Quase todo brasileiro já viu, ou pelo menos ouviu falar, da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira. Ainda assim, muita gente fora do meio aeronáutico não percebe um detalhe importante: manter uma unidade dedicada a demonstrações aéreas não é exclusividade do Brasil. Pelo contrário, vários países sustentam um ou mais esquadrões militares acrobáticos, cada um com estilo próprio e uma identidade bem marcada.

Quando o show também vira representação institucional
Essas equipes não entregam apenas espetáculo, porque elas também projetam a imagem de suas forças e valorizam a cultura aeronáutica. Além disso, integrar um desses times costuma ser um objetivo de carreira, já que as vagas são limitadas e o padrão de exigência é alto. Por isso, as apresentações combinam precisão, disciplina e uma estética que impressiona até quem não vive a aviação no dia a dia.
Como surgiram os esquadrões dedicados a demonstrações
Embora a acrobacia seja quase tão antiga quanto a própria aviação militar, equipes dedicadas se consolidaram sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945. A partir dali, manobras ligadas ao treinamento e, em alguns casos, às experiências de combate ganharam sequência e ritmo de apresentação. Assim, voos em formatura, curvas de alta performance, cruzamentos e figuras acrobáticas passaram a compor rotinas treinadas de forma exaustiva, com foco em segurança e padronização.
Um guia para conhecer outras equipes pelo mundo
Além de entreter, muitos desses times também representam indústrias aeronáuticas nacionais, porque operam aeronaves fabricadas em seus próprios países. Ou seja, o show encanta, porém, também comunica doutrina, tradição e capacidade técnica. Para quem quiser conhecer outras equipes militares de demonstração aérea em atividade pelo mundo, a série do site Aviação em Floripa reúne 46 equipes e segue como um guia útil:
Patrulla Aspa no Rio puxa o tema para o presente
É justamente nesse contexto que a Patrulla Aspa chama atenção, porque ela atua com helicópteros e entrega uma apresentação mais próxima do público. Além disso, esta será a primeira vez que a equipe se apresenta no Brasil, com uma demonstração prevista no Rio de Janeiro, na Praia de Ipanema, em 28 de janeiro de 2026, às 10h15. A exibição faz parte da agenda internacional do grupo e reforça a proposta de aproximação com o público. Por isso, o tema deixa de ser apenas “história” e vira programação para quem acompanha demonstrações aéreas. Para entender o contexto da visita e ver o roteiro completo, vale acessar a nossa matéria Patrulla Aspa no Brasil Ipanema
A Patrulla Aspa e a ligação com a Ala 78
Na Espanha, a Patrulla Aspa pertence à Ala 78 da Força Aérea Espanhola e opera a partir da Base Aérea de Armilla, em Granada. A iniciativa começou entre pilotos instrutores da própria unidade, ainda na época em que o Hughes 300 servia como helicóptero de treinamento básico. Com o tempo, formações com três, quatro e até cinco aeronaves amadureceram a ideia de criar a primeira patrulha acrobática de helicópteros da Espanha.
O EC 120 Colibri mudou o patamar da rotina acrobática
A entrada em serviço do Eurocopter EC 120 Colibri, em 2000, impulsionou o projeto e permitiu estabelecer uma rotina de manobras mais consistente. Por isso, o grupo foi oficialmente criado em 23 de setembro de 2003. Já a primeira demonstração pública ocorreu em 16 de maio de 2004, na cidade de Sevilha.
Cinco helicópteros, missão clara e foco no público
Atualmente, o time utiliza cinco helicópteros EC 120B e mantém objetivos diretos. Primeiro, busca promover cultura aeronáutica entre civis. Além disso, procura incentivar o espírito aeronáutico entre os mais jovens. Por fim, representa a Força Aérea Espanhola e a Espanha em eventos dentro e fora do país, reforçando presença institucional em ambientes abertos ao público.
Quem integra o time e como funciona a seleção
A equipe reúne 13 pilotos militares, todos da Ala 78, que também atuam como instrutores nos esquadrões 781 e 782, que é a missão principal da unidade. Como os integrantes são voluntários, há requisitos mínimos de horas de voo, somando experiência em unidades operacionais e também no EC 120. Depois disso, o candidato cumpre um plano de formação específico e depende da aprovação do Chefe da Patrulha, entrando primeiro como reserva e, posteriormente, como piloto regular.
Dois pilotos por aeronave e uma equipe de apoio dedicada
Nas exibições, cada helicóptero voa com dois pilotos, o que reforça coordenação e segurança em manobras próximas. Além disso, o time viaja com uma equipe de apoio composta por 14 pessoas, incluindo dez técnicos de manutenção, dois especialistas em vídeo e fotografia e dois profissionais de relações públicas, que também podem atuar como comentaristas.
Três formatos de exibição e cerca de 20 minutos de show
Dependendo do local e das condições meteorológicas, existem três tipos de apresentação: padrão, sobre a água e mau tempo. Embora não tenha o mesmo impacto sonoro de caças supersônicos, a demonstração com helicópteros compensa com acrobacias pouco comuns e grande proximidade com o público. Ao longo dos anos, a Patrulla Aspa aprimorou suas manobras para manter uma exibição contínua, com duração aproximada de 17 a 20 minutos.
Pintura padrão e fumaça no exaustor fecham a assinatura visual
Por fim, os helicópteros não usam uma pintura exclusiva, porque seguem o esquema padrão adotado pela Força Aérea Espanhola. Ainda assim, as apresentações contam com sistema de geração de fumaça junto ao exaustor do motor, o que ajuda o público a acompanhar passagens e cruzamentos em manobras rápidas.
Fonte: AVIAÇÃO EM FLORIPA









