Em defesa do voo em planadores FBVP emite nota após nova escalada da crise em Marília
A crise envolvendo o Aeroclube de Marília ganhou mais um desdobramento relevante. Depois da dura reação do próprio aeroclube e da FEBRAERO, agora a Federação Brasileira de Voo em Planadores (FBVP) publicou uma nota oficial em apoio às operações de planadores, tanto no lazer quanto na instrução. A manifestação veio após o episódio registrado no Aeroporto Estadual de Marília. Na ocasião, uma operação ligada ao voo de planador entrou no centro de grande controvérsia.
Segundo os relatos já tornados públicos, a Rede VOA acionou a Polícia Militar e a Polícia Federal sob o argumento de invasão de pista durante uma atividade de voo de planador. Na sequência, de forma unilateral, cancelou as autorizações de acesso da diretoria do Aeroclube de Marília, dos funcionários, dos instrutores e também dos alunos. O caso provocou forte reação institucional e abriu nova frente de tensão entre a concessionária e a comunidade aeronáutica local.
Antes disso, o Aeroclube de Marília já havia emitido uma nota dura sobre o episódio. Depois, a FEBRAERO também se posicionou e afirmou que adotará todas as medidas judiciais e criminais cabíveis. Agora, a FBVP entra no debate com um texto igualmente firme. Além disso, reforça a legalidade, a tradição e a importância técnica do voo em planadores no Brasil.

A nota da FBVP reforça que o voo em planadores é regular e histórico
Na nota oficial, a FBVP afirma que manifesta “seu firme posicionamento diante dos fatos ocorridos no Aeroporto Estadual de Marília”, relacionados à interrupção de atividades regulares de instrução de voo em planadores conduzidas pelo Aeroclube de Marília no dia 28 de março de 2026.
Diz a nota que o voo em planadores constitui atividade aeronáutica plenamente regulamentada no Brasil. Além disso, a prática é desenvolvida por entidades regularmente constituídas e em conformidade com as normas da ANAC e das demais autoridades competentes. A federação também destaca que se trata de atividade de interesse público. Ainda segundo a nota, ela integra o sistema nacional de formação aeronáutica. Além disso, existe há décadas e traz contribuição reconhecida à aviação civil brasileira.
Continua a nota ao afirmar que causa preocupação à entidade o fato de uma operação regular de instrução e voo em planadores ter sido caracterizada como “invasão”. Segundo a federação, isso se torna ainda mais grave porque a atividade foi realizada por instituição tradicional, com profissionais habilitados e aeronaves regularizadas. Com isso, a FBVP deixa claro que considera grave a forma como a atividade foi enquadrada no episódio de Marília.
A federação alerta para riscos de interpretações sem base técnica
Segundo a nota oficial, as atividades de voo em planadores possuem características operacionais próprias, amplamente conhecidas no meio aeronáutico, tanto no Brasil quanto no exterior. A entidade ressalta que esse tipo de operação envolve a presença coordenada de alunos, instrutores, equipes e meios de apoio na área operacional. Além disso, tudo ocorre sob critérios de segurança e organização.
Na avaliação da federação, uma interpretação inadequada dessas características pode gerar distorções. Como consequência, isso pode afetar diretamente a continuidade das operações e também a segurança jurídica e operacional do setor. Esse é um dos trechos mais duros do documento, porque indica que o problema não se limita ao caso de Marília. Na prática, a FBVP sugere que decisões unilaterais e sem base técnica podem criar precedente perigoso para outras operações de planadores no país.
A nota sustenta ainda que a regulação, a supervisão e eventual restrição de atividades aeronáuticas são competências das autoridades federais. Por isso, a federação entende que interpretações unilaterais não devem comprometer atividades regularmente autorizadas e historicamente estabelecidas. Esse ponto amplia o alcance do debate, porque toca diretamente na competência regulatória sobre a atividade aeronáutica.
O apoio ao Aeroclube de Marília aumenta a pressão sobre o caso
A FBVP declara apoio institucional ao Aeroclube de Marília e reforça a necessidade de que os fatos sejam analisados pelas autoridades competentes com base em critérios técnicos, normativos e no devido processo legal. Ou seja, a entidade nacional do voo em planadores se soma publicamente ao movimento de reação iniciado pelo aeroclube mariliense e reforçado pela FEBRAERO.
Diz ainda a nota que a federação acompanhará atentamente os desdobramentos do caso. Além disso, adotará, dentro de suas atribuições, as medidas necessárias para assegurar a continuidade das atividades de instrução de voo em planadores no Brasil. Também buscará preservar o ambiente regulatório adequado ao desenvolvimento dessa atividade.
Por fim, a FBVP reafirma compromisso com a segurança operacional, com o cumprimento das normas vigentes e com a defesa dos aeroclubes como pilares históricos da formação aeronáutica, do esporte e da cultura da aviação civil brasileira. A mensagem final deixa claro que, para a entidade, o debate em Marília ultrapassa um conflito local. Além disso, toca diretamente na proteção de uma atividade tradicional da aviação nacional.
O caso de Marília já repercute em diferentes entidades do setor
Com a entrada da FBVP no debate, o episódio de Marília ganha peso ainda maior dentro do setor aeronáutico. O que começou com uma ação durante uma operação de planadores agora já provocou manifestações sucessivas do Aeroclube de Marília, da FEBRAERO e da própria federação nacional do voo em planadores. Além disso, a tendência é que o caso continue repercutindo. Isso ocorre porque o episódio envolve temas sensíveis para a aviação civil brasileira, como acesso à área operacional, instrução aeronáutica, competência regulatória e respeito às características próprias de atividades historicamente consolidadas dentro dos aeroclubes.






