Um episódio pouco conhecido da engenharia militar brasileira ajuda a entender a importância estratégica da COMARA para a Força Aérea Brasileira
A atuação da COMARA em missões complexas não começou agora. Em 2003, a organização já enfrentava cenários extremos na Amazônia. Na época, infraestrutura e logística eram mais limitadas. Ainda assim, a equipe precisava entregar resultado rápido e seguro.
Esse contexto aparece na Missão Javari, descrita na Revista COMARA. O caso envolveu um C-130 Hércules da FAB e uma pista remota. Além disso, a operação reuniu engenharia de campo, improviso técnico e coordenação entre unidades. O relato original foi escrito pelo 1º Tenente Engenheiro Frank Cabral de Freitas Amaral. COMARA Missão Javari.15 out 2003,

A Missão Javari 2003 e o desafio imposto pela selva amazônica
Em 15 de outubro de 2003, um C-130 Hércules da FAB cumpria missão de apoio ao Pelotão Especial de Fronteira do Exército Brasileiro. A aeronave pousou na região do Javari, no extremo oeste da Amazônia. Durante o procedimento de estacionamento, o trem de pouso principal afundou. O solo cedeu e travou a movimentação.
A tripulação tentou resolver o problema no local. No entanto, a primeira solução não funcionou. Com isso, o risco de danos aumentava a cada nova tentativa. Por essa razão, a missão passou a exigir apoio externo e método.
Episódios como a missão Javari ajudam a entender a atuação atual da COMARA, detalhada nesta outra matéria publicada pelo AeroJota.

A atuação da COMARA no local e o início da força-tarefa
No dia seguinte, as equipes fizeram avaliação técnica conjunta. Depois disso, decidiram suspender novas tentativas de retirada naquele momento. A decisão buscou reduzir risco e ganhar tempo. Além disso, o solo exigia intervenção mais profunda no pavimento.
A partir daí, a FAB mobilizou uma força-tarefa com a COMARA e o Pelotão Especial de Fronteira. Um segundo C-130 apoiou a operação logística. Ele transportou equipamentos, materiais de construção e técnicos especializados. Também levou brita, madeira e um trator FD-9 da COMARA.
Engenharia de campo e improviso técnico em condições extremas
A equipe da COMARA iniciou a reconstrução do pavimento danificado. Primeiro, os técnicos removeram o solo comprometido. Em seguida, aplicaram camadas de brita e concreto de cura rápida. Ao mesmo tempo, usaram madeira retirada da própria mata. Essa madeira ajudou a distribuir melhor as cargas. Assim, ela reduziu tensões sobre o terreno.
Mesmo com o avanço do serviço, novas tentativas de retirada ainda encontraram dificuldades. Ainda assim, a equipe manteve o trabalho com ajustes constantes. Ela reforçou a pista e adaptou o método de tração. Além disso, o grupo exigiu precisão na coordenação. Operadores do trator, técnicos e tripulação atuaram de forma integrada.
O relato destaca que a equipe técnica atuou sob a chefia do 1º Tenente Engenheiro Frank Cabral de Freitas Amaral. A experiência de engenharia de solos e pavimentação orientou decisões no terreno. Por isso, cada etapa buscou reduzir risco à aeronave.

Missão cumprida e lições que permanecem atuais
Após dias de trabalho contínuo, a equipe retirou a aeronave com segurança. Em seguida, o C-130 pôde seguir seu destino. O relato não registra dano estrutural após a retirada. Com isso, a Missão Javari terminou com êxito. Além disso, o episódio virou referência interna de solução em ambiente extremo.
Mais de duas décadas depois, o caso ainda explica o papel prático da COMARA. Ele mostra capacidade de resolver problemas complexos longe dos centros. Também evidencia por que a estrutura de engenharia segue estratégica para a FAB. No encerramento, o texto registra uma frase do comandante do Pelotão: “As amizades forjadas nas agruras da selva não perecem jamais”.

Fonte e crédito editorial
Este texto é uma releitura editorial, baseada no artigo “Missão Javari”, publicado na Revista COMARA em 2003, de autoria do 1º Tenente Engenheiro Frank Cabral de Freitas Amaral







