Um Drone agrícola que foi usado para transporte humano virou assunto após um vídeo gravado no interior do Pará. As imagens mostram um homem em pé sobre um drone de grande porte durante a decolagem. O registro viralizou e levantou críticas sobre segurança, responsabilidade e limites operacionais e vai além do agronegócio.
A repercussão também chegou a veículos do setor rural, que trataram o episódio como conduta de risco. Ainda assim, a gravação não esclarece todas as circunstâncias, como local exato e condições de operação. Por isso, o caso exige cuidado para não virar “normalização” de prática perigosa.

O que é o drone agrícola citado no vídeo
A publicação associa o episódio ao DJI Agras T100, um drone agrícola de grande porte para pulverização e aplicação de insumos. O projeto mira voo baixo, rotas programadas e repetição de missões no campo. Assim, o conjunto trabalha com peso conhecido, distribuição calculada e limites operacionais definidos.
O porte do equipamento chama atenção e pode passar a impressão de “aeronave capaz de levar gente”. No entanto, o fabricante desenha o sistema para carga agrícola, não para transporte humano. Logo, o operador deve tratar qualquer voo com pessoa a bordo como desvio grave de finalidade.
Por que um drone agrícola não deve transportar pessoas
Um drone agrícola não segue o mesmo padrão de redundância de uma aeronave tripulada.
Ele não entrega proteções projetadas para preservar vida a bordo em caso de falha.
Também não traz assento, contenção, evacuação ou estrutura de absorção de impacto.
Além disso, uma pessoa altera o centro de gravidade e afeta estabilidade e controle.
Ela também cria variação de carga, porque se movimenta e reage ao vento.
Com isso, a margem de segurança cai e o risco de queda aumenta.
Outro ponto pesa na análise: as hélices ficam expostas e operam com alta energia.
Qualquer desequilíbrio, perda de controle ou contato acidental pode causar lesões graves.
Por isso, o episódio acende um alerta que envolve o operador e também terceiros no solo.
O que dizem as regras no Brasil sobre esse tipo de operação
No Brasil, a operação de drones envolve mais de um pilar regulatório. A ANAC define requisitos e enquadramentos no RBAC-E 94, enquanto o DECEA regula o acesso ao espaço aéreo. Além disso, o SISANT – Sistema de Aeronaves Não Tripuladas -, concentra o registro e orientações de regularização.
Na prática, as regras exigem operação dentro do perfil previsto, com limites de peso, missão e risco.
Por isso, usar o drone para transportar pessoa foge do propósito e aumenta a exposição do operador. Essa conduta pode gerar sanções administrativas e ampliar a responsabilização em caso de acidente.
Um alerta para a aviação não tripulada
O caso reforça um ponto simples: tecnologia avançada exige disciplina operacional. Drones agrícolas operam em ambiente profissional, com treinamento, planejamento e cultura de segurança.
Quando alguém transforma a aeronave em “brincadeira”, ele coloca o mercado inteiro em risco.
Ao mesmo tempo, o debate pode ajudar o setor a reforçar limites e boas práticas. A aviação não tripulada cresce no Brasil, mas ela precisa de regras respeitadas no dia a dia. Esse cuidado protege o operador, protege o solo e protege a reputação do segmento.





