Flybondi cai de 576 para 50 voos e ANAC amplia restrições no Brasil

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Jota A
15 de agosto de 2026

A Flybondi passou de 576 voos realizados em janeiro para apenas 50 em junho de 2026.

A forte redução das operações ajuda a explicar por que a Agência Nacional de Aviação Civil decidiu endurecer as restrições impostas à companhia aérea argentina no Brasil.

Agora, a medida também alcança o Rio de Janeiro.

Desde 11 de agosto, a ANAC suspendeu a venda de novos bilhetes da Flybondi para a rota entre Buenos Aires e o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão.

Com isso, caiu a última exceção que ainda permanecia dentro das medidas adotadas pela Agência.

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Os números divulgados pela própria ANAC mostram uma mudança expressiva no ritmo das operações da companhia.

Em janeiro, a Flybondi realizou 576 voos. Já em junho, foram somente 50, uma redução superior a 91% entre os seis meses

Além disso, agosto começou com uma programação ainda menor.

Até o dia 10, a companhia previa apenas quatro voos durante todo o mês. Desses, somente dois haviam sido realizados.

Outro dado chamou a atenção da Agência. As duas aeronaves que vinham atendendo as operações relacionadas ao Brasil estavam sem registrar voos desde 6 de agosto.

Nesse cenário, a ANAC passou a avaliar não apenas os planos apresentados pela empresa, mas também sua capacidade operacional imediata.

A ANAC já havia adotado medidas contra a Flybondi em 28 de julho.

Naquela ocasião, a Agência restringiu a ampliação das operações da empresa no Brasil e suspendeu novas vendas para Florianópolis, Maceió e Salvador.

O Rio de Janeiro, porém, permaneceu temporariamente fora dessa suspensão.

A Flybondi recebeu a oportunidade de apresentar novas informações à Agência e demonstrar que conseguiria sustentar suas operações.

Posteriormente, o prazo foi ampliado até 10 de agosto.

No entanto, a documentação enviada não conseguiu alterar a avaliação da autoridade brasileira.

Segundo a ANAC, as informações apresentadas estavam concentradas principalmente em medidas e perspectivas futuras. Portanto, elas não demonstraram de forma suficiente que a companhia já havia solucionado os problemas identificados.

Diante disso, a Agência decidiu incluir também o Rio de Janeiro na suspensão de novas vendas.

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A redução das operações não foi o único indicador acompanhado pela ANAC.

As reclamações contra a Flybondi também aumentaram.

Na comparação entre os dois últimos períodos de 30 dias analisados pela Agência, os registros passaram de 214 para 350.

Isso representa crescimento de aproximadamente 63,6%.

Além disso, a participação das reclamações relacionadas a reembolso subiu de 26,6% para 42,7%.

Outro dado reforçou a preocupação. Mais de 90% dos passageiros que informaram ter procurado previamente a companhia relataram dificuldades no atendimento.

Assim, a avaliação da ANAC passou a reunir dois problemas: a forte redução operacional e a piora de alguns indicadores relacionados ao atendimento aos passageiros.

A decisão da ANAC atinge novas vendas de passagens.

Portanto, ela não cancela automaticamente os bilhetes que a Flybondi já comercializou.

A companhia continua responsável pelos contratos de transporte firmados com seus passageiros e deve cumprir as regras brasileiras em caso de alterações ou cancelamentos.

Por isso, quem já possui uma passagem deve acompanhar a situação do voo e os canais de comunicação da empresa.

Em caso de problemas, continuam valendo as regras de assistência, reacomodação e reembolso previstas para o transporte aéreo brasileiro.

A ANAC também mantém uma página oficial com orientações aos passageiros.

A ampliação da medida não significa, por si só, uma proibição definitiva das operações da Flybondi no Brasil.

No entanto, a companhia precisará apresentar condições capazes de modificar o cenário que levou a ANAC a adotar as restrições.

Por enquanto, a Agência decidiu ampliar a medida depois de analisar a documentação enviada pela empresa.

A sequência dos números ajuda a dimensionar o problema: 576 voos em janeiro, 50 em junho e apenas quatro previstos para agosto até o momento da análise.

Agora, além de recuperar sua capacidade operacional, a Flybondi terá de convencer a autoridade brasileira de que consegue manter seus voos e atender adequadamente os passageiros.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.