F-14 Tomcat dos EUA foram triturados e criaram uma das decisões mais incomuns da história da aviação militar
EUA trituraram seus próprios F-14 Tomcat para impedir que o Irã mantivesse os caças voando por mais tempo. A decisão veio após a aposentadoria do modelo pela Marinha dos Estados Unidos em 2006 e combinou bloqueio de peças, revisão de estoques e destruição física de aeronaves armazenadas. Assim, Washington tentou cortar qualquer chance de reaproveitamento logístico pela força aérea iraniana. O objetivo era direto: impedir que componentes úteis chegassem ao Irã, único país que continuou operando o modelo após a retirada americana.

Essa decisão não surgiu por acaso. Na época, investigações revelaram falhas no sistema de venda de excedentes militares dos EUA. Por causa dessas brechas, compradores ligados a países sob embargo conseguiram acesso a itens sensíveis, inclusive componentes associados ao F-14 Tomcat. Assim, o Pentágono interrompeu as vendas e passou a rever todo o estoque relacionado ao Tomcat.
O Irã virou o último operador do F-14 Tomcat no planeta
O Irã comprou seus F-14 ainda nos anos 1970, quando mantinha aliança com Washington. Depois da Revolução Islâmica de 1979, porém, os EUA romperam relações com Teerã e encerraram o suporte técnico, o fornecimento de peças e a assistência logística para a frota. Mesmo assim, os iranianos conseguiram manter parte desses caças em serviço por décadas.
Desde então, o F-14 ganhou um valor duplo dentro da força aérea iraniana. Por um lado, o caça seguiu relevante como plataforma de defesa aérea de longo alcance. Por outro, o modelo virou símbolo de resistência técnica e política. Além disso, análises especializadas indicam que o Irã promoveu modernizações locais em parte da frota, muitas vezes associadas ao padrão informalmente chamado de F-14AM.

Contrabando de peças levou Washington a endurecer a resposta
No início dos anos 2000, autoridades americanas descobriram que peças militares sensíveis estavam sendo desviadas por meio de vendas de sucata e excedentes. Entre os itens citados nas apurações, havia componentes de F-14. O caso gerou forte reação política em Washington, porque o Irã ainda buscava manter seus Tomcat voando e precisava justamente desse tipo de material.
Em 2007, a própria Reuters informou que o Pentágono ampliou a suspensão e passou a bloquear a venda de todas as peças do F-14 enquanto fazia uma revisão completa do destino desse material. Segundo a agência, o governo também planejava destruir milhares de componentes exclusivos do modelo. Portanto, a mudança não ficou restrita a itens mais sensíveis. Ela atingiu praticamente todo o universo logístico do Tomcat.
A solução escolhida foi cortar os F-14 em pedaços
Depois da suspensão das vendas, o governo americano adotou a medida que mais chamou atenção. Em vez de apenas guardar os jatos no deserto, o Departamento de Defesa contratou a destruição física de parte dos aviões armazenados em Davis-Monthan, no Arizona. Reportagem da Associated Press, republicada pela CBS, descreveu o processo de trituração e explicou que a meta era eliminar qualquer possibilidade de reaproveitamento útil pelo mercado paralelo.
A mesma reportagem informou que o Pentágono pagava para desmontar e triturar os Tomcat porque o risco estratégico superava o valor de revenda. Além disso, o processo incluía a checagem do material destruído para garantir que nada relevante restasse aproveitável. Em outras palavras, Washington não quis apenas aposentar o F-14. Washington quis impedir que ele continuasse servindo indiretamente ao Irã.

Mesmo pressionado, o Irã manteve parte da frota em operação
Apesar desse bloqueio, o Irã não abandonou o F-14. Ao longo dos anos, o país recorreu à canibalização de células, à fabricação local de itens e a programas próprios de atualização. Por isso, o caça continuou aparecendo em exercícios, desfiles e missões de defesa aérea. Ainda assim, analistas internacionais apontam baixa disponibilidade e dificuldade crescente para sustentar a frota em nível elevado de prontidão.
Quanto aos números, o cenário segue impreciso. Algumas análises falam em poucas dezenas de células remanescentes, de 24 a 40, das 79 aeronaves compradas dos EUA, mas nem todas estariam realmente aptas para combate. Por isso, o mais consistente hoje é afirmar que o Irã preservou uma frota pequena, envelhecida e de disponibilidade limitada, embora ainda relevante simbolicamente e útil em certas missões defensivas.
Ataques em Isfahan recolocaram os F-14 iranianos no centro da guerra
O tema voltou ao noticiário internacional após os ataques de março de 2026. Em 8 de março, Israel afirmou ter atingido F-14 Tomcat iranianos no aeroporto de Isfahan durante uma nova onda de bombardeios. Dias depois, análises com imagens de satélite publicadas pela imprensa internacional passaram a mostrar ao menos alguns Tomcat destruídos no solo na 8ª Base Aérea Tática.
Essas imagens não permitem afirmar com segurança que toda a frota iraniana foi eliminada. No entanto, elas reforçam que o núcleo remanescente do Tomcat sofreu danos relevantes em meio à campanha aérea atual. Assim, a guerra pode acelerar o fim operacional dos últimos F-14 Tomcat ainda usado por um país no mundo.
O F-14 Tomcat saiu da Guerra Fria e virou peça de uma disputa histórica
O caso chama atenção porque envolve um caça lendário, famoso tanto pela Guerra Fria quanto pela cultura pop, mas também por sua longa sobrevida no Irã. Primeiro, os EUA aposentaram o modelo. Depois, bloquearam peças. Em seguida, trituraram aviões inteiros para cortar o fluxo de componentes. Agora, quase vinte anos depois dessa decisão, os ataques em Isfahan colocam em dúvida a sobrevivência dos últimos exemplares iranianos.







