Gripen FAB 4109 coloca o Brasil em um novo patamar na aviação de caça
O avião Gripen FAB 4109 primeiro caça fabricado no Brasil deve marcar nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, um dos capítulos mais simbólicos da aviação militar brasileira. A aeronave será apresentada em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, como o primeiro F-39E montado no Brasil. Até a publicação deste texto, os canais oficiais consultados informavam a agenda presencial e o credenciamento de imprensa. No entanto, não havia anúncio público de transmissão ao vivo para o público.
Mais do que uma cerimônia, o FAB 4109 simboliza a entrada do programa Gripen em uma fase industrial mais madura no país. Desde o anúncio da entrega, a FAB trata esse momento como histórico. Além disso, o Planalto classificou a ocasião como a apresentação da primeira aeronave supersônica produzida no Brasil. Por isso, o evento ganha peso muito maior do que a simples incorporação de mais um vetor à frota.

Gripen FAB 4109 chega em meio a um programa de 36 caças para a FAB
O contrato brasileiro com a Saab prevê 36 aeronaves Gripen para a Força Aérea Brasileira. Desse total, 28 serão caças F-39E monoposto e 8 serão F-39F biposto. Dentro desse pacote, ao menos 15 aeronaves devem sair da unidade da Embraer em Gavião Peixoto. Esse processo integra o programa de transferência de tecnologia firmado com o Brasil.
Até novembro de 2025, a Saab informou oficialmente que o F-39E de matrícula FAB 4111 havia se tornado a 10ª aeronave Gripen em solo brasileiro. Assim, a chegada do FAB 4109, como primeiro exemplar montado no país, amplia a frota. Ao mesmo tempo, esse marco mostra com mais clareza o conteúdo industrial nacional incorporado ao programa.
Esse ponto tem relevância especial. A linha de Gavião Peixoto não surgiu apenas para cumprir parte do contrato atual. A própria Saab afirma que ali serão produzidos 15 dos 36 aviões contratados. Além disso, a empresa diz que a estrutura brasileira também foi pensada para futuras encomendas do Brasil e de outros países. Em outras palavras, a fabricante enxerga o país como uma base potencial de exportação do Gripen.
Embraer ganha protagonismo industrial e tecnológico com o Gripen no Brasil
Para a Embraer, o programa Gripen vai muito além da montagem final de aeronaves. Materiais institucionais da Saab apontam a empresa brasileira como uma das protagonistas do projeto. Ela atua em transferência de tecnologia, desenvolvimento, produção, ensaios em voo e suporte logístico. Em Gavião Peixoto, a Embraer concentra estruturas decisivas. Entre elas estão o GDDN Gripen Design and Development Network (em português: Rede de Projeto e Desenvolvimento do Gripen), o centro de ensaios em voo e a linha de montagem final do caça.
Esse arranjo ajuda a explicar por que o Gripen é tratado como um programa de soberania industrial, e não apenas como compra de defesa. O GDDN, instalado na planta da Embraer, trabalha em integração de sistemas, projeto de aeroestruturas, desenvolvimento de software e suporte ao longo do ciclo de vida da aeronave. Além disso, o centro de ensaios em voo sediado no Brasil participa da campanha de testes. Esses trabalhos atendem tanto aos aviões brasileiros quanto a requisitos específicos da FAB.
No campo dos empregos, os materiais públicos mais recentes da Saab não trazem um número fechado atualizado para 2026. Ainda assim, a empresa afirma que o programa já gerou milhares de empregos diretos e indiretos de mão de obra qualificada. Os mesmos materiais também destacam a capacitação de centenas de técnicos e engenheiros brasileiros. Além disso, mais de 350 profissionais receberam treinamento na Suécia dentro do pacote de transferência de tecnologia.
O que o Gripen oferece em tamanho, desempenho e armamento
Na versão E, recebida pela FAB, o Gripen tem 15,2 metros de comprimento e 8,6 metros de envergadura. O peso máximo de decolagem chega a 16.500 quilos. O modelo usa o motor GE F414G e alcança Mach 2. Além disso, conta com 10 pontos externos para armamentos e pods. Também possui capacidade de reabastecimento em voo e leva o canhão Mauser BK27 de 27 mm.
Além das dimensões e do desempenho, o caça foi projetado para missões ar-ar, ar-superfície e reconhecimento. A Saab informa que o Gripen E pode empregar até sete mísseis Meteor de longo alcance e dois IRIS-T de curto alcance. Além disso, reúne radar AESA, sensor IRST, sistemas avançados de guerra eletrônica e arquitetura pensada para operação em rede. Por isso, o modelo é tratado como o principal salto de capacidade da aviação de caça da FAB em décadas.
Na prática, a aeronave já começou a transformar esse pacote técnico em capacidade operacional no Brasil. Em 2025, a FAB realizou o primeiro lançamento do míssil Meteor com o F-39E Gripen. Já em 2026, o caça entrou pela primeira vez em Alerta de Defesa Aérea. Além disso, Saab, Embraer e FAB concluíram a campanha de certificação de reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium.
Atrasos, orçamento apertado e desafios para concluir o programa
Apesar do avanço industrial, o programa Gripen ainda enfrenta dificuldades orçamentárias. Em novembro de 2024, a CNN informou que a FAB confirmou a renegociação do cronograma por falta de recursos. Com isso, a última das 36 aeronaves deixou de ter previsão para 2027 e passou para o início da próxima década. Posteriormente, reportagens de 2025 repercutidas no setor passaram a apontar 2032 como horizonte para a conclusão das entregas.
Esse cenário ajuda a entender por que a entrega do FAB 4109 carrega peso duplo. De um lado, ela confirma que o programa continua vivo e gera resultado concreto. De outro, expõe que a consolidação total da frota ainda depende de previsibilidade financeira, continuidade política e capacidade de manter o ritmo industrial. Portanto, o Gripen deixou de ser apenas uma promessa tecnológica. Agora, ele também funciona como termômetro da prioridade dada pelo Estado brasileiro à sua aviação de combate.






