Lei das bruxas, que limita o voo a 150 metros e a história que parece invenção, mas nasceu de um caso real
Virou assunto mundial por limitar “bruxas” voando a 150 metros, em um país africano
No sul da África, uma regra de espaço aéreo virou manchete mundial: lei das bruxas a 150 metros. Na prática, o limite citado era de 150 metros de altura, e a história começou com um caso real divulgado em maio de 2013. Naquele momento, a autoridade de aviação civil de um país africano falou publicamente sobre limites para objetos voadores e citou punições para quem operasse acima do teto sem licença.

A internet guardou a parte mais curiosa, mas o contexto original era bem mais jurídico do que sobrenatural. Por isso, quando alguém pesquisa algo como “país africano que tem lei das bruxas para voarem baixo”, costuma cair nesse caso. E, a partir daí, muita gente se surpreende ao descobrir que o país existe e que a discussão começou devido a um “drone” improvisado.
O país existe, chama Essuatíni e fica no sul da África
O país por trás da história se chama Essuatíni, no sul da África, e faz fronteira com a África do Sul e Moçambique. Além disso, ele mudou seu nome oficial recentemente, mas durante muitos anos o mundo o conheceu como Suazilândia. Por isso, notícias mais antigas ainda usam a denominação anterior.
Essuatíni tem cerca de 1,2 milhão de habitantes, o que o coloca entre os menores países da região em população. No Brasil temos muitas cidades maiores que Essuatíni que tem 17.364 km². A economia, por sua vez, se apoia em atividades agroindustriais e cadeias produtivas relevantes no comércio regional. Nesse cenário, tradições e crenças culturais seguem presentes na vida cotidiana, o que influencia a forma como certos temas foram e são comunicados.
Esse detalhe cultural importa aqui, porque a autoridade não escolheu um exemplo neutro. Em vez disso, ela usou uma referência que conversa com crenças locais, mesmo que soe estranha para quem lê de fora.

Lei das bruxas 150 metros surgiu após um caso com vigilância
O episódio que motivou a repercussão em 2013 não envolveu magia. Segundo relatos daquele período, um detetive particular acabou preso após usar um helicóptero de brinquedo com câmera para vigilância. Ou seja, ele colocou no ar um dispositivo pequeno, com objetivo de monitoramento, sem autorização. O tataravô dos drones.
A partir daí, surgiram perguntas práticas e inevitáveis. O que pode voar naquela altitude? Qual altura exige licença? Que punição vale para quem ignora a regra? Então a autoridade precisou explicar limites de forma clara, com uma linguagem que fosse compreensível e, ao mesmo tempo, abrangente.
É nesse ponto que o caso começa a se conectar com o debate atual. Hoje, drones estão por toda parte, e as discussões sobre altitude, risco e fiscalização aparecem em vários países. Por isso, mesmo sendo antigo, o tema continua atual, mas naquela época não.
O limite de 150 metros, a multa e o contexto das “bruxas”
Na explicação divulgada na época, a autoridade afirmou que qualquer pessoa operando um “dispositivo de transporte aéreo” acima de 150 metros sem licença poderia sofrer sanções. Além disso, reportagens citaram possibilidade de prisão e multa de 500.000 randes.
Foi nesse contexto que veio a frase que virou manchete global. O diretor de assuntos corporativos da aviação, Sabelo Dlamini, citou o exemplo de “bruxas voando em vassouras“, para ilustrar que nada deveria ultrapassar aquele limite, já que isso poderia interferir com aeronaves maiores e helicópteros.
Para quem lê de fora, a referência pode soar como piada. No entanto, em Essuatíni a feitiçaria e bruxaria é levada a sério por parte da população e aparece como elemento cultural em debates públicos. Por isso, ao citar “bruxas em vassouras”, a autoridade buscou reforçar que o controle do espaço aéreo deveria cobrir absolutamente tudo o que estivesse no céu, inclusive exemplos extremos dentro das crenças locais.
Aqui, vale uma observação: quando o texto menciona “bruxas”, pense mais em “bruxinhas do bem”, no sentido folclórico e cultural do termo, e não em uma caricatura medieval.
Regra técnica, apelido popular e o que confere veracidade ao tema
O apelido “lei das bruxas” pegou porque a frase é memorável. Ainda assim, vale separar duas camadas para o leitor entender sem distorção.
Primeiro, existe o registro do episódio como declaração pública em 2013, ligada a um caso real com um objeto voador pequeno. Segundo, há a estrutura de normas técnicas, que costuma tratar de modo objetivo itens como pipas, balões e operações aéreas, sem criar categorias sobrenaturais como figura jurídica.
Em resumo, o país não “criou uma lei para bruxas” no sentido folclórico. Ele discutiu controle do céu para objetos voadores e usou um exemplo cultural para deixar claro que ninguém deveria ultrapassar o teto sem autorização, nem mesmos as bruxas quando estivessem voando.
Por que isso segue viral e por que o público comenta tanto
A história sobrevive porque junta três ingredientes raros. Além disso, ela traz um número fácil de lembrar, que é o limite de 150 metros. Por fim, ela usa uma referência cultural que divide opiniões.
Por isso, o assunto sempre volta com perguntas parecidas. Isso é real? É brincadeira? É lei escrita ou foi só uma fala? E é exatamente esse choque entre burocracia e cultura que faz o tema render comentário, tanto no site quanto nas redes.
No fim, lei das bruxas voando acima de 150 metros funciona como rótulo popular para um caso real, com contexto jurídico, que virou lenda digital devido à forma como foi explicado.

Quer levar um pedaço da aviação para casa?
No AeroJota, os Classificados Aeronáuticos reúnem souvenirs, colecionáveis e itens decorativos para quem vive esse universo. Acesse o site e confira as novidades.






