Mobilidade aérea urbana em Sorocaba entra na pauta com projeto de lei para eVTOLs

Jota

23 de janeiro de 2026

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Mobilidade aérea urbana Sorocaba passou a integrar oficialmente o debate legislativo municipal após a apresentação de um projeto de lei que propõe diretrizes urbanísticas para a futura operação de eVTOLs no planejamento da cidade. A iniciativa foi protocolada pelo vereador Ítalo Moreira (União) e cria a Política Municipal de Mobilidade Aérea Urbana, com foco na organização do território e na integração com os sistemas já existentes.

Nesse contexto, a proposta não trata de certificação de aeronaves nem de autorização de voos. Em vez disso, concentra-se nas competências municipais, especialmente no ordenamento do uso do solo, na definição de áreas adequadas e na compatibilidade com o Plano Diretor.

Mobilidade-aerea-urbana-em-Sorocaba_Imagem-Ilustrativa
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O texto apresentado delimita com clareza o papel do município dentro do arranjo regulatório brasileiro. Enquanto a certificação de eVTOLs e as regras operacionais permanecem sob atribuição federal, o projeto foca em critérios urbanísticos, licenciamento e impactos na vizinhança.

Além disso, a proposta estabelece diretrizes para a implantação de vertiportos, parâmetros construtivos e integração física com sistemas de transporte já existentes. Dessa forma, Sorocaba passa a discutir o “onde” e o “como” a mobilidade aérea urbana pode se encaixar na cidade, sem avançar sobre competências da União ou da ANAC.

O debate local ocorre em um momento em que a mobilidade aérea urbana ganha espaço no planejamento de cidades brasileiras. O projeto menciona o avanço do processo de certificação conduzido pela Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, que já realizou voos de teste com seu eVTOL.

Segundo informações públicas da empresa, a expectativa segue apontando para 2027 como referência para a certificação e início de operações comerciais. As aeronaves previstas contam com cinco lugares, sendo quatro para passageiros e um para o piloto, além de propulsão totalmente elétrica e autonomia estimada em até 100 quilômetros.

Ao defender a proposta, o vereador citou que o município de Jacareí já desenvolveu um plano municipal voltado à mobilidade aérea urbana. Para ele, a antecipação do debate permite que Sorocaba chegue mais preparada quando a tecnologia estiver disponível para uso regular.

Nesse sentido, o projeto sustenta que a localização geográfica, a base industrial consolidada e o complexo hospitalar da cidade reforçam o potencial para aplicações específicas. Entre elas, aparecem rotas de mobilidade executiva, transporte emergencial de órgãos e medicamentos, além de conexões logísticas de alto valor agregado entre polos produtivos.

De acordo com a justificativa apresentada, a política municipal não autoriza automaticamente a implantação de empreendimentos. Pelo contrário, mantém obrigatória a observância dos licenciamentos urbanístico e ambiental, além da compatibilidade com o Plano Diretor.

Além disso, o texto prevê a definição de zonas preferenciais com base em critérios técnicos, análise de impactos urbanísticos na vizinhança e integração física com o sistema de transporte existente. Assim, a mobilidade aérea urbana em Sorocaba passa a ser tratada como um tema de planejamento, e não apenas como uma inovação tecnológica isolada.

O projeto seguirá agora o rito legislativo na Câmara Municipal de Sorocaba. Nesse processo, ele pode receber emendas e ajustes antes de eventual votação. Enquanto isso, o avanço da certificação dos eVTOLs no Brasil seguirá acompanhado pelo setor e por autoridades competentes.

Ao mesmo tempo, a discussão municipal antecipa um cenário que ainda levará alguns anos para se concretizar. Ainda assim, ela já influencia decisões de planejamento urbano e infraestrutura. Por isso, cidades que buscam segurança regulatória tendem a abrir esse debate com antecedência.