Aeródromo vazio urbano: FEBRAERO rebate conceito e defende infraestrutura estratégica

Jota

15 de março de 2026

Palavra-reinsercao-em-debate-da-UNESP-sobre-Aeroclube-de-Bauru-gera-reacao-na-aviacao_Imagem-ACB

A ideia de tratar aeródromos e aeroclubes como “vazios urbanos” ainda aparece em debates promovidos por autoridades municipais e estaduais em diferentes partes do país. No entanto, a FEBRAERO (Federação Brasileira dos Aeroclubes) contesta esse entendimento e afirma que essas áreas exercem função estratégica para a aviação civil brasileira. Nesse contexto, a entidade encaminhou ao site AeroJota, após nosso questionamento, uma manifestação técnica para rebater esse tipo de enquadramento. Além disso, a federação defende que aeroclubes não representam espaços ociosos, mas sim estruturas essenciais para formação, operação e desenvolvimento do setor aéreo.

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No material enviado ao AeroJota, a FEBRAERO afirma que muitos debates urbanísticos usam o conceito de vazio urbano para justificar a remoção de aeroportos ou aeroclubes. Por isso, a federação decidiu responder com argumentos técnicos e afirmar que um aeródromo não representa terreno ocioso dentro da cidade. Ao contrário, ele integra uma infraestrutura estratégica de mobilidade e segurança operacional.

A FEBRAERO compara essa função à de portos, ferrovias, rodovias, bases militares, estações de energia e reservatórios. Assim, a ausência de construções não indicaria vazio urbano. Na prática, ela revela uma área operacional especializada.

A FEBRAERO sustenta que a baixa ocupação do solo decorre da própria lógica da aviação. Aeronaves precisam de áreas livres para aproximação, decolagem, circulação e proteção do entorno. Além disso, faixas de pista, áreas de segurança e zonas livres de obstáculos fazem parte da estrutura operacional de qualquer aeródromo.

Por isso, o que pode parecer vazio para um olhar urbanístico tradicional cumpre função técnica clara na aviação. Em outras palavras, o espaço livre não representa ausência de uso. Pelo contrário, ele garante a operação segura das aeronaves.

A entidade também lembra que várias infraestruturas críticas apresentam essa mesma aparência. Subestações elétricas, reservatórios de água, linhas férreas e aeródromos ocupam grandes áreas e, ainda assim, cumprem funções essenciais. Portanto, a aparência visual do espaço não define sua utilidade.

A manifestação enviada ao site AeroJota também reforça a função educacional dos aeroclubes. Segundo a entidade, essas instituições ajudam a formar pilotos privados, pilotos comerciais, instrutores, mecânicos e técnicos. Além disso, muitos profissionais da aviação iniciam a carreira justamente em aeroclubes espalhados pelo país.

Nesse ponto, a Federação lembra que o setor integra o sistema de formação aeronáutica nacional. O argumento menciona o Código Brasileiro de Aeronáutica e também o RBAC 141, que regula organizações de instrução aeronáutica. Assim, a discussão deixa de envolver apenas uma grande área urbana. Ela passa a atingir diretamente uma estrutura ligada à formação profissional e ao treinamento operacional.

A FEBRAERO também sustenta que aeródromos e aeroclubes cumprem papel econômico e territorial relevante. Segundo a nota, essas estruturas apoiam empregos diretos e indiretos, manutenção aeronáutica, turismo aéreo, aviação executiva, aviação agrícola e transporte regional.

Além disso, a entidade afirma que cidades médias precisam preservar infraestrutura aérea para emergências, operações médicas, incêndios, resgates e apoio à defesa civil. Dessa forma, o aeródromo deixa de ser visto apenas como espaço inserido na cidade. Ele passa a ser entendido como uma reserva estratégica de mobilidade aérea.

No trecho mais direto da manifestação, a FEBRAERO afirma que o erro está no próprio conceito de vazio urbano. Para a entidade, o termo correto seria infraestrutura territorial especializada ou infraestrutura de mobilidade aérea. Essa mudança de linguagem importa porque altera a forma como a área passa a ser percebida no debate público.

A federação resume essa posição de forma objetiva: aeródromos não são vazios urbanos. Na visão da entidade, eles constituem estruturas técnicas cuja baixa ocupação do solo é condição necessária para a segurança da aviação.

Além disso, a manifestação menciona proteção aeronáutica, servidão aeronáutica, zoneamento de proteção e planos de zona de proteção de aeródromos. Para a FEBRAERO, esses elementos reforçam o caráter estratégico dessa infraestrutura.

O funcionamento do sistema aeronáutico brasileiro é regulado pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, que estabelece as bases legais da aviação civil no país.

Você pode consultar o texto completo da lei neste link oficial do governo federal:

No contexto da discussão sobre aeroclubes e aeródromos urbanos, alguns artigos do CBA ajudam a entender por que essas áreas não podem ser tratadas simplesmente como “vazios urbanos”.

Os dispositivos mais importantes para essa pauta incluem:

  • Art. 25 – define a estrutura do Sistema de Aviação Civil no Brasil.
  • Artigos 30 a 35 – tratam da infraestrutura aeronáutica e dos elementos que compõem esse sistema.
  • Artigos 36 a 44 – tratam especificamente dos aeródromos e de sua função dentro da aviação nacional.
  • Art. 43 – estabelece a classificação dos aeródromos, incluindo públicos e privados.

Esses dispositivos ajudam a mostrar que a existência de um aeródromo não é apenas uma decisão urbanística local, mas parte de um sistema nacional regulado por lei federal.

O posicionamento da federação amplia a discussão iniciada após nosso questionamento. Com isso, o tema deixa de ser apenas local e passa a envolver uma questão maior: como o Brasil enxerga seus aeródromos urbanos.

De um lado, parte do urbanismo pode olhar essas áreas como espaços amplos dentro da malha da cidade. De outro, a aviação insiste em vê-las como estruturas de mobilidade, segurança e formação profissional. Por isso, a manifestação da FEBRAERO fortalece a reação do setor e ajuda a organizar tecnicamente esse debate.

No fim das contas, a mensagem da entidade é clara: o aeroclube não seria um vazio urbano. Ele seria uma infraestrutura que conecta a cidade ao sistema aeronáutico nacional.