Cargueiro da FAB estava pronto para incorporação, mas apareceu em Confins com as identificações militares cobertas e matrícula civil
Um KC-390 já pintado nas cores da Força Aérea Brasileira e preparado para entrar no serviço ativo da FAB acabou seguindo por outro caminho.
A aeronave, que receberia a matrícula militar FAB 2861, apareceu no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, com suas identificações brasileiras cobertas e utilizando a matrícula civil PT-CYQ.
O registro fotográfico foi feito pelo spotter Alisson Vilela, do perfil @alisson.aviation, após o pouso da aeronave em Confins.
As imagens chamam atenção porque mostram um avião que estava em estágio avançado para incorporação à FAB, mas que não seguirá, pelo menos neste momento, para o serviço ativo da Força.
A movimentação acontece justamente quando a Aeronáutica enfrenta fortes restrições orçamentárias, inclusive no programa KC-390.

Para onde pode ir o antigo FAB 2861?
A mudança de identificação levantou uma pergunta inevitável: qual será agora o destino dessa aeronave?
Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada, o KC-390 MSN 39000019 poderá seguir para a Força Aérea do Uzbequistão. Até o momento, porém, Embraer e FAB não confirmaram oficialmente esse destino.
O Uzbequistão já integra a lista de clientes do C-390 Millennium e será o primeiro operador do modelo na Ásia Central. Enquanto isso, a FAB enfrenta dificuldades para manter o ritmo das próprias aquisições.
Nesse cenário, o caso do possível FAB 2861 ganha outro significado. Mais do que uma mudança na programação de entregas, ele ajuda a tornar visível uma dificuldade que aparece nos números do orçamento da Força Aérea.
O orçamento começa a explicar o cenário
Em 2026, um bloqueio de aproximadamente R$ 1,45 bilhão atingiu a FAB e alcançou combustível de aviação, manutenção, suprimento aeronáutico e programas estratégicos.
Entre os projetos afetados está justamente o KC-390, que perdeu cerca de R$ 215,8 milhões dos recursos previstos.
Além disso, a própria Aeronáutica alertou que a falta de recursos poderia comprometer suas atividades até o final do ano. Portanto, o problema vai além da compra de novas aeronaves e também atinge manutenção, treinamento e capacidade operacional.

O contrato já foi reduzido antes
O contrato original do KC-390 previa 28 aeronaves para a Força Aérea Brasileira. Em 2021, porém, a própria FAB reconheceu que aquela quantidade já não cabia em sua realidade orçamentária, considerando aquisição e suporte logístico.
Depois de negociações com a Embraer, o programa passou por ajustes até chegar às atuais 19 aeronaves previstas, quantidade que continua oficialmente registrada pela Força.
Por isso, não há até o momento indicação de uma nova redução das 19 aeronaves contratadas pelo Brasil. O episódio aponta, porém, para mais um impacto sobre o ritmo das entregas.
Em junho de 2026, Embraer e FAB também assinaram um contrato de longo prazo para suporte dos KC-390 já em operação e das aeronaves que serão incorporadas futuramente.
Oito aeronaves em quase sete anos
O ritmo das entregas ajuda a dimensionar o problema. A FAB recebeu o primeiro KC-390, o FAB 2853, em setembro de 2019. Quase sete anos depois, a frota soma apenas oito aeronaves das 19 contratadas. Portanto, ainda faltam 11.
O cronograma original previa concluir as entregas em 2027. Após sucessivas renegociações, a previsão passou para 2034. Na prática, o programa passou de 28 aviões até 2027 para 19 aviões até 2034.
Além da demora nas incorporações, existe outra questão: quantos desses aviões estão aptos e conseguem cumprir missões?
Em março de 2026, a Revista Força Aérea informou que apenas dois dos oito KC-390 estavam operacionais. Já o Airway, com base em dados de rastreamento, identificou três aeronaves em atividade naquele período.
Uma imagem que resume o momento da FAB
Depois de tantos números, o possível FAB 2861 transforma em uma imagem concreta o momento vivido pela Força Aérea Brasileira.
Embraer e FAB ainda não confirmaram oficialmente seu destino final. Ainda assim, o episódio ocorre em meio a cortes de recursos, redução da encomenda original e um cronograma que agora se estende até 2034.
Assim, o caso mostra de forma concreta como as limitações financeiras alcançam até mesmo um dos principais programas estratégicos da FAB.






