Dia da Aviação de Asas Rotativas da FAB marca 62 anos de história

Jota

3 de fevereiro de 2026

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Nesta terça-feira, 3 de fevereiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) celebra o Dia da Aviação de Asas Rotativas, marco que simboliza 62 anos de história, coragem e dedicação ao País.

Ao longo de seus 85 anos de atuação, a FAB construiu uma trajetória guiada pela busca contínua da inovação, pelo espírito de coragem e pelo compromisso com a sociedade brasileira. Nesse contexto, a Aviação de Asas Rotativas consolidou-se como um dos pilares mais versáteis e estratégicos do Poder Aeroespacial Brasileiro. Muitas vezes, esses helicópteros representam o primeiro elo entre a esperança e a vida em cenários extremos.


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Antes mesmo de a FAB completar mais de oito décadas de existência, os helicópteros já escreviam capítulos decisivos da história militar e humanitária do país. Um marco importante ocorreu em 3 de fevereiro de 1964, durante uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), na República do Congo.

Naquela ocasião, militares brasileiros realizaram um resgate heroico a bordo de um helicóptero H-19. A bravura dos Tenentes Aviadores Ércio Braga e Milton Naranjo, juntamente com os Sargentos João Martins Capela Junior e Wilibaldo Moreira Santos, salvou vidas e eternizou o espírito das Asas Rotativas. Desde então, a data tornou-se símbolo de uma aviação vocacionada à prontidão, à abnegação e ao serviço à sociedade.

Décadas depois, já em um cenário de maturidade institucional e tecnológica, a Aviação de Asas Rotativas da FAB segue evoluindo e ampliando suas capacidades operacionais. Nos primeiros anos do século XXI, a incorporação de aeronaves modernas, como o H-36 Caracal e o H-60 Black Hawk, ampliou significativamente a atuação da Força em todo o território nacional.

Além disso, tecnologias embarcadas, como o FLIR (sensor de visão frontal infravermelha) e os NVG (óculos de visão noturna), permitem missões complexas. Entre elas estão a Busca e Salvamento (SAR), Busca e Salvamento em Combate (CSAR), infiltração e exfiltração aérea, transporte logístico, transporte especial, evacuação aeromédica (EVAM) e ensaios em voo. Ainda assim, o fator humano permanece central, potencializando a atuação de tripulações altamente treinadas.

Ao longo de seus 62 anos, a Aviação de Asas Rotativas mantém presença em todo o território nacional, por meio de esquadrões que se tornaram referência operacional. Entre eles estão os Esquadrões Falcão, Poti, Puma, Pantera, Harpia, Pelicano e Gavião, distribuídos estrategicamente em diferentes Bases Aéreas do país.

Atualmente, a frota da FAB opera com helicópteros modernos, como o H-125 Esquilo, o H-60 Black Hawk e o H-36 Caracal, garantindo elevada prontidão e versatilidade operacional.

Entre as inúmeras missões cumpridas, a Busca e Salvamento destaca-se como uma das mais emblemáticas. Nessa atividade, a Aviação de Asas Rotativas revela seu lado mais humano, como ocorreu durante a Operação Taquari I e II, no final de 2023 e no primeiro semestre de 2024.

Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, helicópteros H-36 Caracal e H-60 Black Hawk realizaram centenas de missões. As ações incluíram evacuações aeromédicas, entrega de donativos a comunidades isoladas e transporte de equipamentos essenciais, como geradores e bombas de drenagem.

O então Comandante do Esquadrão Pantera, Tenente-Coronel Aviador Kleison Roni Reolon, relatou que os primeiros dias foram marcados por sobrevoos constantes. Segundo ele, esses voos permitiram o resgate de centenas de pessoas ilhadas, em casas e até em árvores.

Além disso, a Aviação de Asas Rotativas atua em resgates de vítimas de acidentes aeronáuticos e de embarcações à deriva. Por exemplo, o Esquadrão Falcão realizou o resgate de um tripulante grego em estado grave, no litoral de Pernambuco.

Ao mesmo tempo, essas operações demonstram o elevado nível de treinamento das tripulações, inclusive em infiltrações aéreas. Nesses casos, a descida por cordas ocorre por rapel ou pelo método fast rope. Muitas vezes, a execução conta com apoio de NVG, os óculos de visão noturna.

Na frente humanitária, o emprego de helicópteros da FAB tem sido fundamental no apoio à Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Nesse cenário, as aeronaves levam médicos, medicamentos, alimentos e esperança a aldeias inacessíveis por outros meios. Além disso, na Operação Catrimani II, a FAB emprega meios de asas rotativas de forma integrada, contra o garimpo ilegal, ilícitos transfronteiriços e crimes ambientais.

Ao longo da história da Aviação de Asas Rotativas, algumas aeronaves tornaram-se verdadeiros ícones. O H-1H Huey, conhecido como “Sapão” ou “Hzão”, marcou gerações de aviadores antes de sua aposentadoria, em 2018. Durante sua operação, cumpriu missões de busca e salvamento, apoio armado, vacinação na Amazônia, demarcação de fronteiras e ações cívico-sociais.

Outro helicóptero que consolidou legado na FAB foi o AH-2 Sabre (Mi-35M), empregado entre 2010 e 2022, contribuindo para o fortalecimento da doutrina de emprego da Aviação de Asas Rotativas.

Atualmente, a Aviação de Asas Rotativas vive um momento de elevada proficiência operacional. A doutrina é constantemente atualizada, enquanto o treinamento segue rigoroso e contínuo. Esse preparo garante segurança, eficiência e prontidão para missões de combate, logística, evacuação aeromédica e apoio humanitário.

Olhando para o futuro, a FAB conduz o Projeto TH-X, coordenado pela COPAC, com foco na modernização do treinamento inicial de pilotos de helicópteros. Nesse contexto, foram adquiridos 27 helicópteros H-125, sendo 12 destinados à FAB e 15 à Marinha do Brasil.

Segundo o Major Aviador Guilherme José Ramos de Sanctis, o objetivo do projeto é modernizar a frota, oferecendo aeronaves com melhor desempenho e capacidades ampliadas, mais adequadas às necessidades da Força.

Aos rotores, o Sabre.

Fonte: Tenente Myrea Calazans / Agência Força Aérea
Fotos: CECOMSAER