Guerra com o Irã pressiona passagens aéreas e muda o cenário da aviação
A guerra com o Irã pressiona passagens aéreas em vários mercados e já não pode mais ser tratada como um efeito localizado. Nos últimos dias, a escalada da crise no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, encareceu o querosene de aviação e levou companhias de diferentes regiões a rever tarifas, sobretaxas e malhas. Assim, o impacto deixou de ser apenas geopolítico e passou a atingir diretamente o bolso de quem voa.

Alta das tarifas não aparece só no Brasil
No exterior, os sinais são claros. A Reuters informou que companhias da Ásia e da Europa já começaram a reajustar preços ou aplicar aumentos temporários diante da disparada do jet fuel. Além disso, a IATA apontou que o conflito, intensificado em 28 de fevereiro, expôs fragilidades importantes na cadeia global de abastecimento do combustível de aviação. Portanto, o que se vê agora é uma reação mundial do setor, e não apenas uma pressão mais forte no mercado brasileiro.
Estados Unidos também sentem a pressão do combustível
Nos Estados Unidos, a conta também cresceu rapidamente. O Financial Times relatou que a disparada do combustível pode adicionar US$ 11,6 bilhões em custos às quatro maiores companhias aéreas americanas em 2026. Ao mesmo tempo, a Reuters destacou que a alta do barril acima de US$ 100 derrubou ações do setor e reforçou a percepção de que as tarifas devem continuar sob pressão enquanto persistirem os riscos no Oriente Médio.
No Brasil, o alerta passa pelo QAV Querosene de Aviação
No mercado brasileiro, a preocupação cresce porque o querosene de aviação segue como um dos itens mais pesados da estrutura de custos das empresas aéreas. Além disso, em 27 de fevereiro, a Petrobras anunciou aumento médio de 9,4% no preço de venda dos docombustíveis de aviação para distribuidoras, válido desde 1º de março. Embora esse reajuste faça parte da sistemática mensal da companhia, ele chega justamente num momento de forte tensão internacional e amplia o risco de repasse ao passageiro.
Houve reajuste federal específico no combustível da aviação?
Até 11 de março de 2026, não aparece nas fontes consultadas um anúncio de reajuste federal extraordinário do combustível de aviação diretamente vinculado à guerra. O que se encontra com clareza é o aumento mensal promovido pela Petrobras e a atualização do PMPF publicada no Ato COTEPE/PMPF nº 6/2026, com efeitos a partir de 16 de março para os estados e o Distrito Federal. Ou seja, o movimento identificado até aqui é mais de preço praticado pela estatal e base tributária estadual do que de uma nova medida federal específica para a alta do querosene de aviação, da gasolina de aviação e de outros combustíveis usados no setor
Passagens mais caras voltam ao radar do setor
Esse cenário chama atenção porque o governo vinha destacando uma trajetória anterior de passagens mais baixas no mercado doméstico. Em janeiro, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o preço médio das tarifas nacionais havia caído em 2025 e citou o custo da alta do querosene de aviação, da gasolina de aviação e de outros combustíveis usados no setorcomo um fator relevante nessa equação. Agora, porém, o choque internacional no petróleo pode inverter parte desse alívio e recolocar as passagens mais caras no centro do debate.
O que esse movimento indica daqui para frente
Ainda é cedo para medir o tamanho exato do repasse ao consumidor brasileiro. Mesmo assim, o quadro internacional sugere que a pressão não deve ficar restrita a uma ou outra empresa. Se o barril seguir em alta, o jet fuel continuar caro e o conflito mantiver efeitos sobre rotas e abastecimento, o mercado deve sustentar tarifas mais sensíveis. Isso vale para vários países, inclusive o Brasil.





