FAB leiloa restos de aeronave C 105 Amazonas em um leilão público de bens inservíveis, com lote classificado como sucata aeronáutica. O tema voltou ao noticiário após a divulgação do edital, que envolve uma aeronave acidentada em 2016 durante operação na Amazônia. Além disso, o caso ganhou novo contexto por envolver uma longa operação logística para remoção e destinação do material.

O acidente em Surucucu e os danos registrados
O acidente ocorreu em 27 de fevereiro de 2016, durante procedimento de pouso no aeródromo de Surucucu, na terra indígena Yanomami, em Alto Alegre, Roraima. Naquele momento, o C 105 Amazonas apresentava colapso do trem de pouso durante a aterrissagem. Com isso, a aeronave saiu da pista e sofreu danos estruturais relevantes.
Ainda assim, nenhum dos sete ocupantes ficou ferido, conforme informações divulgadas na cobertura do caso. No entanto, a localização remota do aeródromo dificultou o suporte técnico e logístico. Por esse motivo, o cenário reduziu opções de recuperação no próprio local.
O C 105 Amazonas na frota da FAB
Os C 105 Amazonas, versão militar do Airbus C295, integra a frota de transporte da Força Aérea Brasileira desde a década de 2000. O Brasil adquiriu 12 unidades, com entregas concentradas entre 2006 e 2008. Assim, a FAB passou a empregar o modelo em missões logísticas, apoio humanitário e integração de áreas de difícil acesso, com destaque para a Amazônia Legal.
A aeronave acidentada, identificada como FAB 2808, fazia parte desse lote e operava em missões regulares até o acidente. Portanto, o episódio impactou um ativo que já cumpria papel relevante na logística aérea em regiões isoladas.
Retirada de componentes e reaproveitamento técnico
Após o acidente, a FAB realizou uma etapa de aproveitamento técnico e retirou itens considerados recuperáveis. Entre eles, entraram motores, hélices, assentos e sistemas aviônicos, segundo informações divulgadas sobre o caso. Desse modo, a Força Aérea direcionou componentes para uso em outras aeronaves da frota.
Enquanto isso, a fuselagem principal permaneceu em Surucucu por anos, devido às limitações de acesso e transporte. Ainda assim, o cenário não permaneceu indefinido, porque a FAB planejou uma etapa de remoção posterior. Por isso, o caso seguiu em tramitação logística e administrativa.

Desmontagem em 2024 e transporte para Boa Vista
Em 2024, a Força Aérea iniciou a desmontagem dos restos estruturais e organizou o transporte do material para a Base Aérea de Boa Vista. Para essa operação, a FAB utilizou helicópteros Black Hawk, conforme descrito na divulgação do processo. Assim, a instituição levou o que restava da fuselagem para um local com infraestrutura adequada para destinação.
Com a remoção, a FAB também encerrou a permanência dos restos em uma área sensível e de difícil acesso. Além disso, a medida permitiu avançar com a etapa final de descarte e alienação. Portanto, o procedimento abriu caminho para o leilão público.
Leilão da sucata e valor inicial do lote
Depois da remoção para Boa Vista, a FAB incluiu o lote em um leilão de bens inservíveis e classificou os restos como sucata aeronáutica. O edital indicou lance inicial de R$ 8.240 para o lote ligado ao C 105 FAB 2808. Além disso, o documento restringiu a participação a pessoas jurídicas, com exigência de declaração de destinação final.
Até a divulgação mais recente ligada ao leilão, não havia registro de propostas para o lote do C 105, segundo a cobertura do tema. Ainda assim, a ausência de lances não impede o andamento do procedimento. Por isso, a FAB mantém o processo dentro do rito previsto para alienação.
Outros itens aeronáuticos incluídos no mesmo leilão
O mesmo leilão também incluiu outros itens aeronáuticos classificados como sucata. Entre eles, apareceu um C 95 Bandeirante, com lance inicial semelhante ao do C 105. Assim, o edital reuniu diferentes ativos considerados irrecuperáveis ou economicamente inviáveis.
Esse tipo de leilão não é incomum, porque a FAB realiza periodicamente alienações de aeronaves e partes desativadas. Além disso, esses processos seguem regras internas e normas federais aplicáveis à gestão de patrimônio público. Portanto, o caso se encaixa em um fluxo já utilizado pela instituição.
Gestão de ativos e destinação final do material
O caso do C 105 Amazonas mostra uma sequência típica na administração de frota: primeiro, a FAB reaproveita componentes úteis e, depois, remove o que restou para destinação adequada. Em seguida, o órgão realiza a alienação pública do material remanescente, com regras de participação e rastreio de destinação. Assim, o procedimento combina reaproveitamento, remoção logística e transparência patrimonial.
Embora o acidente tenha ocorrido em 2016, o leilão conclui uma etapa final do ciclo administrativo associado ao FAB 2808. Além disso, o episódio evidencia os desafios de operar e recuperar aeronaves em regiões remotas. Por fim, o caso reforça como a logística na Amazônia influencia prazos e decisões de manutenção.





