Mais uma empresa aérea de carga entra em turbulência no Brasil

Jota

11 de maio de 2025

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No competitivo mercado aéreo brasileiro, manter uma empresa de carga ativa se tornou uma tarefa cada vez mais desafiadora. Apesar de parcerias estratégicas, certificações recentes e uma aeronave moderna, mais uma companhia do setor enfrenta turbulências graves. Há cinco meses sem realizar voos, ela corre o risco de perder seu Certificado de Operador Aéreo (COA), enquanto tenta resolver problemas técnicos e garantir recursos para manter a operação.

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Apesar do otimismo inicial, a empresa aérea de carga precisou interromper suas atividades logo nos primeiros meses. Inicialmente, a estratégia previa voos frequentes saindo de regiões logísticas como Recife e Manaus. No entanto, uma falha técnica inesperada exigiu a paralisação imediata da aeronave, prejudicando o cronograma e a continuidade dos planos. Como consequência, surgiram dificuldades financeiras e atrasos em compromissos operacionais. Além disso, a ausência prolongada de voos aumenta o risco de sanções regulatórias.

A Levu Air Cargo, primeira operadora brasileira do Airbus A-321F cargueiro, iniciou suas operações em novembro de 2024 com grandes expectativas. A parceria entre empresários brasileiros, a gigante de logística DHL e a companhia aérea letã SmartLynx prometia revolucionar o transporte de cargas no país. No entanto, menos de um ano após sua estreia, a empresa enfrenta sérias dificuldades.

Desde 5 de dezembro de 2024, o único avião da Levu, registrado como PS-LVU, permanece estacionado no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus-AM. Fontes locais indicam que a aeronave sofreu uma pane, necessitando de reparos para manter sua aeronavegabilidade. A inatividade prolongada trouxe à tona problemas financeiros, incluindo atrasos no pagamento de salários, leasing da aeronave e dificuldades para abastecimento.

Em 10 de maio de 2025, após mais de cinco meses sem voar, o PS-LVU decolou de Manaus com destino a São José dos Campos, interior de São Paulo. A cidade abriga a DIGEX, empresa especializada em manutenção de aeronaves comerciais, onde o avião passará por reparos necessários.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) estabelece que, após três meses de inatividade, uma companhia aérea deve apresentar um plano de retomada das operações. Caso contrário, o Certificado de Operador Aéreo (COA) pode ser suspenso, comprometendo ainda mais a continuidade da empresa,

A situação da Levu se agrava com a decisão da SmartLynx de encerrar suas operações com aeronaves cargueiras A-321F, optando por focar em aviões de passageiros. Como o PS-LVU é arrendado da SmartLynx, há a possibilidade de a aeronave ser devolvida ao lessor (locador), deixando a Levu sem frota operacional.

Apesar do pioneirismo e das parcerias estratégicas, a Levu Air Cargo enfrenta um cenário desafiador. A combinação de problemas técnicos, dificuldades financeiras e mudanças nas parcerias coloca em risco a continuidade da empresa. O setor de aviação de carga no Brasil observa atentamente os próximos passos da Levu, torcendo por uma solução que permita a retomada de suas operações.

AeroJota