Aeroporto de Sorocaba é escolhido para projeto de controle aéreo remoto da Rede VOA

Jota

10 de março de 2026

Aeroporto de Sorocaba vai receber o Serviço Remoto de Informação de Voo de Aeródromo da rede VOA_Imagem Ilustrativa.

O Aeroporto de Sorocaba é escolhido para o projeto R AFIS, pela Rede VOA para sediar um novo projeto de inovação operacional. A iniciativa envolve a sigla para Remote Aerodrome Flight Information Service – Serviço Remoto de Informação de Voo de Aeródromo -. Na prática, o sistema permitirá a prestação remota do serviço de informação de voo de aeródromo. Além disso, a estrutura usará câmeras de alta resolução para apoiar a observação operacional e meteorológica.

Aeroporto de Sorocaba vai receber o Serviço Remoto de Informação de Voo de Aeródromo da rede VOA_Imagem Ilustrativa.
Aeroporto de Sorocaba vai receber o Serviço Remoto de Informação de Voo de Aeródromo da rede VOA_Imagem Ilustrativa.

A escolha amplia o peso do Aeroporto de Sorocaba Bertram Luiz Leupolz, dentro da malha paulista administrada pela concessionária. Hoje, o terminal já ocupa posição estratégica no setor de manutenção aeronáutica e na aviação executiva. Agora, com o avanço do R AFIS, o aeroporto também passa a integrar uma frente tecnológica que pode influenciar outros terminais regionais do estado.

Segundo a Rede VOA, a central instalada em Sorocaba dará suporte simultâneo a outros aeroportos da rede. Entre eles estão Franca, Campos dos Amarais, em Campinas, Araraquara e Bragança Paulista. Dessa forma, operadores posicionados em Sorocaba poderão acompanhar as operações desses terminais de forma remota.

Além do gerenciamento das informações de voo, o projeto inclui tecnologia voltada à observação meteorológica. Para isso, o modelo utilizará câmeras de alta resolução. Com esse apoio visual, a concessionária busca ampliar a eficiência operacional, padronizar processos e reforçar a segurança em aeroportos regionais.

Vale destacar um ponto importante. Embora muitos textos usem a expressão “controle aéreo remoto”, o AFIS não funciona como uma torre de controle tradicional. No setor aeronáutico, esse serviço fornece informações úteis para a condução segura e eficiente das operações. Portanto, o projeto representa um avanço relevante, mas não equivale automaticamente a uma torre ATC remota no sentido clássico.

DECEA já acompanha os estudos sobre o projeto

O projeto da Rede VOA já entrou no radar técnico do Departamento de Controle do Espaço Aéreo. Em agosto de 2024, o DECEA informou que acompanhava estudos ligados à ampliação de centros remotos de serviço de informação de voo de aeródromo no Brasil. Entre os casos observados, o órgão citou a proposta da concessionária para atender Amarais e Franca a partir de Sorocaba.

Além disso, o DECEA destacou que avaliava a capacidade de operação simultânea e o uso de novas tecnologias no apoio ao operador de estação aeronáutica. Esse ponto tem peso especial porque o projeto combina prestação remota do serviço com observação meteorológica por câmeras de alta resolução. Assim, Sorocaba passou a ocupar um papel de destaque dentro dessa discussão técnica.

O avanço definitivo, porém, ainda depende do processo regulatório e da homologação do sistema. Ou seja, o projeto já chama atenção no setor, mas ainda segue vinculado às etapas técnicas exigidas para sua implantação plena.

Por que Sorocaba ganhou esse papel estratégico

A escolha de Sorocaba não ocorreu por acaso. O aeroporto já se consolidou como referência em manutenção aeronáutica no estado de São Paulo. Além disso, o terminal recebe operações da aviação executiva e oferece estrutura de apoio para aeronaves que chegam à cidade.

Esse cenário ficou ainda mais forte em 2025. Naquele ano, a Receita Federal aprovou a internacionalização do Aeroporto Bertram Luiz Leupolz para fins de manutenção de aeronaves. Depois disso, o terminal recebeu sua primeira aeronave internacional para atendimento em Sorocaba. Com esse movimento, o aeroporto reforçou sua imagem como polo técnico e operacional.

Por isso, a decisão da Rede VOA segue uma lógica clara. Em vez de escolher um aeroporto sem tradição no setor, a concessionária optou por uma base que já reúne infraestrutura, localização estratégica e relevância dentro da aviação paulista.

Tecnologia remota pode mudar o cenário dos aeroportos regionais

O caso de Sorocaba chama atenção porque vai além do interesse local. Na visão do setor, o projeto pode servir como vitrine para futuras expansões do modelo em aeroportos regionais. Isso ocorre porque muitos desses terminais não contam com a estrutura completa de uma torre convencional, mas precisam de soluções mais eficientes para apoiar as operações.

Nesse contexto, o R AFIS surge como alternativa prática. O modelo promete combinar tecnologia, redução de custos e melhor aproveitamento da infraestrutura disponível. Além disso, a operação simultânea de mais de um aeródromo pode abrir caminho para uma nova lógica de gestão em redes regionais.

A própria Rede VOA já indicou que Sorocaba ocupa posição central em outras frentes tecnológicas. Em agendas recentes, a concessionária apresentou o sistema a representantes ligados ao setor e reforçou que o aeroporto integra estudos sobre soluções remotas. Assim, Sorocaba deixa de ser apenas um terminal importante no interior paulista e passa a atuar como laboratório operacional de inovação.

Nova fase reforça o protagonismo do aeroporto paulista

Para o leitor, o ponto central é direto. O Aeroporto de Sorocaba não foi escolhido apenas para receber mais um sistema interno da concessionária. Na verdade, o terminal foi colocado no centro de uma proposta que pretende modernizar a prestação de serviços de informação de voo em aeroportos regionais paulistas.

Ao mesmo tempo, o projeto mantém a cidade no mapa dos investimentos mais relevantes da Rede VOA. Sorocaba já era conhecida pela aviação executiva, pela manutenção aeronáutica e pela localização estratégica na zona norte da cidade. Agora, também passa a ser associada a uma iniciativa que pode influenciar o futuro operacional de outros aeroportos do estado.

Se o processo avançar como planejado, o Aeroporto Bertram Luiz Leupolz poderá consolidar uma nova imagem. Além de polo de manutenção, o terminal também poderá virar referência nacional na adoção de serviços remotos aplicados ao ambiente aeroportuário.