Asilo Político de Nadine Heredia no Brasil entra em nova fase judicial
A decisão judicial sobre o asilo politico de Nadine Heredia no Brasil avançou após a Justiça Federal fixar prazo de 15 dias para a União juntar documentos do caso. Além disso, o despacho cobra explicações formais sobre o uso de aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) no deslocamento até o Brasil.
A juíza federal Diana Maria Wanderlei da Silva assinou a decisão na 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal. O processo tramita como ação popular e discute a regularidade administrativa do asilo. Ao mesmo tempo, o autor questiona o emprego de recursos públicos na operação.

Quem é Nadine Heredia e por que o caso chamou atenção
Nadine Heredia foi primeira-dama do Peru durante o governo de Ollanta Humala, entre 2011 e 2016. Em abril de 2025, a Justiça peruana condenou Nadine e Humala a 15 anos de prisão. A sentença citou lavagem de dinheiro e financiamento ilícito de campanha, em caso que envolve a Odebrecht, hoje Novonor, segundo reportagens.
Diante desse cenário, Nadine e o filho buscaram abrigo na Embaixada do Brasil em Lima. Em seguida, o governo brasileiro concedeu asilo diplomático, com base na Convenção de Asilo Diplomático de 1954. Por isso, o caso ganhou repercussão política, diplomática e judicial.
Quando ela veio ao Brasil e com quem ela viajou
Nadine veio ao Brasil acompanhada do filho mais novo, Samir Ollanta Humala Heredia, que é menor de idade. Ela chegou a Brasília em 16 de abril de 2025, após o governo conceder o asilo no dia anterior, 15 de abril. Desde então, o caso passou a gerar questionamentos sobre o procedimento e os custos do deslocamento.
Por que o governo concedeu asilo
Autoridades brasileiras afirmaram que o governo adotou a Convenção de 1954 como base jurídica para conceder o asilo. Além disso, declarações públicas atribuíram a decisão a razões humanitárias, incluindo elementos de saúde e a presença de filho menor. No entanto, o processo judicial agora exige que a União comprove esses fundamentos por documentos.
O que a Justiça quer apurar a partir de agora
A magistrada tratou o tema como controvérsia jurídica e concentrou a instrução em prova documental. Assim, ela deixou de lado, neste momento, perícias e depoimentos. Com isso, o caso depende do que constar nos registros oficiais do procedimento.
A decisão cobra documentos que expliquem como a União concedeu o asilo e quais fundamentos sustentaram o ato. Além disso, o despacho pede informações formais sobre autorizações e justificativas relacionadas ao transporte em aeronave oficial. Depois dessa juntada, o autor terá prazo para se manifestar antes do avanço do rito.
Onde a FAB entra e qual é o foco do debate
O processo discute autorizações e atos administrativos, não a execução técnica do voo. Em missões desse tipo, a FAB executa o transporte conforme determinações e solicitações dos órgãos competentes do governo. Por isso, o centro da análise recai sobre quem autorizou, como motivou e como registrou o deslocamento.
Reportagens publicadas à época indicaram o uso de aeronave da FAB do tipo VC-99, derivada do Embraer ERJ-145, jato empregado em missões institucionais. Ainda assim, a decisão judicial trata o tema de forma ampla, ao pedir esclarecimentos sobre o uso de aeronave oficial no caso.
Quanto custou a operação, segundo registros divulgados
Sobre os custos, reportagens também registraram que o governo informou gasto de aproximadamente R$ 345 mil na operação, em valores da época. Assim, o número não surge por especulação, pois aparece em matérias que atribuíram a informação ao Ministério da Defesa. Mesmo assim, a Justiça agora quer ver os documentos que sustentam o procedimento e os registros do deslocamento.
Caso segue sem julgamento do mérito
Até agora, a Justiça Federal não julgou se o asilo foi legal ou ilegal. Ela apenas organizou a fase inicial, fixou prazos e cobrou documentos para análise objetiva. A partir dessa documentação, o Judiciário poderá avaliar o pedido principal com base em registros formais.
Com isso, a decisão judicial sobre o asilo de Nadine Heredia no Brasil deve ter novos desdobramentos após a União cumprir o prazo definido.





