Britânica de 97 anos quebra recorde mundial de wing walking
Existem maneiras mais tranquilas de chegar aos 97 anos. A britânica de 97 anos quebrou o próprio recorde mundial de uma maneira pouco convencional: Betty Bromage voltou a subir em um avião, mas desta vez não ocupou nenhum assento dentro da cabine.
A aventura aconteceu em 4 de agosto, na Inglaterra, e colocou novamente o nome de Betty entre os recordistas do Guinness World Records. Para conseguir a nova marca, porém, ela precisou enfrentar um desafio que poucas pessoas aceitariam em qualquer idade.
Betty foi presa do lado de fora da aeronave e participou de mais uma experiência de wing walking. O que poderia parecer uma aventura isolada, no entanto, faz parte de uma história que começou muitos anos antes.

O recorde começou quatro anos antes
O recorde que Betty decidiu superar aos 97 anos já pertencia a ela mesma.
Em 4 de agosto de 2022, aos 93 anos, a britânica realizou seu quinto wing walk no Rendcomb Airfield, perto de Cirencester, na Inglaterra. Naquele dia, entrou para o Guinness World Records como a mulher mais velha do mundo a realizar a atividade.
O desafio foi além de simplesmente permanecer sobre a asa. Durante o voo, Betty participou de manobras como loop e tonneau, sempre presa à estrutura instalada na aeronave.
Além disso, aquela aventura também teve uma finalidade beneficente. Betty arrecadou recursos para a Sue Ryder Leckhampton Court Hospice, instituição de cuidados paliativos que havia atendido sua cunhada.
Quatro anos depois, ela decidiu voltar. Dessa vez, porém, havia outro motivo para enfrentar novamente o desafio.

Um AVC mudou o motivo do sexto voo
Em agosto de 2025, Betty sofreu um AVC. O problema afetou sua mobilidade e também deixou dificuldades na fala.
Ela recebeu atendimento no Cheltenham General Hospital e, durante a recuperação, decidiu encontrar uma maneira pouco convencional de agradecer à equipe responsável pelo tratamento.
Foi assim que o sexto wing walk ganhou um significado diferente.
Além de tentar ampliar o recorde mundial conquistado quatro anos antes, Betty transformou o novo voo em uma campanha para arrecadar recursos destinados à unidade de AVC do hospital onde havia sido atendida.
Sua história, no entanto, mostra que aquele não foi o primeiro grande obstáculo físico que precisou superar. Quando estava na faixa dos 60 anos, Betty sofreu uma grave lesão na coluna, ficou paralisada durante aproximadamente três meses e precisou aprender a andar novamente.
Décadas depois, estava novamente preparada para enfrentar a asa de um avião.

A aventura começou aos 87 anos
A ideia de subir na asa de um avião surgiu de uma lembrança antiga.
Betty contou que havia visto, ainda em 1991, uma propaganda na televisão na qual uma mulher aparecia sobre um avião. A imagem permaneceu guardada na memória durante anos.
Depois da morte do marido Donald, em 2004, após 51 anos de casamento, Betty continuou vivendo na casa onde havia passado décadas. Com o tempo, entretanto, cuidar do imóvel ficou mais difícil e ela decidiu mudar para uma residência assistida. Foi nesse período, com mais tempo disponível, que resolveu experimentar novas atividades.
Em 2016, aos 87 anos, aquela antiga imagem do avião voltou à cabeça.
Betty decidiu experimentar.
Dez anos depois, continua voando.

O que é wing walking?
Apesar do nome, o wing walking moderno não significa necessariamente caminhar livremente sobre uma asa durante o voo.
Na modalidade praticada atualmente em experiências comerciais e demonstrações, o participante permanece do lado externo da aeronave, normalmente sobre a asa superior de um biplano, preso a uma estrutura e a sistemas de segurança.
No caso de Betty, ela precisou subir cerca de 15 pés — aproximadamente 4,5 metros — até alcançar sua posição na aeronave antes da decolagem.
Para validar a nova tentativa de recorde, ela precisava permanecer pelo menos cinco minutos no ar, considerando também as fases de decolagem e pouso.
E o voo não se resumiu a uma passagem tranquila sobre o aeródromo.
As imagens divulgadas após a aventura mostram a aeronave realizando inclusive uma manobra de loop, enquanto Betty permanece presa sobre a asa.
Depois de pousar, sua avaliação foi simples: o voo havia sido ótimo, embora um pouco turbulento.

Aos 97 anos, Betty ainda pensa na próxima aventura
Betty não é a única britânica de idade avançada a desafiar os limites do wing walking.
Em maio de 2026, Harry Heasman, veterano da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu o recorde masculino de pessoa mais velha a realizar um wing walk. Ele tinha 98 anos quando participou da experiência, também com objetivo beneficente.
No caso de Betty, porém, entrar novamente para o Guinness parece ser apenas parte da história.
A britânica prefere concentrar sua atenção no que ainda consegue fazer e resume essa filosofia de maneira simples: a expressão “não consigo” não faz parte de seu vocabulário.
E aparentemente ela ainda não terminou.
Questionada sobre o futuro depois do novo recorde, Betty deixou aberta a possibilidade de voltar a desafiar os próprios limites. Se estiver bem nos próximos anos, pretende encontrar uma nova aventura.
Afinal, seu 100º aniversário está cada vez mais próximo.







