F-5 da FAB em Guarulhos: por que um caça pousa entre os aviões comerciais?

F-5-da-FAB-em-Guarulhos-apos-pouso-no-Aeroporto-Internacional-de-Sao-Paulo_Imagem-Golf-Oscar-Romeo-1-1
Jota A
15 de agosto de 2026

Uma cena pouco comum apareceu entre os pousos dos grandes aviões comerciais no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

As câmeras do Canal Golf Oscar Romeo Aviação registraram a chegada de um caça F-5 da Força Aérea Brasileira pela pista 10R. Logo após tocar o solo, o piloto abriu o paraquedas de frenagem na traseira da aeronave.

Pouco depois, uma viatura entrou na área da pista e seguiu até o ponto onde o caça havia deixado o paraquedas.

Para quem estava no terminal ou dentro de um avião comercial, a cena poderia gerar uma pergunta:

o que um caça F-5EM da FAB estava fazendo em Guarulhos?

A resposta está do outro lado das pistas.

F-5-no-Aeroporto-de-Guarulhos_Imagem-Golf-Oscar-Romeo.
F-5-no-Aeroporto-de-Guarulhos_Imagem-Golf-Oscar-Romeo.

Além dos terminais de passageiros, Guarulhos abriga a Base Aérea de São Paulo (BASP).

Ela compartilha a infraestrutura de pistas com o aeroporto e também participa da logística dos F-5 que seguem para manutenção pesada no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo, o PAMA-SP.

O Parque fica no Aeroporto Campo de Marte.

Por isso, alguns F-5 chegam voando a Guarulhos antes de seguir por terra para manutenção.

O que acontece quando chega a manutenção de 1.200 horas

Segundo a FAB, os F-5 passam por uma Inspeção de Nível Parque Programada (INPP), de 1.200 horas de voo.

Nesse trabalho, o PAMA-SP desmonta partes da aeronave, inspeciona estrutura e sistemas, faz reparos e depois inicia a remontagem.

Além disso, a equipe realiza testes operacionais, giro dos motores e serviços de acabamento e pintura.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, o Parque concluiu esse processo no F-5EM FAB 4827, depois entregue novamente ao Esquadrão Jambock.

Já as inspeções rotineiras, pré e pós-voo, ficam normalmente com as equipes especializadas dos próprios esquadrões.

A manutenção de Nível Parque, porém, exige o deslocamento da aeronave para São Paulo.

O caça chega voando à Base Aérea de São Paulo.

Depois, a equipe prepara a aeronave para o transporte terrestre. Dependendo da configuração necessária, remove componentes para permitir o traslado com segurança.

As asas são retiradas, e o F-5 segue em carreta até o PAMA-SP.

Após a manutenção, ocorre o caminho inverso.

A aeronave retorna por terra à Base Aérea de São Paulo, passa por verificações, recebe combustível e volta a voar em teste antes de seguir para sua unidade operacional.

O sistema visto nas imagens é conhecido como drag chute, ou paraquedas de frenagem.

Depois do toque na pista, o paraquedas aumenta a resistência aerodinâmica e ajuda o caça a perder velocidade.

Assim, os freios das rodas precisam absorver menos energia durante a desaceleração.

Isso também ajuda a reduzir aquecimento e desgaste dos freios.

Portanto, o paraquedas não indica uma emergência.

Depois de cumprir sua função, o piloto pode desacoplá-lo. Em seguida, a equipe de solo entra na pista para recolher o equipamento.

Foi exatamente essa sequência que as câmeras registraram em Guarulhos.

O caça aparece nas imagens com um tanque externo central instalado sob a fuselagem.

Esse tanque aumenta a quantidade de combustível disponível e amplia a autonomia da aeronave.

O detalhe combina com uma aeronave em deslocamento, embora o vídeo sozinho não revele de onde o F-5 havia partido.

Na fonia, outro detalhe ajuda a acompanhar a operação. A Torre se comunica com o F-5 pelo indicativo “Pampa 480”, o que indica ser um caça do 1o/14oGAv (Esquadrão Pampa), sediado na Base Aérea de Canoas – RS.

F-5 da FAB em Guarulhos após pouso no Aeroporto Internacional de São Paulo_Imagem Golf Oscar Romeo 1
F-5 da FAB em Guarulhos após pouso no Aeroporto Internacional de São Paulo_Imagem Golf Oscar Romeo 1

A presença de um F-5 em Guarulhos está ligada justamente a essa logística entre a Base Aérea de São Paulo e o PAMA-SP.

O caça pode estar chegando para seguir ao Parque ou voltando às etapas de teste depois da manutenção.

Para quem passa pelos terminais de GRU, fica uma curiosidade pouco conhecida: alguns dos F-5 da FAB começam ou encerram em Guarulhos uma etapa importante de sua manutenção antes de voltar aos esquadrões.

Toda essa movimentação só ganhou repercussão porque as câmeras do canal Golf Oscar Romeo acompanham, em tempo real, a operação do Aeroporto Internacional de Guarulhos. O trabalho realizado pelo Eduardo Gório se tornou referência entre spotters e apaixonados por aviação.

Manter câmeras, áudio, internet e operação contínua possui custo elevado. Mesmo assim, muitas imagens acabam sendo utilizadas por terceiros sem qualquer apoio financeiro ao projeto original.

Quem quiser colaborar pode contribuir pela chave PIX: pix@golfoscarromeo.com.br

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.