Aeroporto de Marília virou vitrine de promessa vazia enquanto a Rede VOA pressiona o Aeroclube

Jota

9 de abril de 2026

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O Aeroporto de Marília voltou ao centro da discussão pelo pior motivo possível. Em vez de aparecer por obras, segurança e melhoria operacional, o terminal ganhou repercussão por causa de um vídeo incômodo. Nele, o presidente da FEBRAERO, Cmte. Jolando Gatto, mostra sinais visíveis de abandono, falta de manutenção e descuido com áreas sensíveis do aeroporto. Por isso, a situação já repercutiu na imprensa local e agora precisa ser enfrentada sem maquiagem.

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O Aeroporto de Marília integra o Bloco Sudeste da concessão paulista. A VOA SE SPE S/A assumiu o bloco em 15 de fevereiro de 2022, por meio do Contrato de Concessão nº 0466/ARTESP/2022. Portanto, não se trata de um contrato recente. Já houve tempo para planejar, organizar cronograma e entregar resultados visíveis.

Ainda assim, a realidade no local é outra. O que aparece é um terminal desgastado, cercado por polêmicas, disputa com o Aeroclube e uma reforma que segue mais presente no discurso do que no canteiro de obras.

Além disso, a própria ARTESP registrou que o Plano de Gestão de Infraestrutura do bloco só foi aprovado em dezembro de 2024. O órgão também reconheceu impactos ligados à extinção do DAESP e à regularização de etapas formais. Mesmo assim, isso não elimina a responsabilidade da concessionária nem afasta o dever de fiscalização do poder concedente.

Em janeiro de 2025, a Rede VOA informou que a reforma do terminal começaria no segundo semestre daquele ano. Segundo a promessa, a entrega ocorreria até março de 2026. O projeto previa ampliação do terminal, novos espaços de embarque e desembarque, áreas comerciais e preservação de elementos históricos.

No papel, a proposta parecia robusta. Na prática, a obra não apareceu.

Além disso, a imprensa local registrou que esse foi o terceiro anúncio da mesma reforma. Antes disso, já havia promessas semelhantes em julho e novembro de 2024. Depois, em março de 2026, veio a constatação mais constrangedora: o prazo venceu e a reforma não começou.

Diante disso, a pergunta deixa de ser apenas técnica. Ela passa a ser administrativa e política. Como se explica tanta pressão sobre o Aeroclube de Marília, se a modernização prometida sequer saiu do papel?

Aeroporto-de-Marilia-em-total-abandono-segundo-imagens-divulgadas_Imagem-Cmte-Jolando
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O vídeo divulgado por Jolando Gatto tem força porque não depende apenas de opinião. As imagens mostram rachaduras, desgaste estrutural, áreas de circulação em más condições e até fiação exposta em ambiente externo. Assim, a sensação geral é de abandono.

Isso não é detalhe estético. Em um aeroporto, degradação visível nunca deve ser tratada como assunto menor. Pelo contrário, ela transmite falta de prioridade e descuido com usuários e operadores.

Além disso, o vídeo reforça o que já apareceu em reportagens locais. Foram citados problemas como infiltração, piso irregular e falhas de conservação. Quando a imagem confirma o discurso, a cobrança ganha outro peso.

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A Rede VOA afirmou que a primeira fase das obras não atingiria o hangar do Aeroclube de Marília. Também indicou que buscaria uma solução para manter a entidade no local. No entanto, o que se viu foi o avanço da disputa e o fortalecimento de uma narrativa em que o Aeroclube passou a ser tratado como entrave.

Só que existe um problema nessa versão. A modernização prometida não aconteceu.

Assim, o cenário muda completamente. Quando a concessionária pressiona uma instituição aeronáutica histórica, mas não entrega a obra anunciada no prazo, surge uma dúvida inevitável. A prioridade está na melhoria do aeroporto ou na retirada do aeroclube?

Até agora, o que mais avançou em Marília foi o conflito. A reforma, por sua vez, permaneceu parada.

A cobrança, portanto, não pode ficar restrita à concessionária. O poder concedente também precisa responder. Onde está a fiscalização efetiva do contrato? Onde estão os relatórios públicos com prazos, etapas e justificativas para o atraso?

Concessão não existe para gerar discurso. Ela existe para operar, manter e entregar infraestrutura. Se o contrato foi assinado em 2022, se a própria concessionária anunciou obras para 2025 e se março de 2026 passou sem entrega, então alguém precisa responder com objetividade.

Aeroporto de Marília em total abandono segundo imagens divulgadas_Imagem Cmte Jolando2
Aeroporto de Marília em total abandono segundo imagens divulgadas_Imagem Cmte Jolando2

O caso de Guaratinguetá-SP amplia a preocupação. Lá, o discurso também prometia melhorias, enquanto o Aeroclube acabou despejado e extinto. Com o passar do tempo, o fechamento da instituição ficou mais evidente do que qualquer transformação estrutural relevante.

Esse precedente acende um alerta claro para Marília. Quando a promessa não se materializa e a instituição tradicional é removida, a impressão que fica é negativa.

Aeroporto de Marília em total abandono segundo imagens divulgadas_Imagem Cmte Jolando3
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Marília não precisa de mais anúncio. Também não precisa de nova promessa. O aeroporto precisa de manutenção básica, obra real e transparência.

A pergunta final é simples: até quando o Aeroporto de Marília vai permanecer entre o abandono visível, a obra fantasma e a pressão contra um Aeroclube de 86 anos sem resposta efetiva?

Porque, neste momento, a ferida já não está escondida. Ela está aberta.