Aeroporto Santos Dumont pode entrar na mira das concessões em 2027, mas projeto ainda nem começou

ANAC poderá fazer concessão para o Santos Dumont em 2027_Imagem ilustrativa
Jota A
19 de agosto de 2026

O Aeroporto Santos Dumont pode voltar ao centro do programa de concessões aeroportuárias do Governo Federal. Desta vez, porém, a discussão surge em um cenário diferente daquele observado nos últimos anos no Rio de Janeiro.

A possibilidade foi revelada pelo presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Tiago Faierstein, em entrevista ao NeoFeed. Segundo ele, existe uma perspectiva de que o aeroporto possa ser levado a leilão em 2027.

No entanto, ainda existe uma distância importante entre essa intenção e um leilão efetivamente marcado.

Segundo o próprio presidente da ANAC, não há processo iniciado para a concessão do Santos Dumont. Além disso, qualquer avanço depende de uma decisão do Governo Federal e do Ministério de Portos e Aeroportos.

Portanto, neste momento, 2027 deve ser entendido como uma perspectiva para o projeto, e não como uma data oficialmente definida para o leilão.

ANAC poderá fazer concessão para o Santos Dumont em 2027_Imagem ilustrativa 1
ANAC poderá fazer concessão para o Santos Dumont em 2027_Imagem ilustrativa 1

Atualmente, o Santos Dumont continua sob administração da Infraero. O aeroporto carioca acabou ficando fora das rodadas que transferiram grande parte dos principais aeroportos brasileiros para operadores privados.

Enquanto uma eventual concessão começa a ser discutida, o próprio Governo Federal mantém investimentos importantes no terminal.

Em setembro de 2024, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou um pacote de aproximadamente R$ 400 milhões em melhorias no Santos Dumont até 2027.

Entre as intervenções previstas estão adequações nas áreas de embarque e desembarque, melhorias nos sistemas de segurança e obras na infraestrutura aeroportuária.

Também está prevista a implantação de uma área de segurança de fim de pista, conhecida pela sigla EMAS. O sistema é projetado para ajudar a desacelerar uma aeronave em caso de excursão além dos limites da pista.

Assim, caso o projeto de concessão avance, uma das questões será entender como esses investimentos públicos estarão inseridos na futura modelagem econômica do aeroporto.

Isso não significa que as obras sejam perdidas em uma eventual concessão. Afinal, os investimentos realizados na infraestrutura permanecem incorporados ao aeroporto, independentemente de quem seja seu operador.

Uma eventual concessão também terá de considerar uma particularidade do mercado aeroportuário do Rio de Janeiro: a relação entre o Santos Dumont e o Aeroporto Internacional do Galeão.

Durante anos, a distribuição dos voos entre os dois aeroportos provocou discussões envolvendo companhias aéreas, operadores aeroportuários e o Governo Federal.

A concentração de operações no Santos Dumont chegou a ser apontada como um dos fatores que dificultavam a recuperação do Galeão.

Por isso, o Governo Federal adotou medidas para reorganizar a oferta de voos entre os dois aeroportos.

Esse movimento ajudou a recuperar passageiros no Galeão e passou a fazer parte da própria discussão econômica envolvendo a concessão do aeroporto internacional.

A relação entre os aeroportos ganhou ainda mais importância durante a repactuação da concessão do Galeão.

No acordo, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou uma trajetória específica para o movimento anual do Santos Dumont.

A previsão estabelece 8 milhões de passageiros em 2025, 9 milhões em 2026 e 10 milhões em 2027. A partir de 2028, a referência passa a considerar a capacidade operacional do aeroporto.

Esses números são relevantes porque coincidem justamente com o período em que o Governo Federal poderá começar a estruturar uma eventual concessão do Santos Dumont.

Além disso, qualquer mudança importante na capacidade ou no perfil de operação do aeroporto central do Rio pode produzir efeitos sobre o Galeão.

Por isso, uma futura modelagem dificilmente poderá considerar apenas quanto vale o Santos Dumont isoladamente.

ANAC poderá fazer concessão para o Santos Dumont em 2027_Imagem ilustrativa 2
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Em março de 2026, o Governo Federal realizou o leilão relacionado à nova fase da concessão do Galeão.

O processo movimentou R$ 2,9 bilhões e encerrou uma longa negociação envolvendo o Governo Federal e a concessionária responsável pelo aeroporto.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas adotadas para reorganizar o sistema aeroportuário do Rio também contribuíram para aumentar o movimento conjunto dos dois aeroportos.

Em 2023, Galeão e Santos Dumont movimentaram aproximadamente 18,9 milhões de passageiros. Em 2025, esse volume chegou a 23,5 milhões.

Portanto, uma eventual concessão do Santos Dumont surgiria justamente quando o mercado aeroportuário carioca passa por uma nova configuração.

Apesar da perspectiva mencionada pela ANAC, ainda existem várias etapas antes que o Santos Dumont possa efetivamente aparecer em um edital.

Primeiro, o Governo Federal precisa decidir formalmente pela concessão. Depois, será necessário desenvolver estudos técnicos, econômicos e regulatórios para definir a modelagem.

O Governo também precisará definir o prazo da concessão, os investimentos obrigatórios, a capacidade projetada, os critérios operacionais e o valor econômico do ativo.

Dependendo da estrutura escolhida, o processo ainda poderá passar por consulta pública, análise de órgãos de controle e publicação do edital.

Somente depois dessas etapas seria possível chegar ao leilão.

Por enquanto, portanto, não existe edital, preço mínimo ou cronograma oficial de concessão do Santos Dumont.

Neste momento, existe apenas uma sinalização importante do presidente da ANAC.

A Infraero continua administrando o Santos Dumont, enquanto outros grandes aeroportos brasileiros já passaram à iniciativa privada. Agora, o terminal carioca poderá voltar ao programa de concessões.

Ao mesmo tempo, o aeroporto atravessa um período de investimentos públicos e está diretamente ligado à estratégia adotada pelo Governo Federal para recuperar o Galeão.

Por isso, a discussão que começa agora vai além da simples troca de operador.

Se o projeto avançar, o Governo Federal terá de definir qual será o papel do Santos Dumont dentro do sistema aeroportuário do Rio de Janeiro e como essa nova concessão poderá coexistir com a operação do Galeão.

Até lá, 2027 permanece como uma perspectiva. O leilão, por enquanto, ainda está no campo do planejamento.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.