São Paulo tem mais helicópteros, mas o Rio concentra mais operações aéreas no Brasil

Jota

12 de janeiro de 2026

São Paulo tem mais helicópteros, mas o Rio concentra mais operações aéreas_Imagem Ilustrativa.
São Paulo lidera em frota, mas o maior número de operações de helicópteros no Brasil está no Rio

Um conteúdo recente, bem produzido e com números comparativos interessantes, circulou nas redes sociais e chamou a atenção do setor. O vídeo aponta que São Paulo, apesar de concentrar a maior frota, não lideraria mais o maior número de operações de helicópteros no Brasil.

Esse recorte desperta curiosidade porque dialoga com um fenômeno real da aviação de asa rotativa. No entanto, para evitar interpretações absolutas, é essencial entender qual métrica está sendo comparada e qual fonte sustenta o dado.

Por isso, antes de concluir, vale separar duas ideias que frequentemente se confundem: frota e operação aérea. A frota indica quantas aeronaves existem em uma região. Já a operação mede a intensidade de pousos e decolagens ao longo do tempo.

São Paulo tem mais helicópteros, mas o Rio concentra mais operações aéreas_Imagem Ilustrativa.
São Paulo tem mais helicópteros, mas o Rio concentra mais operações aéreas_Imagem Ilustrativa.

O vídeo cumpre um papel importante ao trazer o tema para o centro da discussão. A partir dele, o site AeroJota detalha os números e explica as diferenças entre frota e movimentos registrados

São Paulo, seja analisado como cidade ou como estado, segue reconhecido como o maior polo brasileiro em número de helicópteros registrados. Essa concentração está ligada ao uso executivo, corporativo, médico e urbano, com centenas de helipontos distribuídos pela capital e pela região metropolitana.

No entanto, o fato de possuir mais aeronaves não significa, automaticamente, realizar mais pousos e decolagens. Um helicóptero pode operar poucas vezes ao dia, enquanto outro, inserido em uma operação logística intensiva, pode realizar múltiplos ciclos diários. Por isso, para avaliar o maior número de operações de helicópteros no Brasil, o critério mais seguro é observar os movimentos efetivamente registrados.

Para evitar interpretações amplas ou imprecisas, o recorte mais consistente é o de movimentos de helicópteros em aeródromos, considerando pousos e decolagens contabilizados por órgãos de controle e por relatórios operacionais.

Dentro desse critério, dados divulgados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) indicam que, em recortes recentes, os aeródromos com maior volume de movimentos de helicópteros no país estão localizados no estado do Rio de Janeiro. Esse destaque aparece, sobretudo, em aeroportos diretamente ligados à operação offshore.

O Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, tornou-se um dos principais exemplos dessa concentração operacional. Relatórios técnicos indicam que o aeródromo ultrapassou a marca de 100 mil movimentos anuais, número expressivo dentro do cenário nacional.

Mais relevante que o volume total é o perfil dessas operações. Em levantamentos recentes, mais de 70% dos movimentos registrados em Jacarepaguá foram realizados por helicópteros, evidenciando o papel estratégico do aeroporto como base de apoio às operações marítimas.

Esse cenário ajuda a explicar por que o Rio de Janeiro aparece com destaque no maior número de operações de helicópteros no Brasil, mesmo possuindo uma frota menor que São Paulo. A operação offshore demanda deslocamentos constantes entre bases terrestres e plataformas de petróleo, resultando em um elevado número de pousos e decolagens por aeronave.

Um único helicóptero offshore pode realizar diversos ciclos ao longo do dia, em uma rotina operacional intensa e padronizada. Esse modelo contrasta com a operação urbana predominante em São Paulo, onde os voos tendem a ser mais pontuais e distribuídos.

Nada disso diminui a relevância de São Paulo na aviação de helicópteros. O estado continua sendo o principal polo brasileiro em quantidade de aeronaves e infraestrutura urbana dedicada à asa rotativa.

Contudo, as operações paulistas estão pulverizadas entre dezenas de helipontos privados, hospitais, edifícios corporativos e bases menores, o que dilui o volume de movimentos quando comparado a aeroportos altamente concentradores, como Jacarepaguá e Macaé.

Não há ranking oficial global

É importante destacar que não existe, até o momento, um ranking internacional padronizado que permita afirmar qual cidade, estado ou país concentra o maior número de operações de helicópteros no mundo. Organizações internacionais da aviação não divulgam comparativos globais consolidados nesse formato.

Assim, qualquer afirmação de liderança mundial depende de metodologia clara e dados públicos equivalentes, o que não está disponível atualmente.

Conclusão técnica e equilibrada

Na prática, os dados disponíveis mostram que São Paulo permanece como líder em frota, enquanto o Rio de Janeiro concentra o maior número de operações de helicópteros no Brasil, quando o recorte considera movimentos registrados em aeródromos estratégicos.

São fenômenos diferentes, mas complementares. Separar frota de operação é fundamental para entender por que regiões com menos aeronaves podem registrar mais pousos e decolagens, especialmente em segmentos operacionais altamente intensivos, como o offshore.

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