FIDAE 2026 pode quebrar tradição histórica sem a Esquadrilha da Fumaça no Chile

Jota

9 de março de 2026

Esquadrilha da Fumaça na FIDAE 2024

A FIDAE 2026 começou a levantar uma dúvida relevante no meio aeronáutico sul-americano. Até o presente momento, a programação pública do evento não inclui a Esquadrilha da Fumaça na grade de demonstrações aéreas. A feira será realizada entre os dias 7 e 12 de abril de 2026, em Santiago do Chile, na Base Aérea Pudahuel. Além disso, a mostra aérea aberta ao público está marcada para 11 e 12 de abril.

Esquadrilha da Fumaça na FIDAE 2024
Esquadrilha da Fumaça na FIDAE 2024

O primeiro veículo a divulgar essa ausência foi o portal AeroIn, que publicou a informação em 4 de março de 2026. Desde então, o tema passou a ganhar força entre observadores da aviação militar. Agora, esse cenário encontra confirmação parcial, ao menos no campo público, porque a grade divulgada até o momento pela organização da FIDAE segue sem o nome do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA).

A FIDAE, sigla para Feria Internacional del Aire y del Espacio, é a principal feira aeroespacial, de defesa e de segurança da América Latina. O evento ocorre no Chile e chega em 2026 à sua 24ª edição. Além disso, a própria organização destaca seus 46 anos de trajetória no setor.

Realizada a cada dois anos, a feira reúne fabricantes, delegações oficiais, empresas de defesa, operadores civis e militares e equipes de demonstração aérea. Por isso, a FIDAE funciona ao mesmo tempo como vitrine comercial, espaço institucional e grande atração para o público geral. Em 2026, a área comercial ocorre de 7 a 10 de abril, enquanto a exibição aérea aberta ao público fica concentrada em 11 e 12 de abril.

A Esquadrilha da Fumaça se tornou, ao longo dos anos, uma das atrações internacionais mais associadas à FIDAE. Em 2024, por exemplo, a própria organização da feira destacou oficialmente que a equipe brasileira voltaria a encantar o público com suas acrobacias. Isso ajuda a mostrar o peso histórico da participação do Brasil no evento chileno.

Essa presença não tem apenas valor simbólico. Ela também projeta a imagem da Força Aérea Brasileira, fortalece o intercâmbio com outras forças aéreas e amplia a exposição internacional do A-29 Super Tucano, aeronave usada pelo EDA nas apresentações. Portanto, quando o nome da equipe brasileira não aparece na programação pública, a ausência naturalmente chama atenção. Essa leitura, porém, ainda precisa ser tratada com cautela, porque a organização pode atualizar a agenda mais adiante.

Até o momento, nem o Ministério da Defesa, nem o Comando da Aeronáutica, nem o próprio Esquadrão de Demonstração Aérea confirmaram oficialmente a participação brasileira na FIDAE 2026. Ao mesmo tempo, a programação pública disponível no site da feira segue sem mencionar a Esquadrilha da Fumaça entre as atrações já divulgadas.

Logística da missão ajuda a explicar por que uma eventual ausência teria peso

Uma participação internacional da Esquadrilha da Fumaça não depende apenas da vontade de comparecer. Pelo contrário, esse tipo de missão exige planejamento detalhado, recursos e apoio logístico relevante. O deslocamento envolve as aeronaves de demonstração, a equipe de pilotos, mecânicos, especialistas e uma estrutura técnica capaz de sustentar a operação fora do Brasil.

Além disso, uma missão desse porte costuma demandar o transporte de ferramentas, peças, equipamentos de apoio em solo e material operacional. Em cenários assim, o apoio de um cargueiro da FAB, como o KC-390 Millennium, torna-se um componente natural da operação. Ou seja, não se trata apenas de levar aviões ao Chile. Trata-se de mobilizar uma estrutura completa para garantir segurança, manutenção e continuidade das apresentações.

Caso a ausência da Esquadrilha da Fumaça seja confirmada nas próximas semanas, uma explicação plausível passa pela restrição orçamentária enfrentada pela FAB desde o ano passado e ainda sentida neste ano. Essa hipótese faz sentido justamente pelo tamanho da operação necessária para levar o EDA à FIDAE. No entanto, ela ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades brasileiras.

Por isso, o tratamento jornalístico mais correto, neste momento, é separar fato de interpretação. O fato é que a grade pública da FIDAE não traz o EDA até agora. A interpretação plausível é que o custo da missão pode ter pesado no planejamento. Ainda assim, essa ligação depende de confirmação oficial para deixar o campo da hipótese.

Quando participa de eventos internacionais, a Esquadrilha da Fumaça costuma transformar o deslocamento em algo maior do que uma simples travessia. Em várias ocasiões, a equipe aproveita a rota para realizar demonstrações em cidades brasileiras, sobretudo no Sul do país, antes da travessia da Cordilheira dos Andes rumo ao Chile.

Esse formato amplia o alcance institucional da missão. Além disso, aproxima o público da FAB, reforça a imagem do esquadrão e valoriza ainda mais a presença brasileira no exterior. Por isso, uma eventual ausência na FIDAE não significaria apenas sair de uma feira importante. Também representaria abrir mão de uma vitrine regional e de todo o impacto público criado ao redor desse deslocamento.

Se esse quadro permanecer, a edição de 2026 poderá marcar uma quebra de tradição importante para a presença brasileira na feira chilena. Por enquanto, porém, o tema ainda deve ser tratado como ausência não confirmada oficialmente, mas já sustentada pela grade pública divulgada até agora.