento da Segurança Operacional, medida essencial para a regularidade do local.
Outro destaque foi o sistema de balizamento noturno, que recebeu investimento aproximado de R$ 250 mil com apoio de entidades e empresas locais. Apesar desse avanço, o aeródromo ainda não possui autorização para operações noturnas, já que a ANAC exige novos investimentos para liberar esse tipo de operação.
Esse trecho da apresentação fortalece o discurso do aeroclube porque demonstra envolvimento direto com a melhoria da estrutura. Em vez de apenas reivindicar espaço no processo, a entidade tenta mostrar que já contribui de forma prática para o desenvolvimento do aeródromo.
Debate em Garibaldi pode se tornar referência para outros aeroclubes
Ao final da manifestação, Frigo pediu apoio dos vereadores e destacou o orgulho pela trajetória do Aeroclube de Garibaldi. Ele lembrou que diversos pilotos iniciaram suas atividades na cidade e hoje atuam no Brasil e no exterior, o que reforça a importância histórica da entidade para a formação aeronáutica.
O caso de Garibaldi merece atenção porque reflete uma preocupação cada vez mais presente entre aeroclubes brasileiros: como modernizar aeroportos e aeródromos sem sufocar entidades tradicionais que ajudaram a construir a aviação local. Em Garibaldi, a mensagem foi direta. O aeroclube apoia a concessão, mas quer participar do futuro do aeródromo com autonomia, voz e condições reais de continuidade.
Fonte: Câmara dos Vereados da cidade de Garibaldi-RS






