Operação noturna mobilizou duas aeronaves SC-105 Amazonas e 24 tripulantes, somando 13 horas de voo até o resgate dos militares
Dois bombeiros à deriva no litoral paulista viveram uma situação inesperada durante uma missão de salvamento. Eles haviam saído ao mar para ajudar os ocupantes de uma lancha desaparecida, mas acabaram precisando de socorro. O que começou como uma operação de busca tomou outro rumo quando a embarcação dos próprios socorristas perdeu contato, mobilizando aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) durante a madrugada.

Bombeiros à deriva em alto-mar estavam a 240 quilômetros de Santos
A ocorrência aconteceu no domingo, 25 de outubro de 2026, durante as buscas por uma lancha com quatro ocupantes. A embarcação apresentava problemas de navegação, estava à deriva e registrava entrada de água.
O alerta foi comunicado pelo SALVAERO Curitiba, responsável por coordenar ações de busca e salvamento aeronáutico na região.
Durante a operação, uma embarcação do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), de São Sebastião, também perdeu contato. Com dois militares a bordo, passou a ser o foco das buscas.
Segundo a nota oficial da FAB, os bombeiros estavam a aproximadamente 240 quilômetros do litoral de Santos, em São Paulo.
Aeronaves SC-105 Amazonas deixaram preparação de exercício para missão real
Duas aeronaves SC-105 Amazonas, pertencentes ao Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV), conhecido como Esquadrão Pelicano, sediado na Base Aérea de Campo Grande (MS), estavam mobilizadas para participar do Exercício Operacional Carranca 2026, em Florianópolis (SC).
Diante da emergência, o planejamento foi alterado e as aeronaves foram preparadas em Florianópolis para uma missão real de busca marítima noturna, com emprego de equipamentos de visão noturna (NVG, do inglês Night Vision Goggles).
O SC-105 Amazonas é especializado em missões de Busca e Salvamento (SAR, do inglês Search and Rescue). O AeroJota já apresentou as características e os recursos dessa aeronave em uma reportagem sobre o SC-105 Amazonas SAR.

FAB localizou embarcação dos bombeiros às 20h30
Por volta das 17h de domingo, uma das aeronaves SC-105 decolou de Florianópolis em direção à área de buscas.
Após aproximadamente três horas e meia, às 20h30, a tripulação conseguiu localizar a embarcação dos bombeiros, que permanecia à deriva em alto-mar.
A localização, porém, não significava o encerramento da missão.
Como a aeronave não realizaria diretamente a retirada dos militares, sua tripulação permaneceu acompanhando a posição da embarcação, enquanto o socorro marítimo era aguardado.
O primeiro SC-105 continuou na operação até próximo das 2h da madrugada de segunda-feira, 26 de outubro, quando se aproximou do limite de sua autonomia operacional.
Segunda aeronave manteve buscas até chegada de navio mercante
Para garantir a continuidade do acompanhamento, uma segunda aeronave SC-105 Amazonas chegou à região por volta das 2h e assumiu a missão.
O revezamento permitiu manter o apoio aéreo durante a madrugada, sem interromper o acompanhamento da embarcação.
Por volta das 5h, um navio mercante chegou ao local, resgatou os dois bombeiros e iniciou o reboque da embarcação.
A operação encerrou uma noite de buscas que exigiu a atuação coordenada dos meios envolvidos e a permanência das aeronaves sobre uma área marítima distante da costa.
O litoral paulista já havia sido cenário de outra missão envolvendo o Esquadrão Pelicano. Em agosto de 2025, o AeroJota noticiou o emprego de um SC-105 em buscas após um naufrágio.
Operação mobilizou 24 tripulantes e somou 13 horas de voo
De acordo com a Força Aérea Brasileira, a missão mobilizou 24 tripulantes e contabilizou aproximadamente 13 horas de voo das duas aeronaves SC-105 Amazonas.
A operação exigiu a readequação do planejamento inicial, a preparação para o emprego noturno e o revezamento das tripulações.
Para o Esquadrão Pelicano, a ocorrência representou a transformação de uma mobilização destinada a treinamento em uma missão real de busca e salvamento.
A FAB destacou ainda a importância da coordenação entre os órgãos envolvidos e da flexibilidade operacional para manter o apoio às ações de salvamento em alto-mar.
Embora a nota oficial confirme o resgate dos dois bombeiros, não apresenta informações sobre o desfecho das buscas pelos quatro ocupantes da lancha que motivou a operação inicial.
Fonte: Agência Força Aérea — FAB, 26 de outubro de 2026.






