Dinamarca aposenta F 16 e encerra era de mais de quatro décadas na aviação de caça

Jota

29 de janeiro de 2026

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A Dinamarca aposenta F 16 após mais de quatro décadas de operação. Com isso, o país fecha um capítulo importante da sua defesa aérea. Ao mesmo tempo, a mudança consolida uma transição planejada há anos. Ela envolveu infraestrutura, treinamento e ajustes de doutrina.

Dessa forma, a despedida não é apenas simbólica. Ela encerra a fase de um caça que sustentou o alerta de defesa por décadas. Por isso, a cerimônia de 18 de janeiro de 2026 ganhou peso institucional. O evento ocorreu na base de Skrydstrup, principal casa do modelo no país.

Em seguida, a programação reuniu militares, autoridades e equipes de manutenção. Também destacou o papel do F 16 em exercícios e no policiamento aéreo. Além disso, lembrou o emprego da frota em operações fora do território nacional. Ainda assim, o encerramento não indica perda de capacidade. A Dinamarca conclui a transição para o F 35. Assim, a nova frota passa a concentrar missões de defesa aérea e ataque. Ao mesmo tempo, o país se alinha às exigências atuais de interoperabilidade na Europa.

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A despedida teve um momento preciso e carregado de simbolismo. Às 13h57, no horário local, o F 16AM E 008 realizou o último pouso oficial em serviço ativo, encerrando na prática a operação regular do modelo. Logo depois, a aeronave foi recebida no pátio, enquanto a programação do dia reforçava a passagem de bastão para a nova frota. Enquanto isso, a base também evidenciou o papel de Skrydstrup como centro operacional do caça ao longo de décadas.

Segundo relatos da imprensa especializada, participaram do voo de despedida os F 16AM E 018 e E 605, além do F 16BM ET 612. Na sequência, a formação realizou passagens com pós-combustão, o que deu ao encerramento um tom ainda mais cerimonial e visualmente marcante para quem acompanhava a cerimônia.

O F 16 entrou em serviço na Dinamarca no início da década de 1980 e passou a cumprir o núcleo das missões de alerta e policiamento aéreo. Além da relevância operacional, o programa integrou um esforço europeu que também envolveu Bélgica, Países Baixos e Noruega, com ganhos logísticos e interoperabilidade na OTAN.

Ao todo, o país recebeu 77 aeronaves nas versões F 16A e F 16B, depois atualizadas para o padrão F 16AM e F 16BM. A modernização de meia vida incorporou aviônicos digitais, novos sistemas e capacidade ampliada para armamentos guiados e missões mais complexas.

Com o passar dos anos, a frota participou de exercícios internacionais e também de operações reais fora do território nacional, em diferentes teatros. Entre os empregos citados por fontes do setor estão campanhas nos Bálcãs, Afeganistão e Oriente Médio, além da participação na operação da OTAN sobre a Líbia, em 2011.

Durante a cerimônia, o general Christian Hvidt, ex chefe de Defesa, relembrou a chegada do primeiro F 16 ao país, décadas atrás. Ele também destacou que a longevidade do modelo dependeu, sobretudo, do padrão técnico das equipes de manutenção e do nível de preparo dos pilotos.

Com a retirada definitiva, a Força Aérea Real da Dinamarca conclui a transição para uma frota baseada no F 35A, que passa a assumir as missões de defesa aérea e ataque. O plano original previa 27 aeronaves, dentro do acordo de 2016 que substituiu o F 16 como plataforma de combate.

Em 2025, o governo dinamarquês anunciou a intenção de adquirir 16 unidades adicionais, elevando o total planejado para 43 caças. A decisão foi comunicada pelo Ministério da Defesa, que citou aumento de capacidade, flexibilidade e contribuição do país para a OTAN, inclusive com foco no norte europeu.

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Document AP-7 ferry flight to Luke AFB

Skrydstrup permanece como um eixo da defesa aérea nacional e da integração com missões da OTAN, agora com a nova plataforma como foco exclusivo. Em comunicado oficial sobre o programa, o Ministério da Defesa registrou que os primeiros F 35 chegaram ao país em outubro de 2023, na própria ala de caça baseada em Skrydstrup.

Assim, a Dinamarca aposenta o caça F 16 sem reduzir o peso estratégico da unidade, mas reposiciona sua estrutura para o ciclo do caça de quinta geração. Ao mesmo tempo, o episódio se alinha ao movimento europeu de substituição de frotas de quarta geração por modelos mais modernos, em resposta ao cenário de segurança regional.