Aeroclubes, CIAC e regulação: entenda o debate em quatro pontos

Jota

16 de janeiro de 2026

Aeroclubes-CIAC-e-regulacao_Imagem-Ilustrativa

Nos últimos anos, o debate sobre Aeroclubes, CIAC e regulação da instrução aeronáutica ganhou espaço no setor aéreo brasileiro. Ao mesmo tempo, termos passaram a ser usados como se fossem equivalentes. Como resultado, conceitos foram misturados e interpretações equivocadas começaram a circular com frequência.

Aeroclubes-CIAC-e-regulacao_Imagem-Ilustrativa
Aeroclubes-CIAC-e-regulacao_Imagem-Ilustrativa

Diante desse cenário, o site AeroJota produziu uma série de quatro textos para esclarecer o tema de forma técnica e acessível. Além disso, o conteúdo se baseia em fundamentos jurídicos e históricos. Por isso, este artigo funciona como um guia rápido, reunindo os principais pontos da série e indicando onde aprofundar cada aspecto.

O primeiro ponto é conceitual e precisa ficar claro desde o início. Aeroclubes e CIAC não são a mesma coisa. Além disso, eles não possuem a mesma origem, nem a mesma finalidade, nem a mesma natureza jurídica.

Os Aeroclubes existem no Brasil desde a década de 1930. Ou seja, eles surgiram como entidades voltadas à formação aeronáutica, ao fomento da aviação civil e à prática esportiva. Além disso, sua atuação sempre ocorreu em colaboração com o poder público. Já o CIAC, por outro lado, é uma categoria criada por regulação administrativa para organizar a instrução aeronáutica exercida como atividade privada.

Portanto, confundir essas duas figuras é o ponto de partida de todo o problema.

👉 Leitura aprofundada:
Aeroclubes não são CIAC: o erro que se espalhou na aviação civil brasileira
https://aerojota.com.br/aeroclubes-nao-sao-ciac/

A ideia de que Aeroclubes teriam sido “transformados” em CIAC não nasceu de uma lei. Da mesma forma, ela não surgiu de uma decisão formal. Em vez disso, ela se formou por uma combinação entre padronização técnica, leitura equivocada de regulamentos e ausência de uma norma específica voltada aos Aeroclubes.

Ao regular com mais detalhe o modelo do CIAC, a autoridade reguladora deixou os Aeroclubes sem um marco próprio claro. Como consequência, muitos passaram a interpretar, de forma incorreta, que todos estariam submetidos ao mesmo regime jurídico.

Aqui o ponto central é simples. Regulamento técnico não muda a natureza jurídica de uma instituição criada por lei. Além disso, a falta de um regulamento específico costuma abrir espaço para analogias indevidas.

👉 Leitura aprofundada:
Como a confusão regulatória levou à interpretação errada sobre aeroclubes e CIAC
https://aerojota.com.br/confusao-regulatoria-entre-aeroclubes-e-ciac/

Depois da confusão conceitual, surgiu outro argumento recorrente. Segundo essa leitura, Aeroclubes estariam em “vantagem econômica” ou praticariam concorrência desleal em relação às escolas privadas de aviação.

No entanto, essa tese ignora um dado básico. Aeroclubes não operam com finalidade lucrativa. Além disso, eles não distribuem resultados e não expandem mercado por estratégia comercial. Em outras palavras, eles não atuam sob lógica empresarial típica.

Por isso, o que muitos chamam de “vantagem” é, na prática, efeito de políticas públicas de fomento a entidades do Terceiro Setor. Aliás, esse tipo de fomento é comum em diversas áreas. Portanto, ele não configura, por si só, distorção concorrencial.

👉 Leitura aprofundada:
Aeroclubes não concorrem com escolas de aviação e não possuem vantagem econômica
https://aerojota.com.br/aeroclubes-nao-concorrem-com-escolas-de-aviacao/

O fechamento do debate está na legislação. Em resumo, a natureza jurídica dos Aeroclubes está definida em leis, decretos e no próprio Código Brasileiro de Aeronáutica.

O Decreto-Lei nº 205/1967 reconhece os Aeroclubes como entidades de utilidade pública, sem fins lucrativos, voltadas ao ensino e à prática da aviação civil. Além disso, o Código Brasileiro de Aeronáutica reforça essa posição ao inseri-los no sistema de formação aeronáutica.

Assim, tratar aeroclubes como empresas privadas não é apenas um erro conceitual. Na prática, também não é só um debate econômico. Em vez disso, é uma leitura que entra em choque com a base legal que sustenta essas entidades. Portanto, ela ultrapassa os limites do que a regulação pode fazer.

👉 Leitura aprofundada:
A base legal dos aeroclubes no Brasil e os limites da regulação
https://aerojota.com.br/base-legal-dos-aeroclubes-no-brasil/

Esse debate não é teórico. Pelo contrário, ele impacta decisões administrativas, uso de áreas aeroportuárias e políticas públicas de formação de pilotos. Além disso, ele pode afetar a sobrevivência de instituições históricas da aviação brasileira.

Quando conceitos são confundidos, soluções equivocadas ganham força. Por isso, entender o papel de cada figura é essencial. Ou seja, Aeroclube, CIAC, escola privada e Estado precisam ser tratados de forma distinta, com clareza e responsabilidade.

Para facilitar ainda mais a compreensão do tema, o site AeroJota vai publicar um glossário explicativo. Nele, vamos reunir os principais termos usados ao longo da série. Entre eles, CIAC, aeroclube, Terceiro Setor, fomento público e regulação infralegal.

Assim, esse material vai servir como consulta rápida. Além disso, ele será complementar à leitura dos artigos e ajudará novos leitores a entrar no assunto com mais segurança.


📌 Observação editorial
Este texto foi pensado como porta de entrada da série. Se você chegou até aqui agora, vale a pena explorar os artigos indicados acima para entender cada ponto com mais profundidade.

Quer levar um pedaço da aviação para casa?
No AeroJota, os Classificados Aeronáuticos reúnem souvenirs, colecionáveis e itens decorativos para quem vive esse universo. Acesse o site e confira as novidades.