Aeroclube de Garibaldi defende autonomia e apresenta projetos durante debate sobre concessão

Jota

26 de março de 2026

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Aeroclube de Garibaldi voltou ao centro das atenções no Rio Grande do Sul após levar à Câmara de Vereadores sua posição sobre o processo de concessão do aeródromo municipal. Durante a sessão ordinária realizada na segunda-feira, 23 de março, o presidente da entidade, Alexandre Frigo, utilizou a Tribuna Popular para apresentar preocupações, defender a autonomia do aeroclube e mostrar projetos em andamento.

A fala ganhou relevância porque deixou claro que a entidade não se opõe à concessão nem à modernização da estrutura. Ao contrário, o Aeroclube declarou apoio a melhorias como ampliação da pista, construção de terminal e incentivo ao turismo. Ainda assim, pediu que o modelo final preserve sua independência administrativa e operacional.

Presidente-do-Aeroclube-de-Garibaldi-defende-a-enteida-na-camara-dos-vereados_Imagem-Camara-Vereadores-de-Garibaldi.
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Durante a manifestação, Alexandre Frigo reforçou que o Aeroclube é favorável ao avanço da infraestrutura do aeródromo. No entanto, ele alertou que o formato atualmente previsto no edital pode comprometer o funcionamento da entidade, que atua há mais de 80 anos no município.

Segundo Frigo, a preocupação central não está na concessão em si, mas no risco de o Aeroclube perder autonomia e passar a atuar sob limitações que enfraqueçam sua gestão. Por isso, ele pediu apoio do Legislativo para que o processo seja construído em regime de parceria, e não de subordinação à futura concessionária.

Entre os principais pontos apresentados na Tribuna Popular, o presidente defendeu a liberação dos recursos obtidos com a hangaragem para manutenção da própria estrutura do aeroclube. Além disso, pediu parceria para a operação do posto de combustível e também o uso compartilhado do pátio do aeródromo.

Esses itens ajudam a explicar o que está realmente em disputa em Garibaldi. Mais do que uma discussão burocrática sobre concessão, o que o aeroclube tenta preservar é a capacidade de continuar operando com alguma autonomia financeira e funcional. Na prática, esse debate pode definir se a entidade seguirá tendo papel ativo no local ou se ficará dependente de decisões externas.

Outro eixo importante da fala de Alexandre Frigo foi o resgate da função histórica e social do aeroclube no município. Segundo ele, a entidade mantém o espaço com recursos próprios, sem finalidade lucrativa, e ainda contribui com atividades relevantes para a cidade e para a aviação regional.

Nesse contexto, Frigo destacou que o aeroclube apoia situações de emergência, ajuda a movimentar o turismo e mantém viva a formação aeronáutica. Esse argumento reforça a linha de defesa adotada pela entidade: o aeródromo não deve ser visto apenas como ativo econômico, mas também como estrutura de interesse comunitário e aeronáutico.

Além de apresentar reivindicações, o presidente levou aos vereadores um panorama das ações recentes e dos projetos em desenvolvimento. Entre eles, destacou a associação do Aeroclube de Garibaldi à Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) e também a uma entidade de apoio ao aerodesporto.

Ao mesmo tempo, a diretoria busca certificação para instrução de voo, o que mostra intenção de fortalecer a formação de pilotos no município. Também foram mencionados projetos para aquisição de aeronaves nos próximos anos, com foco justamente nessa retomada e ampliação das atividades de formação aeronáutica.

Esse detalhe é importante porque muda o tom da discussão. O Aeroclube de Garibaldi não foi à Câmara apenas para reclamar do edital. Foi também para mostrar que possui planejamento, metas e disposição para continuar investindo no setor.

No campo estrutural, Alexandre Frigo informou que o aeroclube já realizou investimentos concretos na operação do aeródromo. Um dos exemplos citados foi a aplicação de cerca de R$ 60 mil no Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio, além da implantação do Manual de Gerenciamento da Segurança Operacional, medida essencial para a regularidade do local.

Outro destaque foi o sistema de balizamento noturno, que recebeu investimento aproximado de R$ 250 mil com apoio de entidades e empresas locais. Apesar desse avanço, o aeródromo ainda não possui autorização para operações noturnas, já que a ANAC exige novos investimentos para liberar esse tipo de operação.

Esse trecho da apresentação fortalece o discurso do aeroclube porque demonstra envolvimento direto com a melhoria da estrutura. Em vez de apenas reivindicar espaço no processo, a entidade tenta mostrar que já contribui de forma prática para o desenvolvimento do aeródromo.

Ao final da manifestação, Frigo pediu apoio dos vereadores e destacou o orgulho pela trajetória do Aeroclube de Garibaldi. Ele lembrou que diversos pilotos iniciaram suas atividades na cidade e hoje atuam no Brasil e no exterior, o que reforça a importância histórica da entidade para a formação aeronáutica.

O caso de Garibaldi merece atenção porque reflete uma preocupação cada vez mais presente entre aeroclubes brasileiros: como modernizar aeroportos e aeródromos sem sufocar entidades tradicionais que ajudaram a construir a aviação local. Em Garibaldi, a mensagem foi direta. O aeroclube apoia a concessão, mas quer participar do futuro do aeródromo com autonomia, voz e condições reais de continuidade.

Fonte: Câmara dos Vereados da cidade de Garibaldi-RS