Cias russas evacuam 4 mil turistas de Cuba e suspendem operações regulares
A crise de combustível em Cuba fez companhias aéreas russas organizarem voos especiais para retirar cerca de 4 mil turistas da ilha. A medida muda o planejamento de rotas e reforça um alerta: o problema não atinge apenas o aeroporto. Ele atinge também a vida prática de quem está no destino turístico neste início de ano
Enquanto o governo cubano enfrenta dificuldades logísticas no abastecimento de Jet A-1, empresas aéreas decidiram priorizar o retorno de passageiros antes de interromper temporariamente os voos comerciais.

Cuba sem combustível Jet A 1 e o que o NOTAM diz
As autoridades cubanas publicaram um NOTAM (Aviso aos Aeronavegantes) informando que o Jet A 1, querosene de aviação usado na maioria dos voos comerciais, não estará disponível para abastecimento no período indicado. O aviso cobre a janela de 10 de fevereiro a 11 de março de 2026, o que transforma a restrição em um fator de planejamento para a malha internacional.
Segundo a agência EFE, o texto indica impacto nos aeroportos internacionais de Cuba, ampliando o alcance do problema para além de um terminal específico. A mesma reportagem afirma que a mensagem aparece em base consultada via FAA e traz a expressão operacional “JET A1 FUEL NOT AVBL”, que sinaliza indisponibilidade do combustível dentro do intervalo publicado.
Apagões e racionamento ampliam o problema além do aeroporto
- Cuba enfrenta apagões recorrentes porque boa parte da geração é térmica e depende de combustível.
- Com racionamento, o impacto aparece na rua: carros, táxis, ônibus, caminhões e logística de abastecimento sofrem interrupções.
- Para o turista, isso vira efeito dominó: deslocamento difícil e pressão na operação de hotéis, inclusive em alimentação e serviços.
Nesse cenário, o risco deixa de ser apenas “como o avião abastece” e passa a incluir previsibilidade, custo e capacidade de manter o turista assistido dentro da ilha.
Operação especial liga Havana e Varadero a Moscou
A operação envolve principalmente a Rossiya Airlines e a Nordwind Airlines, que passaram a organizar voos dedicados ao retorno de turistas. Segundo informações divulgadas pelo órgão regulador russo Rosaviatsia, o objetivo é retirar rapidamente os passageiros antes da suspensão completa das rotas.
Os voos partem principalmente das cidades de Havana e Varadero, dois dos principais polos turísticos da ilha, com destino a Moscow. Após a conclusão dessa etapa de repatriação, as companhias devem interromper temporariamente suas operações regulares para Cuba.
Crise de combustível impacta turismo internacional
A decisão não está ligada a problemas técnicos específicos das aeronaves. Pelo contrário, o fator determinante é a escassez de querosene de aviação no país. A crise energética que atinge a ilha afeta diretamente o abastecimento aeroportuário, obrigando empresas a cancelar voos ou alterar rotas com escalas técnicas fora de Cuba.
Além disso, outros mercados também monitoram a situação. Alertas de viagem começaram a surgir em diferentes países, e companhias internacionais avaliam ajustes operacionais caso o fornecimento não seja normalizado nas próximas semanas.
Para a Rússia, a prioridade foi clara: garantir o retorno de aproximadamente 4 mil cidadãos antes que o cenário operacional se tornasse ainda mais instável.
O que acontece agora
A suspensão das rotas regulares entre Rússia e Cuba deve durar até que o abastecimento seja estabilizado. No entanto, ainda não há um cronograma oficial para normalização completa.
Para o passageiro comum, o impacto é direto. Cancelamentos, incerteza e mudanças de planos voltam ao centro das atenções, sobretudo em um período tradicionalmente forte para o turismo no Caribe.
O AeroJota segue acompanhando os desdobramentos sobre as companhias russas que evacuam 4 mil turistas de Cuba e atualizará esta matéria assim que novas informações oficiais forem divulgadas.






