KC 390 danificado em Ushuaia pode custar até 10 milhões de dólares e seguir meses parado

Jota

4 de fevereiro de 2026

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KC 390 danificado em Ushuaia segue fora de operação após um pouso duro na Argentina, ocorrido em setembro de 2025, durante missão ligada ao apoio logístico na Antártica. Desde então, a aeronave permanece parada enquanto análises técnicas avançam e o custo do reparo segue em debate.

Ainda que o voo de retorno ao Brasil tenha ocorrido sem intercorrências, inspeções posteriores identificaram danos internos. Por isso, o jato não voltou à linha de voo.

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Relatos técnicos apontam que o pouso aconteceu em um cenário de vento instável e forte na região. Ushuaia, aliás, é conhecida por mudanças rápidas de direção do vento. Nesse contexto, a tripulação teria enfrentado uma aproximação mais crítica do que o planejado.

A FAB não detalhou publicamente o nível do dano. No entanto, fontes da cobertura especializada afirmam que o impacto foi relevante. Assim, a aeronave precisaria de reparo estrutural antes de voltar ao serviço.

Uma apuração atribuída a imprensa especializada e replicada por outros órgãos, descreve um possível encadeamento técnico. Segundo esse relato, o KC 390 teria “quicado” no primeiro toque. Em seguida, os spoilers teriam acionado como ocorre em pousos normais.

O ponto central é o que teria vindo depois. Ainda conforme a mesma apuração, a aeronave voltou momentaneamente ao ar. Como resultado, o avião teria perdido sustentação com mais rapidez. Então, o segundo toque teria ocorrido com mais força.

Esse tipo de situação é incomum, porém não é inédita na aviação. Ainda assim, a hipótese depende do que a investigação técnica consolidar.

As informações publicadas por sites especializados indicam dano em área interna próxima à junção da fuselagem. O trecho citado fica perto do compartimento do trem de pouso. Como esse ponto é estrutural, o reparo tende a ser complexo.

Além disso, a inspeção detalhada teria ocorrido já no Brasil. Por isso, o avião teria voado de Ushuaia até o Galeão antes da identificação do problema. Fontes do setor afirmam que o trajeto de volta teria sido realizado em perfil de baixa altitude, prática adotada quando há suspeita de impacto estrutural relevante, até que inspeções completas confirmem a integridade da aeronave. Depois desse diagnóstico, a aeronave deixou de operar.

Segundo o texto que circula na imprensa especializada, uma análise da Embraer estimou custo entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões. Na prática, isso representa dezenas de milhões de reais. Ainda assim, esse valor não foi divulgado como número oficial pela FAB.

O impasse, portanto, virou financeiro. Sem dotação clara, o reparo pode demorar. Consequentemente, o KC 390 permanece indisponível por meses.

Além desse KC 390 inoperante, há relatos de duas aeronaves em manutenção pesada. Também há menção a outro KC 390 danificado por granizo em 2021. Com isso, fontes e levantamentos citados no setor apontam que apenas quatro aeronaves estariam operacionais hoje. Por falta de orçamento, as manutenções não seguem em ritmo normal para devolver as aeronaves para os Esquadrões.

A FAB, por sua vez, não publica um boletim contínuo de disponibilidade da frota. Ainda assim, o cenário descrito ajuda a dimensionar o impacto. Afinal, o KC 390 é o principal vetor de transporte estratégico da Força Aérea.

O KC 390 sustenta missões logísticas, transporte de tropas e apoio humanitário. Ele também reforça a presença brasileira em operações internacionais. Por isso, qualquer redução de disponibilidade pesa no planejamento.

Ao mesmo tempo, um reparo estrutural caro exige previsibilidade orçamentária. Sem essa base, o avião pode ficar parado por mais tempo. E, nesse caso, a frota sente o efeito. Os que sobram, acabam voando pelos que estão inoperantes, trazendo maior desgaste e maior numero de horas voadas, por unidade restante.

Vídeo usado como fonte primária

A apuração que circula nas redes, incluindo o vídeo publicado no YouTube, reúne esses relatos e estimativas. Por isso, o material ajuda a entender o debate. Ainda assim, o leitor deve separar o que é confirmado do que é relato de fontes.

No fim, a discussão é objetiva. O KC 390 danificado em Ushuaia pode custar até 10 milhões de dólares. E, enquanto isso não se resolve, a FAB perde disponibilidade de um ativo estratégico.