Após 60 anos de serviço, Marinha dos EUA aposenta o C-2A Greyhound que esteve recentemente no Brasil

Jota

30 de junho de 2026

C-2A Greyhound da Marinha dos Estados Unidos durante operação antes da aposentadoria da aeronave

A aposentadoria do C-2A Greyhound encerra uma carreira de 60 anos na Marinha dos Estados Unidos. Há poucas semanas, dois desses aviões chamaram a atenção dos apaixonados por aviação durante a passagem do porta-aviões USS Nimitz pelo Brasil. Um deles, inclusive, permaneceu mais tempo em solo brasileiro após apresentar um problema técnico que adiou sua partida. Agora, o mesmo modelo encerra oficialmente uma carreira iniciada há seis décadas, marcando o fim de uma das aeronaves mais importantes da aviação naval norte-americana.

C-2A Greyhound da Marinha dos Estados Unidos antes da aposentadoria_Imagem USNAVY 1
C-2A Greyhound da Marinha dos Estados Unidos antes da aposentadoria_Imagem USNAVY 1

No dia 25 de junho de 2026, a Marinha dos Estados Unidos realizou a última operação embarcada do Grumman C-2A Greyhound. O pouso final aconteceu a bordo do porta-aviões USS Nimitz (CVN-68), encerrando uma história iniciada em 1966 e que atravessou a Guerra Fria, conflitos no Oriente Médio e inúmeras missões humanitárias.

Embora não tivesse a fama dos caças embarcados, o Greyhound desempenhava uma missão considerada essencial. Era ele o responsável por transportar passageiros, equipes de manutenção, correspondências, peças de reposição, equipamentos sensíveis e até motores completos de aeronaves entre bases em terra e os porta-aviões em alto-mar.

Essa missão recebeu a denominação Carrier Onboard Delivery (COD) e foi um dos pilares para manter os grupos de ataque navais operando continuamente em qualquer oceano do planeta.

O C-2A Greyhound foi desenvolvido pela Grumman a partir da mesma plataforma do E-2 Hawkeye, aeronave de alerta aéreo antecipado facilmente reconhecida pelo grande radar circular instalado sobre a fuselagem.

Apesar das semelhanças externas, o Greyhound recebeu uma fuselagem adaptada para transporte logístico, equipada com ampla porta traseira para facilitar o embarque de cargas volumosas.

Movido por dois motores turboélice, o avião podia transportar aproximadamente 4,5 toneladas de carga ou até 28 passageiros. Além disso, operava normalmente em porta-aviões utilizando catapultas para decolagem e cabos de parada para o pouso, uma capacidade extremamente rara entre aeronaves de transporte militar.

A aposentadoria do Greyhound acontece poucas semanas depois de o modelo realizar uma rara passagem pelo Brasil durante a Operação Southern Seas 2026.

Na ocasião, duas aeronaves acompanharam o grupo de batalha do USS Nimitz, que participou de exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil e permaneceu fundeado na Baía de Guanabara.

Os aviões também realizaram escalas em aeroportos brasileiros durante o deslocamento para a América do Sul. Um dos Greyhound apresentou um problema técnico e precisou permanecer por mais tempo em solo brasileiro antes de retomar sua viagem, fato que despertou ainda mais o interesse de fotógrafos e spotters, já que a presença desse modelo na América do Sul é extremamente incomum.

 C-2A Greyhound da Marinha dos Estados Unidos antes da aposentadoria_Imagem USNAVY 2
C-2A Greyhound da Marinha dos Estados Unidos antes da aposentadoria_Imagem USNAVY 2

Com a retirada do Greyhound, a missão COD passa a ser executada exclusivamente pelo Bell Boeing CMV-22B Osprey.

Diferentemente do C-2A, o Osprey combina características de helicóptero e avião, podendo decolar e pousar verticalmente sem depender das catapultas e dos cabos de parada utilizados pelos porta-aviões.

Além disso, o novo modelo oferece maior flexibilidade operacional, permitindo operar também em navios de assalto anfíbio e em áreas sem infraestrutura aeroportuária. Outro diferencial importante é sua capacidade para transportar o motor F135 utilizado pelos caças F-35C Lightning II, requisito considerado estratégico pela Marinha norte-americana.

A transição, entretanto, levou mais tempo do que o inicialmente previsto. Restrições operacionais enfrentadas pelo CMV-22B nos últimos anos fizeram com que parte da frota de Greyhound permanecesse em serviço até a conclusão da substituição.

A despedida do Greyhound tem um significado ainda maior. Afinal, ela ocorreu justamente a bordo do USS Nimitz. O navio é o mais antigo porta-aviões nuclear ainda em serviço na Marinha dos Estados Unidos.

Além disso, o próprio USS Nimitz também se aproxima do fim de sua carreira operacional. Portanto, a última operação embarcada do C-2A reuniu dois símbolos históricos da aviação naval norte-americana.

Durante seis décadas, o C-2A Greyhound garantiu apoio essencial aos porta-aviões dos Estados Unidos. Ele levou cargas, passageiros, peças e equipamentos para navios que operavam longe de bases terrestres.

Mesmo longe dos holofotes, sua contribuição foi decisiva para inúmeras operações militares e humanitárias. Agora, depois de 60 anos de serviços prestados, o Greyhound entra definitivamente para a história da aviação naval mundial.

E para os brasileiros, a despedida tem um detalhe especial. Afinal, uma de suas últimas aparições internacionais aconteceu justamente durante a recente passagem do USS Nimitz pelo Brasil.