Em São Pedro da Aldeia, aeronaves, cabines e peças históricas ajudam a contar mais de um século da Aviação Naval brasileira
Quem visita a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, normalmente pensa primeiro nas praias de Cabo Frio, Arraial do Cabo ou Búzios.
Mas existe em São Pedro da Aldeia um endereço único no Brasil.
Ali, aeronaves que durante décadas estiveram ligadas às operações da Marinha trocaram navios, esquadrões e missões pelo silêncio de um museu. Algumas delas permitem até que o visitante entre e conheça espaços antes ocupados pelas tripulações.
É dentro da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia que funciona o Museu da Aviação Naval, único do gênero no país dedicado exclusivamente à preservação da história da Aviação Naval brasileira.
E o que está guardado por lá ajuda a contar uma história iniciada há mais de um século.

Uma história que começou em 1916
Além disso, o Museu da Aviação Naval chegará a uma data especial. Criado em 23 de agosto de 2000, durante as comemorações dos 84 anos da Aviação Naval, ele completará 26 anos de existência no próximo dia 23 de agosto de 2026.
Porém, a história apresentada em seu interior começa em 1916.
O acervo acompanha diferentes períodos da presença das aeronaves na Marinha e reúne aviões, helicópteros, réplicas, motores, equipamentos, uniformes, fotografias, documentos, maquetes e outros objetos relacionados às operações aeronavais.
Parte dessa história também está espalhada pela área externa.
E algumas aeronaves ganharam apelidos curiosos entre aqueles que conviveram com elas.

De “Vaca” e “Abelha” ao Sea King
Entre as máquinas preservadas aparece o Westland WS-51/2 Widgeon, primeiro modelo de helicóptero utilizado pela Aviação Naval brasileira.
Também está o Bell Jet Ranger II, empregado na formação dos aviadores navais.
Já o Westland WS-55 Whirlwind ficou conhecido como “Vaca”, enquanto o pequeno Westland Wasp recebeu o apelido de “Abelha”.
Outra aeronave dispensa apresentações para muitos apaixonados pela aviação militar.
O Sea King marcou durante décadas as operações antissubmarino da Marinha e também está preservado no museu.
Nesse caso, olhar pelo lado de fora não é necessariamente o limite da experiência. O visitante pode conhecer internamente algumas das aeronaves abertas à visitação.
Assim, surge uma oportunidade rara para perceber dimensões, espaços e detalhes que fotografias dificilmente conseguem mostrar.

Sentar onde outros navegaram
Nem todas as curiosidades estão nos aviões e helicópteros.
Uma delas aparece quando o visitante simplesmente resolve sentar.
No andar superior existe um pequeno auditório utilizado para vídeos e apresentações sobre a Aviação Naval. Os assentos instalados ali têm uma procedência bastante especial.
Eles vieram do antigo Navio-Aeródromo A-12 São Paulo.
O porta-aviões também deixou outro equipamento preservado no museu.
Na área externa está um Sistema Ótico de Pouso, utilizado para orientar pilotos durante a aproximação das aeronaves para o convés de porta-aviões.
Recuperado e montado no museu, o equipamento ajuda a mostrar que a história da Aviação Naval não está somente nas aeronaves.
Também está na estrutura necessária para fazê-las operar sobre o mar.

Por alguns minutos, dentro de um caça
A revitalização realizada em 2019 trouxe outra experiência interessante.
O museu passou a contar com cabines que aproximam o público das aeronaves que fizeram parte da história da Marinha.
Uma delas pertence ao helicóptero AH-11 Super Lynx.
Outra chama atenção especialmente de quem acompanha a aviação de caça: a seção dianteira de um AF-1 Falcão.
Com isso, instrumentos, comandos e o espaço disponível para o piloto deixam de ser detalhes vistos apenas em fotografias.
Para quem nunca teve contato próximo com uma aeronave militar, a perspectiva muda completamente.

As histórias por trás das máquinas
Existe ainda uma parte do acervo que lembra que nem toda história da aviação termina com uma aeronave preservada.
O museu mantém um espaço dedicado aos aviadores navais que perderam a vida no cumprimento da missão.
Além disso, próximo à entrada do Complexo Aeronaval está o Memorial da Aviação Naval, onde estão registrados nomes de oficiais e praças mortos no cumprimento do dever.
É provavelmente uma das partes mais silenciosas da visita.
Ao mesmo tempo, é uma das mais importantes para compreender que mais de um século de Aviação Naval brasileira foi construído principalmente pelas pessoas que estiveram por trás das máquinas.

A história continua fora dos portões
São Pedro da Aldeia tem ainda outra particularidade.
A memória da Aviação Naval não termina dentro do museu.
Outras aeronaves históricas estão preservadas no Complexo Aeronaval. Além disso, exemplares utilizados pela Marinha podem ser encontrados em diferentes pontos da cidade.
Esse patrimônio foi documentado pelo comandante Marcelo Lobo, do site Aviação em Floripa, durante uma visita a São Pedro da Aldeia.
Marcelo produziu um extenso registro fotográfico do Museu da Aviação Naval, mostrando aeronaves, cabines, equipamentos e detalhes do acervo. Em outra reportagem, percorreu a cidade atrás das antigas aeronaves da Marinha preservadas como monumentos.
Dessa forma, o material complementa esta reportagem do site AeroJota e permite praticamente continuar a visita pela tela.
Para quem quer conhecer cada aeronave, sua história e, principalmente, observar dezenas de fotografias, recomendamos seguir a viagem pelas duas reportagens especiais publicadas pelo Aviação em Floripa.

Museu continua recebendo melhorias
Mesmo depois da revitalização realizada em 2019, o espaço continua passando por mudanças.
Em março de 2026, por exemplo, o Comando da Força Aeronaval informou sobre obras para a criação de uma nova sala de recepção destinada ao público externo.
Assim, é mais um capítulo na história de um espaço criado justamente para aproximar a sociedade da Aviação Naval e preservar esse patrimônio para as próximas gerações.
Serviço – Museu da Aviação Naval
Local: o Museu da Aviação Naval fica na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, na Rua Comandante Ituriel, s/nº, bairro Fluminense, São Pedro da Aldeia (RJ).
Entrada: a visitação é gratuita.
Horário de funcionamento: de quarta a sexta-feira, o museu abre das 9h30 às 11h30 e das 13h15 às 16h. Já aos sábados, domingos e feriados, o funcionamento ocorre das 10h às 17h.
Visitação de grupos: nesse caso, é necessário fazer o agendamento antecipadamente. Além disso, cada grupo deve reunir no mínimo 10 e no máximo 50 pessoas. As visitas agendadas acontecem de quarta a sexta-feira, das 9h30 às 11h15 e das 13h15 às 16h.
Para realizar o agendamento, o contato pode ser feito pelo e-mail comforaernav.museu@marinha.mil.br ou pelos telefones (22) 2621-4012 / (22) 2621-4133.
Por fim, como horários e condições de visitação podem sofrer alterações, vale confirmar as informações nos canais oficiais da Marinha antes do deslocamento.
Para quem estiver viajando pela Região dos Lagos, portanto, o passeio oferece algo que nenhum outro museu brasileiro consegue reunir da mesma maneira: mais de um século da Aviação Naval contado no único museu do gênero existente no país.






