Primeira vez que a GOL realiza voo com brasileiros deportados dos EUA
Operação inédita da GOL transporta brasileiros deportados dos EUA
A GOL Linhas Aéreas entrou para a história em 27 de agosto de 2025 ao realizar, pela primeira vez, um voo que transportou brasileiros deportados dos EUA. A companhia utilizou um Boeing 737 MAX-8 fretado, que decolou de Alexandria, na Louisiana-EUA, fez escala em Punta Cana, na República Dominicana, e pousou no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte–MG.
Esse fato se tornou histórico porque, até então, voos de deportação de brasileiros aconteciam apenas em aeronaves fretadas diretamente pelos Estados Unidos ou, em situações excepcionais, em aviões da própria Força Aérea Brasileira. Ao assumir essa missão, a GOL inaugurou um novo capítulo para a aviação comercial nacional
Contexto da operação e rota definida pela GOL
De acordo com informações oficiais, a GOL transportou brasileiros que aceitaram voluntariamente o programa de repatriação do U.S. Customs and Border Protection (CBP). Nesse programa, os passageiros recebem US$ 1.000 para retornar ao Brasil de forma regularizada.
A escolha de Alexandria ocorreu porque a cidade abriga um dos principais centros de deportação dos EUA. Nesse contexto, o Boeing 737 MAX-8 seguiu para Punta Cana, onde reabasteceu, e depois prosseguiu viagem para o Aeroporto de Confins–MG. A operação aconteceu como qualquer outro fretamento comercial, mantendo protocolos de segurança e garantindo condições adequadas aos passageiros.
Polêmica em torno das deportações anteriores
O voo da GOL ocorreu meses após um episódio polêmico que envolveu 88 brasileiros deportados em janeiro de 2025. Naquele caso, uma aeronave contratada pelos Estados Unidos trouxe os passageiros, muitos deles algemados, o que provocou críticas severas no Brasil.
O governo brasileiro reagiu imediatamente, divulgou notas oficiais e exigiu explicações. Além disso, condenou o uso de algemas e o tratamento considerado degradante. Como resposta prática, organizou uma estrutura especial para acolher os deportados em Confins, oferecendo água, alimentação e apoio humanitário.
Acordos entre Brasil e EUA após as críticas
Após o episódio, Brasil e Estados Unidos criaram um grupo de trabalho conjunto para monitorar voos de deportação em tempo real. O objetivo desse acordo é garantir que os passageiros recebam tratamento digno e que se cumpram padrões internacionais de direitos humanos.
Além disso, o governo brasileiro instalou em Confins um centro de recepção humanitária permanente. Dessa forma, os brasileiros deportados passaram a contar com suporte imediato ao desembarcar, o que reduz os impactos emocionais e sociais do processo de retorno.
Panorama dos voos desde janeiro de 2025: números e rotas
Entre fevereiro e julho de 2025, a Polícia Federal contabilizou 1.129 brasileiros deportados chegando em 12 voos que desembarcaram em Fortaleza–CE, com acolhimento coordenado por órgãos federais e parceiros humanitários.
Além disso, o governo federal reportou mais de 1,2 mil repatriados desde fevereiro, com média de dois voos por mês e recepção estruturada também em Confins–MG.
No início do ano, houve chegadas com desvio para Manaus e pousos subsequentes em Fortaleza e Confins; os casos de jan/25 (88 pessoas), fev/25 (94) e mar/25 (104) ilustram essa dinâmica.
O ritmo aumentou: em 13 de agosto, a imprensa especializada registrou o 16º voo do ano chegando a Confins; e em 27 de agosto, dois aviões partiram dos EUA no mesmo dia, algo que não ocorria desde 2022.
Quem tem operado esses voos (e como a rota evoluiu)
As operações de deportação envolveram principalmente companhias norte-americanas de fretamento, como a Omni Air International (Boeing 767), com chegadas recorrentes a Fortaleza e Confins. Além disso, a USAF utilizou cargueiros C-17 Globemaster III em pelo menos duas ocasiões para trazer brasileiros deportados diretamente a Confins, nos dias 2 de julho e 7 de agosto.
Antes do voo inédito da GOL (27 de agosto), a logística combinava charters civis dos EUA e, eventualmente, apoio interno da FAB após a chegada, enquanto o governo estruturava acolhimento humanitário e negociava padrões de dignidade com Washington.
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