Drone impede decolagem de helicóptero em resgate de criança no Litoral do Paraná e operador acaba preso

Jota

17 de fevereiro de 2026

Drone impede decolagem de helicóptero em resgate de criança no Litoral do Paraná_Imagem PMPR Arcanjo 01

Drone impede decolagem de helicóptero e transforma um resgate que já era delicado em um cenário ainda mais tenso. No domingo, 15 de fevereiro 2026, equipes atuavam na praia do Balneário Coroados, em Guaratuba (PR), quando um equipamento remoto passou a voar perto demais do ponto de operação.

O helicóptero Arcanjo 01 havia sido acionado para o transporte aeromédico de uma criança vítima de afogamento. Como é padrão, os socorristas isolaram a área na faixa de areia para permitir o pouso e organizar o embarque com segurança.

 Drone impede decolagem de helicóptero em resgate de criança no Litoral do Paraná_Imagem PMPR Arcanjo 01
Drone impede decolagem de helicóptero em resgate de criança no Litoral do Paraná_Imagem PMPR Arcanjo 01

Segundo a Polícia Militar do Paraná, logo após o pouso, um drone começou a sobrevoar o local muito próximo da aeronave, mesmo com sinais e orientações para se afastar. A situação ficou mais crítica quando a equipe iniciou os procedimentos de saída.

Ainda de acordo com a corporação, no momento em que o helicóptero iniciou os procedimentos de decolagem, com o rotor em funcionamento, o drone voltou a invadir o espaço de operação. Com isso, ele impediu momentaneamente a decolagem, elevando o risco para a tripulação, equipes no solo e o atendimento.

Em uma operação aeromédica, o helicóptero opera com pouca margem para erro. Por isso, qualquer interferência externa pesa mais do que parece. Além disso, em ambiente de praia, o cenário já inclui vento, areia e circulação de pessoas, o que aumenta a necessidade de disciplina no perímetro.

Na prática, um drone pode provocar três problemas diretos. Primeiro, ele pode gerar risco físico por colisão. Depois, ele pode distrair a tripulação em fase crítica. Por fim, ele pode forçar a interrupção do procedimento e atrasar o transporte aeromédico, justamente quando minutos contam.

Após a interferência, equipes localizaram o operador e, segundo a PMPR, ele admitiu que não possuía autorização para o voo nem registro junto aos órgãos responsáveis. Em seguida, a polícia deteve o suspeito e apreendeu o drone, descrito como um equipamento da marca DJI.

A corporação informou que o homem foi detido por atentado contra a segurança do transporte aéreo. No Código Penal, o artigo 261 trata de expor aeronave a perigo ou praticar ato que impeça ou dificulte a navegação aérea, que é justamente o tipo de conduta citado em ocorrências de interferência em operações.

Drone impede decolagem de helicóptero e expõe um erro comum do público

Esse episódio ajuda a explicar um ponto que ainda confunde muita gente: filmar “de perto” não significa filmar “com segurança”. Mesmo quando o drone sobe por poucos minutos, ele pode cruzar uma área crítica sem que o operador perceba a distância real. Além disso, em operações com rotor girando, o risco cresce rápido.

Por isso, quando drone impede a decolagem de um helicóptero, a leitura operacional é simples: a prioridade vira segurança do voo e do resgate. Assim, a equipe precisa controlar o ambiente antes de prosseguir, porque qualquer tentativa de “forçar” a saída piora o cenário.

O básico das regras para drones no Brasil e o que vale em emergência

No Brasil, a operação regular de drones envolve camadas diferentes. O DECEA – Departamento de Controle do Espaço Aéreo – orienta o acesso ao espaço aéreo via SARPAS, plataforma que existe justamente para organizar e autorizar voos de RPAS (drones) em áreas e condições específicas.

Só que, em situação de emergência com helicóptero de resgate, a regra prática é ainda mais direta: não opere drone perto do atendimento. Além disso, siga as barreiras e orientações no local. Se alguém insistir, o caminho mais seguro é alertar a equipe de solo ou as forças de segurança presentes, porque o risco pode interromper o resgate.

A PMPR informou o encaminhamento do suspeito à delegacia para os procedimentos cabíveis. Se houver atualização da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros ou do sistema de Justiça sobre o caso, o AeroJota atualiza a matéria com informação confirmada.

Fonte: Polícia Militar do Paraná