Congonhas passa pela maior transformação de sua estrutura em décadas
As obras do Aeroporto de Congonhas começam a mostrar uma transformação que, durante muito tempo, existiu principalmente em projetos, números e imagens de apresentação.
O site AeroJota já vinha acompanhando os investimentos em Congonhas, mas as obras avançaram para uma etapa em que parte da nova estrutura começa efetivamente a ganhar forma dentro de um aeroporto que permanece em plena operação.
Uma visita recente às obras da Fase 1B mostrou trabalhos simultâneos no futuro terminal de passageiros, nos novos hangares, no pátio de aeronaves e nas pistas de táxi.
O desafio é grande justamente porque Congonhas não pode simplesmente parar enquanto é reconstruído.

Obras avançam com Congonhas funcionando
Em uma publicação recente, Kleber Meira, CEO do Aeroporto de Congonhas, mostrou o avanço das intervenções e destacou o desafio de executar uma obra dessa dimensão mantendo a operação do aeroporto.
Segundo o executivo, os novos hangares e terminais de carga de Azul, GOL e LATAM caminham para a fase final, enquanto prosseguem as intervenções no novo terminal, pátio e taxiways.
No dia da visita, Congonhas registrava 92% de pontualidade, segundo Meira, mesmo com diferentes frentes de obras acontecendo simultaneamente.
Esse talvez seja um dos pontos menos visíveis para quem acompanha a transformação apenas pelo lado de fora.
Congonhas está entre os aeroportos mais movimentados do país e não existe a possibilidade de interromper suas operações por alguns anos para depois entregar uma estrutura completamente nova.
Por isso, as intervenções são realizadas por etapas, transferindo estruturas e reorganizando áreas enquanto pousos, decolagens e circulação de passageiros continuam acontecendo.
Projeto de Congonhas ficou maior
A mudança não ficará restrita às áreas operacionais. O AeroJota mostrou recentemente que o novo terminal também vai ampliar a área comercial, com mais espaço destinado a lojas, restaurantes e serviços aos passageiros.
Os números do projeto também mudaram desde os primeiros anúncios.
Quando o plano foi apresentado, em 2024, documentos oficiais indicavam investimento superior a R$ 2 bilhões e um terminal com aproximadamente 105 mil m².
Em fevereiro de 2026, porém, o Ministério de Portos e Aeroportos atualizou os números.
O investimento destinado às intervenções em Congonhas passou a ser informado em R$ 2,6 bilhões, enquanto a área prevista para o terminal chegou a 135 mil m².
A conclusão das principais obras permanece prevista para junho de 2028.

De 12 para 19 pontes de embarque
Uma das mudanças mais perceptíveis para o passageiro deverá ocorrer no acesso às aeronaves.
Congonhas passará das atuais 12 para 19 pontes de embarque, reduzindo a dependência dos embarques realizados por ônibus.
A própria Aena Brasil já informou que a expectativa é permitir que mais de 70% dos passageiros utilizem as pontes após a conclusão do novo terminal.
O embarque remoto não desaparecerá. Já mostramos, durante a entrega da nova sala de embarque remoto, que essa operação faz parte de uma reorganização maior do aeroporto enquanto o novo terminal não fica pronto.
No projeto definitivo, parte dessa operação deverá ser transferida para o hangar histórico de Congonhas, que será restaurado e incorporado à nova configuração do aeroporto.
Também está prevista uma profunda mudança no lado operacional.
O projeto divulgado anteriormente pelo Ministério de Portos e Aeroportos prevê um pátio de aproximadamente 215 mil m², além da ampliação das posições de estacionamento de aeronaves, de 30 para 37.
Pistas de táxi, pavimentos e áreas destinadas à circulação das aeronaves também fazem parte das intervenções.
Uma transformação que ainda levará quase dois anos
As imagens atuais ajudam a mostrar que o novo Congonhas deixou de ser apenas um projeto.
Estruturas começam a surgir, áreas operacionais estão sendo modificadas e outras instalações entram na etapa final.
Isso não significa, porém, que a transformação esteja próxima do fim.
O cronograma oficial ainda aponta junho de 2028 para a conclusão da Fase 1B em Congonhas. Até lá, passageiros continuarão convivendo com mudanças temporárias de circulação, áreas em obras e diferentes etapas de construção.
Quando todo o projeto estiver concluído, o aeroporto que hoje recebe milhões de passageiros todos os anos terá uma configuração bastante diferente daquela conhecida há décadas pelos paulistanos.
A parte mais complexa dessa transformação já está acontecendo: construir praticamente um novo Congonhas enquanto o antigo continua funcionando todos os dias.






