Aposentadoria do Harrier AV 8B em junho de 2026 já tem data e cerimônia final marcada

Jota

20 de fevereiro de 2026

Detalhes do anexo Aposentadoria-do-Harrier-AV-8B-em-junho-de-2026-ja-tem-data-e-cerimonia-final-marcada_Imagem-USMC-1

A aposentadoria do Harrier AV 8B em junho de 2026 deixou de ser “rumor recorrente” e entrou no calendário oficial. O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) confirmou que o último voo do AV-8B Harrier II ocorrerá em 3 de junho de 2026, na base de Cherry Point, na Carolina do Norte.

A decisão aparece vinculada ao Marine Corps Aviation Plan 2026 (plano de aviação do USMC divulgado em fevereiro de 2026), que detalha a retirada final do modelo e a transição definitiva para o F-35B. Ao mesmo tempo, a agenda prevê cerimônias e eventos de despedida ao longo da primeira semana de junho.


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Segundo as informações publicadas, o USMC programou o último voo de um Harrier para 3 de junho, dentro de um período de cerimônias marcado entre 1º e 5 de junho. Com isso, a aviação dos Fuzileiros encerra mais de quatro décadas de operações com a família Harrier em missões reais.

Essa data importa por um motivo operacional: hoje, apenas um esquadrão de ataque dos Marines segue com o AV-8B como unidade ativa. Trata-se do VMA-223, sediado em Marine Corps Air Station Cherry Point.

O Harrier ficou conhecido como “jump jet” porque opera no conceito STOVL (Short Takeoff and Vertical Landing), ou seja, decolagem curta e pouso vertical. Na prática, isso permite empregar jatos de ataque a partir de navios de assalto anfíbio e também de pistas mais simples e próximas do front, sem depender de grandes bases ou porta-aviões clássicos.

Esse desenho influenciou a doutrina do USMC por décadas. Ainda assim, a mesma característica trouxe custos e desafios técnicos, principalmente na manutenção de um sistema de propulsão pensado para suportar empuxo vetorado e operar em condições expeditas.

Atualmente, o VMA-223 mantém um destacamento de AV-8B ligado à 22nd Marine Expeditionary Unit (22ª MEU), embarcado no navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima (LHD 7). Esse detalhe ajuda a entender por que o Harrier ainda aparece em missões e exercícios mesmo com data de aposentadoria já definida.

Além disso, a confirmação do “último deployment” (último desdobramento operacional) reforça que o encerramento não será apenas simbólico. Ele fecha o ciclo de uma aeronave que atuou como plataforma de ataque em operações e campanhas de diferentes períodos.

O USMC começou a operar Harriers no início da década de 1970, primeiro com variantes como AV-8A e, mais tarde, com evoluções que culminaram no AV-8B Harrier II, que entrou em serviço em janeiro de 1985. Essa transição trouxe melhorias importantes em desempenho e capacidade de emprego.

Com o tempo, o AV-8B acumulou modernizações e seguiu relevante por mais do que se imaginava. No entanto, a chegada de um sucessor STOVL de quinta geração acelerou a retirada. Em termos simples, o USMC preferiu concentrar recursos em uma frota com sensores, conectividade e sobrevivência melhores para cenários modernos.

O sucessor natural, dentro do conceito STOVL, é o F-35B Lightning II. Ele mantém a capacidade de operar a partir de navios de assalto anfíbio e de bases avançadas. Ainda assim, ele adiciona um pacote de quinta geração, com integração de sensores e foco em guerra em rede.

No plano divulgado, o USMC também aponta o tamanho do programa: até o fim de 2026, a expectativa é ter recebido 205 F-35B e 56 F-35C. O “C” é a versão preparada para operar em porta-aviões da Marinha dos EUA. Já o total previsto no programa de registro do USMC chega a 420 aeronaves F-35.

Nos últimos anos, muitos calendários apontavam o Harrier “indo embora em breve”, mas os prazos variavam. Agora, a confirmação com data, base e cerimônia final muda o situação do assunto: vira agenda oficial, com transição organizacional e narrativa institucional clara.

Para quem acompanha aviação militar, isso também facilita a leitura do movimento maior. O USMC está fechando ciclos de aeronaves legadas e consolidando uma força mais padronizada, com foco em sobrevivência e integração de sistemas. Nesse contexto, o Harrier sai de cena como um ícone, enquanto o F-35B assume o posto de caça expedicionário STOVL.

Aposentadoria do Harrier AV 8B em junho de 2026 encerra uma era, mas preserva o conceito

Quando o último AV-8B pousar após o voo final em 3 de junho de 2026, o USMC encerrará uma das histórias mais reconhecíveis da aviação tática moderna. Ao mesmo tempo, o conceito que o Harrier ajudou a popularizar continua vivo, agora em outra plataforma e com outra lógica tecnológica.