Por que a Aviação de Patrulha da FAB virou pergunta em 2026?
A Aviação de Patrulha da FAB tem uma missão direta: vigiar o mar, monitorar tráfego, apoiar busca e salvamento e proteger interesses na costa. Por isso, quando surgem relatos de restrição orçamentária, a dúvida aparece rápido. Afinal, a patrulha segue no ritmo esperado ou opera abaixo do necessário?
Esse debate ganha peso porque a frota de patrulha combina dois perfis bem diferentes. De um lado, o P 95 Bandeirulha cobre áreas amplas e apoia o controle do litoral. Do outro, o P 3AM Orion voa mais longe e sustenta missões longas, com mais tempo no ar.

P 95 Bandeirulha quando entrou na FAB e de onde ele veio
O P 95 Bandeirulha é a versão de patrulha marítima derivada do Embraer Bandeirante, da mesma família de célula que originou o C 95 de transporte. Ou seja, ele nasce com foco em missão de patrulha, com sensores e sistemas específicos. Assim, não se trata apenas de “troca de pintura” ou de emprego improvisado.
Segundo publicação institucional da FAB, os primeiros P 95 começaram a voar em setembro de 1977 e passaram a operar no 1º 7º GAV em abril de 1978. Além disso, a ABRA PAT registra o pouso, em Salvador, do primeiro EMB 111 Bandeirante Patrulha em 10 de abril de 1978.
Na prática, isso coloca o P 95 como um vetor com décadas de serviço (49 anos), mesmo com melhorias e modernizações ao longo do tempo. Por isso, qualquer discussão sobre “voar como deveria” passa por idade, ciclo de inspeções e previsibilidade de manutenção. Ao mesmo tempo, o histórico mostra que a patrulha sempre tratou o Bandeirulha como peça central.
Quais esquadrões voam o P 95 hoje e onde eles ficam
Hoje, em fonte aberta, dois esquadrões aparecem como operadores do P 95 e de suas versões modernizadas. Em primeiro lugar, o 2º 7º GAV Esquadrão Phoenix está sediado na Base Aérea de Canoas, RS. A ABRA PAT registra a transferência do Phoenix para Canoas, dentro da reorganização que formou a Ala 3.
Em seguida, o 3º 7º GAV Esquadrão Netuno é sediado em Belém (PA). A ABRA PAT detalha que a unidade foi criada para operar o Bandeirulha na região Norte, com missão ligada ao litoral e à foz do Amazonas. Assim, a patrulha não é um conceito genérico, porque ela tem unidades, bases e áreas de responsabilidade claras.
P 95B e P 95BM, a frota mais nova e a modernização
Além das primeiras aeronaves, a FAB recebeu a versão P 95B no fim dos anos 1980. Nesse contexto, há registros de entrega inicial em 6 de novembro de 1989 e de um ciclo de entregas até 1991, com distribuição entre unidades de patrulha. Com isso, parte da frota ganhou células mais novas dentro do mesmo conceito de missão.
Depois, veio a modernização para o padrão P 95BM. A ABRA PAT registra que o Esquadrão Phoenix recebeu, em setembro de 2013, o primeiro P 95BM entregue, já com o radar Selex Seaspray 5000E e pacote de sistemas de missão. Além disso, o Esquadrão Netuno entrou nesse fluxo e começou a receber o P 95BM em 2016, segundo a própria ABRA PAT.
Na cobertura especializada, há explicações do salto tecnológico, com troca do painel analógico, assim, o avião ganha mais capacidade para detectar alvos no mar e acompanhar múltiplos contatos. Por isso, o tema “voos reduzidos” não pode ignorar o ciclo de manutenção e a sustentação desses sistemas.
P 3AM Orion quando chegou ao Brasil e como entrou em operação
O P 3AM Orion é o vetor de longo alcance da patrulha e, por isso, costuma puxar a atenção quando o assunto é presença no mar. Em fonte aberta, há uma cronologia objetiva para a origem da frota. Um registro histórico aponta que o Brasil adquiriu 12 aeronaves P 3A oriundas de estoques da US Navy, em 2000, com células armazenadas no AMARC. Depois disso, o programa evoluiu para modernização e entrada operacional ao longo dos anos seguintes.
Em 31 de julho de 2011, o site Aéreo relata a chegada ao Brasil da primeira aeronave modernizada, com pouso na Base Aérea de Salvador. Em seguida, a ABRA PAT complementa que o Esquadrão Orungan começou a receber os P 3AM em 30 de setembro de 2011, citando origem na US Navy e modernização na Espanha.
Sobre quantas células viraram aeronaves operacionais, há divergência em fonte aberta e vale tratar com transparência. Um texto do setor aponta que, de 12 células, três serviram como fonte de peças e nove foram modernizadas, com recebimentos entre 2011 e 2014. Por outro lado, uma matéria de 2006 registra que o contrato com a EADS CASA incluía a modernização de oito aeronaves P 3 para a FAB. Assim, o melhor enquadramento é simples: o lote envolveu doze células, enquanto o número modernizado varia conforme a fonte.
Qual esquadrão voa o P 3AM e onde ele fica
Em fonte aberta, o P 3AM está concentrado no 1º 7º GAV Esquadrão Orungan, historicamente sediado em Salvador (BA). A ABRA PAT descreve a chegada do P 3AM ao Orungan em 2011 e o papel do vetor em vigilância marítima de longo alcance. Além disso, o mesmo material cita sensores embarcados e capacidade de empregar armamento antinavio, com referência ao AGM 84 Harpoon.
Após décadas, existe reposição encaminhada para P 95 e P 3AM?
Após tantos anos de operação, a pergunta inevitável é a reposição dos vetores de patrulha. Até agora, o que existe em fonte aberta sobre “futuro” aparece mais ligado ao P 3AM do que ao P 95. Em dezembro de 2024, a FlightGlobal registrou que Embraer e FAB continuariam explorando uma variante do C 390 voltada a ISR com foco marítimo, com imagens conceituais de um C 390 MPA. Além disso, foi noticiado, no mesmo período, a assinatura de acordo para ampliar capacidades do C 390 em missões especiais.
Em abril de 2024, a imprensa enquadrou esse movimento como estudos colaborativos para patrulha marítima e citou outras soluções discutidas no mercado, como o P 8A Poseidon. No entanto, estudo e debate público não significam aeronave transformada e em teste. Ou seja, ainda não há confirmação de uma conversão efetiva já em campanha de voo.
Para o P 95, o que aparece de forma documentada em fonte aberta é modernização e sustentação do vetor, sem um substituto anunciado com cronograma público. Por isso, a pergunta permanece válida: a patrulha está conseguindo manter o ritmo exigido pela missão ou está sentindo o mesmo efeito visto em outras unidades da FAB?






