Fiscalização encontrou duas aeronaves desmontadas, asas, peças e ferramentas; estrutura não tinha autorização da ANAC para realizar manutenção
Uma oficina clandestina de aviões dificilmente seria aquilo que alguém esperaria encontrar na área externa de uma residência. Mas foi justamente esse cenário que chamou a atenção durante uma operação realizada em Boa Vista, Roraima.
Uma operação integrada realizada na terça-feira (15) apreendeu duas aeronaves desmontadas, diversas asas, peças, componentes e ferramentas utilizadas em manutenção aeronáutica. Segundo as informações levantadas pelas autoridades, o local seria usado para reparar aviões relacionados à logística do garimpo ilegal em Roraima.
A ação reuniu equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ibama, Força Nacional e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Aviões desmontados e uma asa em restauração
Foi durante a inspeção que surgiu um dos pontos mais importantes do caso. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) constatou que a estrutura não possuía autorização ou homologação para funcionar como oficina de manutenção aeronáutica.
Além das duas aeronaves desmontadas, os agentes encontraram várias asas, incluindo uma que estava em processo de restauração, além de componentes e equipamentos utilizados nos reparos.
As aeronaves possuíam prefixos identificáveis. Essas matrículas poderão ajudar os órgãos responsáveis a levantar proprietários, histórico e procedência dos aviões, além de verificar sua eventual utilização em operações relacionadas ao garimpo ilegal.
Até o momento, entretanto, os prefixos não foram divulgados publicamente pelas autoridades.
A distinção é importante: a operação ocorreu dentro das ações de enfrentamento ao garimpo e as informações levantadas apontam que a oficina atenderia aeronaves empregadas nessa logística. A participação específica de cada avião encontrado ainda deverá ser esclarecida pela investigação.
Material foi apreendido para identificação e fiscalização
A operação não terminou com a localização dos aviões. As aeronaves, asas, componentes e demais materiais encontrados foram apreendidos para que os órgãos envolvidos possam avançar na identificação e nos procedimentos de fiscalização.
A existência dos prefixos nas aeronaves é especialmente relevante nesse trabalho. A matrícula permite consultar registros e confrontar informações sobre cada avião, embora isso, isoladamente, não determine como ele vinha sendo utilizado antes de chegar ao local.
Por enquanto, as autoridades não divulgaram os proprietários nem detalharam o histórico operacional das aeronaves encontradas. Também não foram apresentadas publicamente informações sobre há quanto tempo a estrutura funcionava naquele endereço ou quantos aviões teriam passado por manutenção no local.
São justamente essas respostas que poderão dimensionar o papel da oficina dentro da logística investigada.

O que fazia uma oficina no quintal de uma casa?
Há também uma curiosidade humana no episódio.
Um homem encontrado no imóvel se apresentou como locatário e informou aos agentes que havia sublocado a área externa para terceiros. Segundo seu relato, ele desconhecia a natureza das atividades realizadas naquele espaço.
Todo o material foi apreendido e permanece à disposição dos órgãos responsáveis pelos procedimentos administrativos e pela investigação.
Oficinas também fazem parte da logística aérea
A descoberta chama atenção para uma parte menos visível da aviação utilizada pelo garimpo ilegal.
Um avião operando em regiões remotas não depende apenas de pistas clandestinas. Combustível, peças, mecânicos e locais para reparos também são necessários para manter essa estrutura funcionando.
E não é a primeira vez que uma oficina aparece nesse cenário.
O site AeroJota já mostrou, em setembro de 2025, uma operação em Roraima que localizou uma oficina ligada ao garimpo, além de pista clandestina e aeronaves.
Em outra ação acompanhada pelo AeroJota, uma aeronave foi destruída durante operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
Mais recentemente, em agosto de 2026, a Polícia Federal voltou a investigar o emprego de aeronaves como apoio logístico ao garimpo em Roraima. A apuração da Operação Aquila Nera teve origem após a identificação de uma aeronave voando em baixa altitude sobre a Terra Indígena Yanomami.
No caso da oficina descoberta nesta semana em Boa Vista, os aviões estão agora em solo e desmontados. Mas seus prefixos podem ajudar a contar uma parte da história que ainda não apareceu: de onde vieram, a quem pertencem e para onde voavam antes de parar naquele quintal.






