Voos travados por nevasca nos EUA e por chuva no Brasil mostram como o clima ainda manda na aviação
Nevasca nos EUA afeta voos entre Brasil e Estados Unidos quando a operação depende de encaixes precisos entre aeronaves, slots e conexões ao longo do dia. Em dias assim, o passageiro vê “cancelado” no painel, porém o problema costuma começar bem antes, no hub. Ainda assim, o impacto real aparece na sequência, quando um aeroporto trava e a malha inteira perde ritmo.

Nevasca nos EUA afeta voos entre Brasil e Estados Unidos e derruba a capacidade em Nova York e Boston
Na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, a tempestade de inverno paralisou o Nordeste dos EUA e provocou uma onda de cancelamentos e atrasos em escala nacional. Segundo a Reuters, companhias cancelaram quase 6.000 voos no dia, além de milhares de atrasos, com pressão forte em aeroportos como JFK, LGA, EWR, BOS e PHL. Já na terça-feira, 24/02, o volume caiu, porém ainda houve mais de 2.000 cancelamentos e centenas de atrasos, com recuperação gradual ao longo do dia.
Para o leitor, os códigos ajudam a entender o mapa: EWR (Newark), JFK (John F. Kennedy) e LGA (LaGuardia) servem à área de Nova York, enquanto BOS (Boston Logan) concentra parte do impacto na Nova Inglaterra. Nesses hubs, quando vento e neve reduzem a capacidade, a fila se forma rápido e o efeito cascata se espalha.
O que mudou hoje com a melhora parcial do tempo
Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, o cenário segue menos crítico, embora ainda não seja “normal” para todos os aeroportos afetados. A FAA alertou que ventos fortes e nuvens baixas podem atrasar voos em Boston e na região de Nova York, mesmo após o pico da nevasca. Ou seja, a recuperação existe, mas ela costuma alternar momentos de fluxo com novas rodadas de espaçamento e espera.
O reflexo na rota Brasil Estados Unidos até ontem, 24/02
Do lado brasileiro, o impacto chegou principalmente nas ligações com Nova York e Boston, que dependem desses hubs para pouso, decolagem e conexões. A imprensa no Brasil informou cancelamentos em voos do Brasil para os EUA entre 22 e 23/02, com destaque justamente para Nova York e Boston. Além disso, a LATAM comunicou que alguns voos para o aeroporto JFK poderiam ser afetados por previsão de nevasca, orientando passageiros a acompanhar atualizações.
Enquanto os EUA enfrentam nevascas, o Brasil lida com chuva e trovoadas em áreas terminais
Aqui no Brasil, o “vilão” muda de roupa, mas a lógica operacional permanece parecida: chuva forte e trovoadas reduzem a capacidade quando derrubam teto e visibilidade. No Painel MET (painel meteorológico) do CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, do DECEA), a previsão indica chuva e trovoadas em várias TMAs. TMA é a Área de Controle Terminal, que concentra chegadas e saídas de grandes aeroportos.
Em São Paulo, a TMA inclui Congonhas (SBSP), Guarulhos (SBGR) e Viracopos (SBKP). No Rio, ela inclui Santos Dumont (SBRJ) e Galeão (SBGL). Em Minas, entram Pampulha (SBBH) e Confins (SBCF), além de Vitória (SBVT), no Espírito Santo.
Quando o tempo derruba teto e visibilidade, a capacidade cai e o sequenciamento aumenta, o que costuma gerar atrasos. Além disso, operações de helicóptero (asa rotativa) sentem o efeito mais rápido, porque dependem de janelas meteorológicas mais curtas.
Por que a asa rotativa sente ainda mais
Em operações de helicóptero, a meteorologia pesa porque muitos perfis dependem de regras visuais em parte do trajeto, além de janelas curtas de melhoria. Quando o teto cai e a visibilidade piora, a operação tende a ficar mais restrita, sobretudo em deslocamentos urbanos e offshore. No lado do gerenciamento do tráfego, o DECEA e o CGNA usam conceitos e procedimentos para mitigar cenários severos.
Quando as trovoadas “fecham” um corredor aéreo, o DECEA e o CGNA podem aplicar o SWAP (Severe Weather Avoidance Plan, Plano de Desvio de Mau Tempo). Isso significa reprogramar rotas e altitudes, criando caminhos alternativos e espaçando aeronaves, para que o tráfego não se concentre onde o tempo piorou. Com isso, a operação fica mais previsível, embora o passageiro sinta atrasos por causa do novo sequenciamento.
O que o passageiro pode fazer agora para não ser pego no susto
Antes de sair de casa, vale checar a posição do voo no aplicativo da companhia e também no aeroporto de origem e destino, porque o quadro muda rápido. Em dias de clima severo, as companhias costumam publicar políticas de remarcação, então o passageiro ganha tempo se agir cedo. Por fim, quando a rota envolve conexões, uma troca de hub pode reduzir risco, embora dependa da disponibilidade do dia.
Finalizando
Nevasca nos EUA afeta voos entre Brasil e Estados Unidos, e a última semana reforçou como hubs travados viram um problema internacional em poucas horas. Ao mesmo tempo, no Brasil, chuva e trovoadas mantêm pressão sobre a malha doméstica e também sobre voos de helicóptero, especialmente quando teto e visibilidade caem.





