Movimento da aviação militar na FAB cai 18,45% e levanta uma pergunta maior
A atividade aérea na FAB entrou no radar em meio às discussões sobre prontidão, disponibilidade de meios e capacidade operacional. O novo levantamento sobre os principais aeródromos do país chama atenção porque ajuda a medir, na prática, o ritmo recente das operações militares da FAB. Mais do que um dado técnico, esse recorte abre espaço para uma pergunta maior: o que esses números revelam sobre a estrutura atual da Força Aérea Brasileira? As informações foram publicadas pela Revista Asas, com base no Anuário Estatístico de Tráfego Aéreo 2025, do CGNA/DECEA.

Os números mostram uma queda seguida e consistente
Em 2023, os aeródromos analisados registraram 196.709 movimentos militares. Depois, em 2024, o total caiu para 182.869. Já em 2025, o número recuou novamente e fechou em 160.398 pousos e decolagens. Portanto, a retração acumulada em dois anos chegou a 18,45%. Esse resultado chama atenção porque não se trata de uma oscilação isolada, mas de uma sequência de perdas em anos consecutivos.
A Academia da Força Aérea continua líder, mas também perdeu ritmo
A Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, permaneceu como o aeródromo com maior movimentação militar do Brasil. Ainda assim, os dados mostram recuo. Em 2023, a AFA registrou 39.187 movimentos. Na sequência, caiu para 35.954 em 2024. Por fim, fechou 2025 com 32.542 movimentos. Assim, a redução acumulada foi de 16,95%. Como a unidade tem ligação direta com a formação de pilotos e com a rotina operacional da Força Aérea, o dado ganha peso extra.
Outras bases importantes também perderam movimento
Além da AFA, outras unidades relevantes registraram queda. A Base Aérea de Canoas somou 4.502 movimentos militares em 2025, com retração de 44%. Já a Base Aérea de Santa Maria encerrou o ano com 2.438 movimentos, o que representa queda de 41%. No Rio de Janeiro, a Base Aérea de Santa Cruz também perdeu atividade e recuou 24%. Em sentido contrário, Anápolis apresentou alta de 21% entre 2024 e 2025 e chegou a 4.660 movimentos. Ou seja, o cenário geral aponta queda, embora algumas bases tenham mostrado comportamento diferente.
A redução da frota da FAB amplia o sinal de alerta
Os pousos e decolagens ficam ainda mais relevantes quando entram em cena os dados sobre a frota da Força Aérea Brasileira. Em audiência pública no Senado, a Aeronáutica informou que a FAB tinha 526 aeronaves, entre aviões e helicópteros, em 2014. Agora, a previsão para 2025 aponta 319 aeronaves. Na prática, isso representa uma redução de 207 aeronaves em 11 anos. Portanto, a discussão deixa de ser apenas sobre movimento nos aeródromos e passa a envolver também o tamanho da estrutura aérea disponível.
Menos aeronaves e menos horas de voo formam um quadro preocupante
Além da redução da frota, a própria Aeronáutica apresentou queda nas horas de voo. Em 2014, a FAB registrava 155 mil horas anuais. Depois, esse total caiu para 97 mil horas em 2024. Para 2025, a previsão divulgada foi de 80 mil horas. Quando se observa esse conjunto, o quadro fica mais claro. Há menos aeronaves disponíveis, menos horas voadas e menos movimentos registrados. Consequentemente, cresce o debate sobre treinamento, presença operacional e capacidade de resposta em missões estratégicas.
O dado interessa também ao leitor comum
Esse assunto não chama atenção apenas de militares, especialistas ou entusiastas da aviação. Para o leitor comum, a queda ajuda a entender como decisões orçamentárias e estruturais podem atingir a operação aérea do país. Afinal, a FAB atua em transporte, resgate, logística, defesa, vigilância, apoio humanitário e formação de novos pilotos militares. Por isso, quando os indicadores caem por vários anos, o tema naturalmente ganha importância pública.
A discussão vai além da estatística
Mais do que um número frio, o recuo do movimento da aviação militar brasileira abre espaço para uma discussão maior. O que significa operar menos? Como isso afeta treinamento, prontidão e renovação de meios? E, principalmente, até que ponto a redução da frota e das horas de voo pode impactar a presença operacional da FAB nos próximos anos? O recuo da atividade aérea na FAB, somado à redução da frota e das horas de voo, coloca em evidência um tema que ultrapassa a estatística e alcança a capacidade operacional da Força Aérea Brasileira.
Fonte das informações
Esta matéria foi produzida com base em reportagem publicada pela Revista Asas, assinada por Humberto Leite, a partir de dados do Anuário Estatístico de Tráfego Aéreo 2025, do CGNA/DECEA, além de informações apresentadas pela Aeronáutica em audiência pública no Senado.





