Em janeiro de 1976, a aviação comercial viveu uma ruptura tecnológica sem precedentes. O voo do Concorde Paris Rio completa 50 anos e relembra a mudança na forma de enxergar distâncias, tempo e prestígio nos céus. Por isso, poucos voos simbolizaram tanto essa virada quanto a ligação entre Paris e o Rio de Janeiro operada pelo Concorde.
Cinco décadas depois, essa operação segue como um capítulo emblemático da história. E não apenas pela velocidade do jato. Além disso, o Brasil teve um papel central naquele início de trajetória.

O dia em que o Concorde entrou oficialmente em serviço
O marco ocorreu em 21 de janeiro de 1976. Naquela data, a Air France iniciou a operação comercial regular do Concorde na rota Paris–Dakar–Rio de Janeiro. O voo inaugural, identificado como AF025, partiu do Aeroporto de Orly, em Paris. Em seguida, pousou no Aeroporto Internacional do Galeão após pouco mais de sete horas de viagem.
A escala em Dakar, no Senegal, fazia parte do planejamento do período. Além disso, ela refletia limites operacionais comuns na época. Ainda assim, o tempo total de voo já era bem menor do que o de jatos subsônicos.
No mesmo dia, a British Airways também iniciou sua operação comercial do Concorde, ligando Londres ao Bahrein. Assim, pela primeira vez, dois voos supersônicos de passageiros entraram em serviço simultaneamente. Com isso, o projeto franco-britânico ganhou status de realidade comercial.
Assim, o voo do Concorde Paris Rio completa 50 anos como um dos marcos mais simbólicos da entrada do supersônico em serviço comercial regular.
Por que o Rio de Janeiro entrou na rota inaugural
A escolha do Rio de Janeiro como destino inaugural não foi casual. Naquele período, o Galeão era um dos principais hubs internacionais da América do Sul. Além disso, o aeroporto ocupava posição estratégica na malha intercontinental da Air France.
Ao mesmo tempo, o Brasil vivia forte projeção internacional. Por isso, a rota Paris–Rio funcionava como vitrine tecnológica e comercial. Em outras palavras, receber o Concorde significava integrar um grupo seleto de destinos capazes de operar o jato supersônico.
Velocidade, altitude e uma experiência inédita
O Concorde operava a cerca de 60 mil pés de altitude. Ou seja, voava muito acima dos jatos comerciais convencionais. Além disso, ele atingia Mach 2,02, com capacidade aproximada para 100 passageiros.
Durante o cruzeiro, a curvatura da Terra se tornava visível. Assim, a viagem ganhava um caráter único para passageiros civis. No entanto, o impacto não ficou só nos números. O avião também redefiniu o transporte aéreo como experiência.
Além da redução de tempo, o serviço a bordo reforçava a exclusividade. Da mesma forma, a imagem da aeronave ajudou a construir um mito. Por isso, o Concorde ultrapassou o campo técnico e virou referência cultural.
Do encerramento ao legado preservado
Após 27 anos de operação, o programa Concorde chegou ao fim em 2003. Com o tempo, fatores econômicos e operacionais tornaram a continuidade inviável. Além disso, novas exigências regulatórias passaram a pesar no modelo de operação.
A aeronave associada ao voo inaugural da rota Paris–Rio, de matrícula F-BVFA, foi preservada. Atualmente, ela integra o acervo do Steven F. Udvar-Hazy Center, nos Estados Unidos. Assim, o jato permanece como parte visível da memória da aviação mundial.
Cinquenta anos depois, o voo Paris–Rio segue como símbolo de uma época rara. Afinal, a aviação civil ousou ir além do convencional. Por isso, o Concorde não representa apenas velocidade. Ele representa um momento em que tecnologia, ambição e prestígio se encontraram, com o Brasil no centro dessa história.
Cinquenta anos depois, o voo do Concorde Paris Rio completa 50 anos, é visto como símbolo de uma época rara, quando tecnologia e prestígio colocaram o Brasil no centro dessa história.






