Fraude em inspeções da Voepass gera denúncia de negligência em acidente com ATR

Jota

7 de agosto de 2025

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A fraude em inspeções da Voepass se tornou alvo de denúncia formal após a queda de um ATR 72-500 em agosto de 2024. Um relatório da Comissão Externa da Câmara dos Deputados acusa a empresa de trocar peças entre aeronaves momentos antes das fiscalizações da Agência Nacional de Aviação Civil ANAC, prática conhecida como “canibalização”. A manobra visava aparentar conformidade técnica, embora colocasse a segurança operacional em risco. Segundo o deputado Nelsinho Padovani (União–PR), a conduta contribuiu para a sequência de falhas que resultaram no acidente.

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O relatório indicou que o ATR 72-500 da Voepass, envolvido no acidente de 9 de agosto de 2024, operava com o sistema de degelo comprometido. Embora um comandante tenha identificado o defeito horas antes do voo, ele não registrou a ocorrência de forma oficial. Por isso, a tripulação recebeu autorização para decolar, mesmo com a falha ainda presente. Durante o trajeto, os pilotos executaram uma curva de 27 graus com gelo acumulado nas asas. No entanto, o manual técnico da aeronave estabelece um limite de 15 graus nessas condições. Como consequência, a manobra causou perda de sustentação e contribuiu diretamente para o acidente.

O relatório propôs alterações nas regras de fiscalização para evitar novas ocorrências semelhantes. Entre as medidas sugeridas, estão o rastreamento obrigatório de cada peça por número de série e a redução dos prazos de inspeção técnica. Além disso, a comissão defende a proibição de que empresas em recuperação judicial criem novas companhias com a mesma estrutura operacional. Segundo Padovani, a Voepass manteve os mesmos problemas da antiga Passaredo, apesar de adotar um novo CNPJ.

Embora o documento da Câmara não substitua a investigação técnica do CENIPA, ele aumenta a pressão por respostas imediatas. A Anac, a Força Aérea e as operadoras regionais passaram a ser cobradas por mudanças efetivas. A expectativa é que o episódio motive uma revisão completa nas práticas de manutenção e no controle sobre empresas com histórico financeiro delicado. O caso reacendeu o debate sobre os limites entre economia operacional e segurança na aviação regional brasileira.

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