FAB perde 21 pilotos no trimestre e evasão de pilotos da FAB 2026 já aponta novo recorde

Jota

31 de março de 2026

FAB perde 21 pilotos no trimestre e evasão de pilotos da FAB 2026 já aponta novo recorde_Imagem Ilustrativa1

A evasão de pilotos da FAB voltou ao centro do debate no fim de março. A Revista Sociedade Militar publicou que a Força Aérea Brasileira registrou 21 pedidos de baixa de oficiais aviadores entre janeiro e março de 2026. O levantamento se baseia em portarias e registros publicados no período. Além disso, o material indica saídas em diferentes postos e unidades, incluindo tenentes, capitães e majores.

O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas também pelo ritmo. Quando se observa um trimestre completo, a conta fica simples. Vinte e uma baixas em três meses projetam 84 em doze meses, caso a tendência siga até dezembro. Portanto, a discussão não é se o número preocupa. A questão é saber se 2026 caminha para terminar acima de 2025. Pelo ritmo atual, a resposta parece ser positiva.

FAB perde 21 pilotos no trimestre e evasão de pilotos da FAB 2026 já aponta novo recorde_Imagem Ilustrativa
FAB perde 21 pilotos no trimestre e evasão de pilotos da FAB 2026 já aponta novo recorde_Imagem Ilustrativa

A própria matéria da Revista Sociedade Militar adota um tom de alerta ao falar em “quase 100” saídas no ano. No entanto, a projeção linear mais conservadora aponta para 84 baixas, mas pode ao decorrer do ano caminhar para cem. Ainda assim, esse total seria muito elevado para uma força que depende de formação longa, especialização progressiva e experiência operacional acumulada.

Esse recorte ajuda a entender por que o dado merece atenção. Em vez de depender apenas de uma projeção mais chamativa, os números do primeiro trimestre já mostram que 2026 pode entrar para a série histórica como um dos anos mais pesados para a evasão de pilotos na FAB. Ou seja, mesmo em uma leitura mais conservadora, o cenário já é suficiente para acender o alerta.

No histórico recente, o problema já vinha se agravando. Em julho de 2025, a imprensa já repercutia que a FAB havia perdido quase 50 pilotos só no primeiro semestre. Pouco tempo depois, levantamento publicado pelo próprio AeroJota registrava 59 baixas até setembro de 2025. Assim, a curva de aceleração já aparecia com clareza.

Por isso, se o fechamento de 2025 ficou mesmo na faixa de 72 ou 74 pedidos de baixa, como vem circulando no debate sobre o tema, a projeção de 84 em 2026 já colocaria o ano atual acima desse patamar. Em outras palavras, ainda estamos no fim de março e o número já aponta para possível superação do recorde recente. A projeção, claro, não é garantia. Mesmo assim, ela já serve como sinal concreto de alerta.

Outro ponto relevante do levantamento está no perfil dos desligamentos nesse primeiro trimestre. Segundo a Revista Sociedade Militar, os capitães respondem pela maior parte das saídas registradas até agora em 2026. Isso tem peso especial porque esse é justamente o posto em que muitos aviadores já acumulam experiência suficiente para despertar interesse do mercado civil, inclusive de companhias aéreas.

A consequência prática vai além da estatística. Quando um aviador experiente pede baixa, a FAB não perde apenas um nome em planilha. Ela perde horas de voo acumuladas, capacidade de instrução, maturidade operacional e disponibilidade de tripulação. Além disso, a reposição não ocorre no curto prazo. Formar um oficial aviador exige anos, investimento público elevado e continuidade orçamentária.

Em 2025, outra frente do debate ajudou a explicar a saída de pilotos: a redução das horas voadas. O site AeroJota publicou que o total de horas de voo da FAB caiu de cerca de 155 mil em 2014 para 80 mil em 2025. Trata-se de uma retração próxima de 50% em uma década. Para uma carreira cuja essência é voar, esse tipo de dado pesa na motivação, na manutenção da proficiência e na percepção de futuro dentro da Força.

Nesse contexto, a nova reportagem da Revista Sociedade Militar não surge isolada. Pelo contrário, ela se encaixa em uma sequência de sinais já conhecidos. Há menos horas de voo, orçamento apertado e saída de oficiais experientes. Além disso, cresce a dificuldade de retenção justamente em uma fase em que o militar ainda tem muito a entregar operacionalmente.