ASES Brasil mobiliza aviação comercial e voluntário para levar medicamento e paciente até Cuiabá

ASES Brasil leva medicamento e paciente em missão aérea
Jota A
18 de setembro de 2026

ASES Brasil leva medicamento e paciente em uma missão na qual cada hora fazia diferença. Para a entidade, “Missão Dada é Missão Cumprida”. Mas nem sempre cumprir uma missão significa colocar imediatamente um pequeno avião no ar. Na mobilização para ajudar Letícia, com uma grave doença, em Mato Grosso, foi preciso encontrar a combinação mais rápida entre aviação geral, voos comerciais e uma rede de voluntários.

O desafio tinha duas pontas separadas por milhares de quilômetros. Enquanto Letícia precisava deixar Lucas do Rio Verde (MT) e chegar a Cuiabá (MT) para receber o tratamento, o medicamento necessário para ela estava no Rio Grande do Sul.

Além do alto valor, o remédio precisava ser transportado sob refrigeração adequada. E o tempo era determinante.

ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-1
ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-1

A mobilização começou quando Letícia procurou a ASES Brasil por meio do formulário disponível no site da entidade. Inicialmente, o pedido era para que a organização ajudasse a transportar por via aérea o medicamento localizado no Rio Grande do Sul.

Letícia, por sua vez, pretendia fazer de ônibus o percurso entre Lucas do Rio Verde e Cuiabá. Seriam muitas horas de estrada e seu estado de saúde exigia cuidados constantes.

Ao analisar a situação, a ASES decidiu ampliar a operação: além de encontrar a maneira mais rápida de fazer o medicamento chegar ao hospital, a entidade também se mobilizou para levar Letícia com segurança até Cuiabá.

A missão, portanto, passou a ter duas frentes simultâneas.

A história do remédio acrescenta outro componente de solidariedade. Segundo informações obtidas pelo site AeroJota diretamente com a ASES Brasil, o medicamento estava com outra paciente, que havia decidido preservá-lo para uma futura doação.

Quando o pedido envolvendo Letícia chegou até essa rede, o medicamento pôde ser disponibilizado. Surgia, então, outro desafio: levá-lo de São Luiz Gonzaga (RS) até Cuiabá (MT), mantendo a refrigeração necessária e no menor tempo possível.

Uma das possibilidades estudadas foi utilizar exclusivamente a aviação geral.

Um piloto voluntário chegou a se oferecer para sair de São Paulo, buscar o medicamento no Rio Grande do Sul e seguir para Cuiabá. A estimativa, entretanto, era de aproximadamente oito horas de voo, sem considerar paradas para abastecimento e outras etapas operacionais.

Havia disposição. Faltava tempo.

ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-4
ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-4

Outra possibilidade surgiu por meio do Aeroclube de Canela.

O aeroclube mantém um grupo de apoio criado para situações de catástrofe e também auxilia outras organizações e redes de voluntários. Um de seus pilotos se colocou à disposição para transportar o medicamento do Rio Grande do Sul até Cuiabá.

O problema era o tempo: o voluntário poderia realizar o voo somente no dia seguinte. Diante da urgência, a ASES Brasil buscou uma alternativa mais rápida.

Um voo comercial partiria do Aeroporto de Santo Ângelo (RS) às 16h00, com destino a São Paulo. O medicamento seguiu por terra de São Luiz Gonzaga até Santo Ângelo e, devidamente acondicionado para manter a refrigeração necessária, embarcou para a capital paulista.

Em São Paulo, outro voluntário assumiu o medicamento e o acompanhou no voo comercial até Cuiabá. A passagem desse voluntário foi custeada por uma empresa que decidiu apoiar a missão.

Com essa combinação, o medicamento conseguiu chegar ao hospital de Cuiabá antes da viagem de Letícia para receber o tratamento.

ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-2
ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-2

Com o medicamento já em Cuiabá, faltava levar Letícia até o hospital.

Na segunda-feira, 14 de setembro, um voluntário da ASES Brasil realizou por via terrestre o deslocamento de Lucas do Rio Verde até Cuiabá, evitando que Letícia precisasse enfrentar a viagem em um ônibus rodoviário enquanto seu estado de saúde exigia cuidados constantes.

O voluntário aguardou a realização do tratamento e, no dia 15 de setembro, fez também o percurso de retorno, levando Letícia de volta para Lucas do Rio Verde.

Assim, a ASES Brasil conseguiu resolver as duas partes da missão: a aviação comercial encurtou o caminho do medicamento, enquanto a rede de voluntários garantiu o deslocamento da paciente até o tratamento.

Criada em 2004, a ASES — Apoio Aéreo em Situações Especiais reúne pilotos, proprietários de aeronaves e voluntários para ajudar pessoas que precisam realizar tratamentos médicos longe de casa.

O AeroJota já mostrou como funciona esse trabalho e como a aviação geral pode reduzir distâncias para pacientes que necessitam de atendimento em outras cidades.

Ases Brasil informa que a organização já atendeu mais de 200 passageiros, realizou mais de 100 acionamentos e acumulou mais de 40 mil milhas náuticas voadas.

A rede também está aberta a quem deseja participar. Pilotos e proprietários de aeronaves podem se oferecer para realizar missões, enquanto pessoas e empresas podem colaborar financeiramente para ajudar a viabilizar os deslocamentos. Informações sobre participação e contribuições estão disponíveis no site da ASES Brasil.

Na Missão Letícia, diferentes formas de ajuda se encontraram. Pilotos se ofereceram, o Aeroclube de Canela colocou sua rede à disposição, uma empresa ajudou a custear uma passagem, a aviação comercial encurtou o caminho do medicamento e voluntários garantiram que Letícia chegasse ao tratamento.

No final, medicamento e paciente chegaram ao mesmo destino.

E, para aquela missão, era isso que realmente precisava voar.

ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-3
ASES-Brasil-leva-medicamento-e-paciente-em-missao-aerea-3