Embarque biométrico deve mudar a forma de viajar de avião no Brasil; veja o que poderá mudar nos aeroportos

Jota

27 de junho de 2026

Passageiro usando embarque biométrico no Brasil em aeroporto com reconhecimento facial_Imagem ilustrativa

O embarque biométrico no Brasil pode mudar uma das partes mais repetitivas da viagem de avião. Em vez de apresentar documento várias vezes, o passageiro poderá usar o próprio rosto para confirmar a identidade em etapas do aeroporto.

A mudança ainda depende de novas regras. Mesmo assim, o governo federal já prepara uma política nacional para ampliar o reconhecimento facial em aeroportos, portos e terminais de passageiros. Portanto, o tema não trata apenas de tecnologia. Ele também envolve segurança, proteção de dados e a forma como o viajante vai circular pelos terminais.

Passageiro usando embarque biométrico no Brasil em aeroporto com reconhecimento facial_Imagem ilustrativa
Passageiro usando embarque biométrico no Brasil em aeroporto com reconhecimento facial_Imagem ilustrativa

Passageiro poderá usar o rosto em mais etapas da viagem

A proposta prevê o uso da biometria facial em momentos importantes do embarque. Primeiro, o sistema poderá identificar o passageiro no acesso à sala de embarque. Depois, a tecnologia também poderá entrar na conferência antes da entrada na aeronave.

Na prática, uma câmera faz a leitura do rosto do passageiro. Em seguida, o sistema compara essa imagem com informações de bases oficiais. Se a identidade for confirmada, o acesso pode ser liberado.

Com isso, o processo tende a ficar mais rápido. Além disso, o modelo pode reduzir filas em horários de maior movimento. Ainda assim, documentos físicos poderão continuar sendo solicitados quando houver necessidade.

Governo quer criar um padrão nacional

Hoje, alguns aeroportos já testam soluções de reconhecimento facial. Porém, cada operação pode seguir um modelo diferente. Por isso, o Ministério de Portos e Aeroportos trabalha para criar uma política nacional de identificação biométrica.

A ideia é estabelecer regras mais claras para aeroportos, companhias aéreas e órgãos públicos. Dessa forma, o passageiro poderá encontrar um padrão semelhante em diferentes terminais do país.

Além disso, o governo pretende ampliar o uso da tecnologia de forma gradual. A medida também deve alcançar portos de passageiros e instalações hidroviárias, não apenas aeroportos.

Serpro entrou na discussão sobre a infraestrutura

O Serpro também participa das discussões sobre o embarque biométrico. A estatal defende o uso de dados oficiais e de uma infraestrutura tecnológica soberana para validar a identidade dos passageiros.

Esse ponto é importante porque a biometria depende de informações sensíveis. Portanto, o sistema precisa combinar agilidade com proteção. Além disso, o governo busca uma solução alinhada a referências internacionais de segurança no transporte de passageiros.

Em maio, o Serpro também abriu um chamamento público para selecionar uma empresa parceira especializada em soluções de embarque biométrico. Esse movimento mostra que o projeto avançou além da fase inicial de debate.

Segurança e fraudes estão no centro da proposta

O governo afirma que a biometria pode reforçar o controle de acesso nos terminais. Afinal, o reconhecimento facial dificulta o uso indevido de documentos de terceiros.

Além disso, a tecnologia pode ajudar as autoridades a acompanhar melhor o fluxo de passageiros. Com isso, o embarque biométrico passa a ser tratado como uma ferramenta de segurança da aviação civil.

No entanto, a implantação precisa resolver uma questão central: como proteger os dados faciais dos passageiros. A Lei Geral de Proteção de Dados, conhecida como LGPD, deve orientar esse processo.

Consulta pública já abriu espaço para contribuições

A política nacional não surgiu de forma repentina. Em janeiro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos abriu consulta pública para receber contribuições sobre o sistema de identificação biométrica.

O objetivo foi ouvir sugestões da sociedade e aprimorar o modelo antes da implantação. Esse passo também ajuda a reduzir dúvidas sobre privacidade, segurança e responsabilidade no uso das informações.

Portanto, o novo embarque biométrico ainda precisa sair do papel com regras claras. Mesmo assim, o avanço mostra que o Brasil caminha para uma experiência de viagem cada vez mais digital.

Mudança pode transformar o caminho até o avião

Para quem viaja, a principal diferença estará no trajeto entre a entrada da área restrita e a porta da aeronave. O passageiro poderá passar por menos conferências manuais e depender mais da validação automática.

Essa mudança pode parecer simples. Porém, ela altera uma parte importante da rotina aeroportuária. Se funcionar bem, o embarque biométrico pode reduzir espera, aumentar a previsibilidade e tornar o fluxo mais organizado.

Agora, a expectativa fica sobre os próximos passos do governo, os aeroportos escolhidos para ampliar o sistema e as regras finais de proteção dos dados dos passageiros.