Desativação do A 1 AMX na FAB avança, mas 2026 mostra por que o fim não é imediato

Jota

15 de fevereiro de 2026

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A desativação do A 1 AMX na FAB já virou um processo visível, mas ela não acontece em um “apagão”. Primeiro a frota encolhe, depois a operação se concentra e, por fim, a logística começa a fechar as últimas portas.

Em 9 de fevereiro de 2026, dois A 1 se envolveram em um incidente durante atividades de rotina na Base Aérea de Santa Maria (BASM). A FAB confirmou que não houve vítimas e que as aeronaves seguiram para manutenção. O episódio não muda o programa sozinho, porém ele escancara uma realidade: quando restam poucos aviões, qualquer evento ganha peso imediato.

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Com frota residual, cada aeronave vale mais. Ela pesa mais em prontidão, instrução e agenda de preparo. Por isso, um incidente “sem vítimas” ainda assim vira termômetro. Ele aponta como está a margem operacional de um vetor que já vive o fim do ciclo.

O AMX A 1M não saiu de cena em um passo. Ele foi “sumindo do mapa” por reorganização de unidades e concentração de operação.

Um marco dessa trajetória foi o Esquadrão Adelphi (1º/16º GAV), na Base Aérea de Santa Cruz (RJ), que deixou de operar o AMX quando a FAB passou a concentrar o modelo no Sul. A partir daí, Santa Maria ganhou protagonismo, e o AMX A 1 deixou de ser um vetor espalhado.

Depois, em Santa Maria, outro movimento consolidou o fim de ciclo: o Esquadrão Centauro (3º/10º GAV) encerrou a operação com o A 1 após quase 27 anos usando o modelo. Esse fechamento reforçou a percepção de “última fase”.

No cenário atual, o AMX aparece associado ao 1º/10º GAV, o Esquadrão Poker, na Base Aérea de Santa Maria. Quando a operação fica concentrada assim, o impacto de qualquer ocorrência cresce, porque o público entende que “sobrou pouco”.

Além disso, o Poker tem uma história anterior ao AMX. A unidade passou por outros vetores ao longo do tempo, como, por exemplo, o AT-26 Xavante, quando a unidade estava na Base Aérea de São Paulo BASP, e acabou assumindo o A 1M no momento que a Força Aérea Brasileira reorganizou a frota. Por isso, hoje o nome do esquadrão virou a principal referência do modelo nesta etapa final.

O melhor indicador de desativação raramente é uma cerimônia. Ele aparece no suporte. Lembrando que as primeiras aeronaves chegaram na FAB em 1989.

O A 1M depende de uma cadeia específica, e o motor Rolls Royce Spey MK 807 é parte central desse cenário. Em 2024, o apoio logístico do Spey tinha vigência citada publicamente até 10 de janeiro de 2025, após prorrogação. Depois, publicações setoriais trataram de arranjos para manter poucas aeronaves disponíveis até o fim de 2025, com contrato avançando para 2026. Outras fontes já citaram que um número menor ainda de aeronaves devem continuar voando até 2027.

Em outras palavras, a desativação do A 1 AMX na FAB termina quando peças, motores, revisão e disponibilidade deixam de sustentar a rotina, e não quando a intenção vira manchete.

Do meio para o fim, a pergunta vira calendário. O A 1 sai enquanto o F 39 Gripen chegar em escala. Só que expansão de frota, formação de pilotos, manutenção e distribuição para outras unidades não andam na mesma velocidade.

Por isso, a sensação de “atraso” aparece na ponta. Mesmo com avanços do programa do Gripen, o AMX não desaparece antes de a transição estar madura o suficiente para absorver a capacidade que ele ainda entrega. Ou se o Gripen atrasar mais ainda, o Esquadrão corre o risco de ser desativado por não ter mais AMX A1M em condições de voo e não poder realizar as missões de rotina.

Para entender se 2026 é só cauda do phase out ou se a operação residual vai durar mais, na prática, três sinais costumam dizer muito:

  1. retorno ou não das aeronaves após manutenção e ritmo de atividade em Santa Maria;
  2. novos extratos ou ajustes de suporte ligados a motor e logística do A 1;
  3. distribuição real da transição para absorver missão e treinamento, sem depender do AMX como “último pilar” em Santa Maria.