Boeing 767 da Amazon sai da pista em Miami e deixa cinco mortos

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Jota A
11 de setembro de 2026

Boeing 767 da Amazon sai da pista em Miami e deixa pelo menos cinco mortos após um pouso que terminou fora dos limites do aeroporto neste domingo, 6 de setembro. O cargueiro atravessou uma via, atingiu vários veículos e pegou fogo.

Mas as primeiras informações e imagens do acidente começam a levantar questões que somente a investigação poderá responder.

A aeronave realizava o voo 7598 da Prime Air, entre San Juan, em Porto Rico, e Miami. O voo era operado pela companhia norte-americana 21 Air para a Amazon.

Segundo comunicado oficial da Federal Aviation Administration (FAA), o Boeing 767-300 ultrapassou os limites da pista após pousar por volta das 14h, horário local.

A aeronave tinha matrícula N1997A.


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O voo saiu do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, às 15h42 UTC e chegou a Miami às 17h53 UTC — 13h53 no horário local.

Dados ADS-B analisados pelo Flightradar24 indicam que o Boeing 767 ainda estava a aproximadamente 112 nós, cerca de 207 km/h, quando deixou a área utilizável da pista 30.

Esse dado é importante, mas isoladamente não permite determinar por que a aeronave não conseguiu parar.

Depois de ultrapassar o final da pista, o cargueiro atravessou uma via próxima ao aeroporto, atingiu vários veículos e terminou imobilizado nas proximidades de uma área de estacionamento.

O impacto foi seguido por incêndio e uma grande coluna de fumaça preta, registrada em diferentes vídeos que circularam nas redes sociais.

Acidentes envolvendo grandes cargueiros que ultrapassam os limites de uma pista não são inéditos. Em outubro de 2025, o AeroJota mostrou o caso de um Boeing 747-400F da Air Cargo ACT que saiu da pista durante o pouso em Hong Kong e terminou no mar.

Pelo menos cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas, segundo o balanço divulgado pelas autoridades locais. Três dos feridos estavam em estado crítico.

O chefe do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, Raied “Ray” Jadallah, informou que pessoas ficaram presas nos veículos atingidos. O piloto e o copiloto também precisaram ser retirados da aeronave após o acidente.

Mais de 60 unidades de emergência e cerca de 200 profissionais participaram da operação, que envolveu combate às chamas, atendimento às vítimas e controle de vazamento de combustível.

A complexidade da ocorrência pode ser percebida nas imagens obtidas após o acidente: dezenas de viaturas cercaram o Boeing enquanto bombeiros trabalhavam junto à aeronave e aos veículos atingidos.

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Outro ponto que deverá fazer parte da reconstrução do acidente é a própria pista.

O Boeing utilizou a pista 30, pertencente ao sistema 12/30 do Aeroporto Internacional de Miami.

Segundo dados oficiais do Aeroporto Internacional de Miami, a pista 12/30 possui aproximadamente 9.355 pés de comprimento, pouco mais de 2.850 metros.

Há, porém, uma diferença importante entre o comprimento físico da pista e a distância disponível para pouso na cabeceira 30.

Dados aeronáuticos publicados para Miami indicam que a pista 30 possui cabeceira deslocada. Para operações nessa direção, a Landing Distance Available (LDA) publicada é de aproximadamente 7.913 pés, ou cerca de 2.412 metros.

Isso não significa que a pista fosse inadequada para o Boeing 767. A distância necessária para o pouso depende de diversas variáveis, entre elas peso da aeronave, configuração, velocidade, vento, condição da pista e ponto efetivo de toque.

É justamente por isso que saber onde o 767 tocou a pista e quanto dela ainda restava naquele momento será importante para compreender a dinâmica do acidente.

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Chuva aparece nas imagens, mas ainda não há uma causa

Os vídeos que antecedem e sucedem o acidente mostram outro elemento que chama atenção.

Grandes formações de chuva aparecem ao redor do Aeroporto Internacional de Miami. Registros meteorológicos citados pela imprensa norte-americana também indicavam tempo instável e rajadas de vento na região naquele momento.

A Associated Press informou que entre os elementos que deverão ser examinados estão velocidade, sistemas de frenagem, condição mecânica da aeronave e possíveis fatores meteorológicos, inclusive a componente de vento durante o pouso.

Isso exige cautela.

A presença de chuva, tempestades ou vento nas proximidades não significa que a meteorologia tenha provocado o acidente.

O avião envolvido no acidente era o Boeing 767-33AER convertido para cargueiro, matrícula N1997A, número de série 27310.

A aeronave realizou seu primeiro voo em junho de 1994 e tinha aproximadamente 32 anos.

Dados históricos disponíveis no Planespotters mostram que o avião nasceu como aeronave de passageiros e foi convertido para configuração cargueira em 2016.

Atualmente era operado pela 21 Air, empresa aérea de carga norte-americana que realizava o voo para a Amazon Prime Air.

A idade da aeronave, entretanto, também não pode ser relacionada ao acidente sem evidências técnicas. Aeronaves comerciais podem permanecer em operação durante décadas desde que cumpram os programas de manutenção e os requisitos de aeronavegabilidade.

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O National Transportation Safety Board (NTSB) enviou uma equipe para Miami, liderada pela presidente da agência, Jennifer Homendy.

A investigação deverá reconstruir os últimos minutos do voo e analisar dados dos gravadores da aeronave, desempenho durante a aproximação e pouso, sistemas do Boeing 767, condições da pista, meteorologia, comunicações com o controle de tráfego aéreo e atuação da tripulação.

A FAA também participa da apuração.

Amazon, Boeing e 21 Air informaram que colaborarão com as autoridades.

Em comunicado, a Amazon afirmou que sua prioridade é a segurança, o bem-estar e o atendimento às pessoas envolvidas e que trabalha com as autoridades para entender exatamente o que aconteceu.

O acidente provocou inicialmente a paralisação das operações no Aeroporto Internacional de Miami. Pistas e taxiways foram fechadas enquanto bombeiros e equipes de emergência trabalhavam na ocorrência.

As operações começaram a ser retomadas ainda no domingo, embora o acidente tenha provocado centenas de atrasos e cancelamentos.

Agora, parte importante das respostas deverá vir do trabalho no local onde o Boeing 767 terminou sua trajetória.

Mais do que saber que o cargueiro ultrapassou os limites da pista, a investigação terá de explicar por que uma aeronave daquele porte chegou ao final da área disponível sem conseguir parar — e quais fatores contribuíram para que o pouso terminasse fora do aeroporto.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.