Querem acabar com os passeios e deslocamento para casa usando aviões da FAB por políticos
PL 817/2026 quer restringir uso de aviões da FAB por autoridades e liberar assentos ociosos e, por isso, recoloca os voos oficiais no centro do debate em Brasília. A proposta mistura rotina de governo, segurança institucional e transparência. Ao mesmo tempo, ela abre discussão sobre um ponto pouco explicado ao público: por que aeronaves da FAB são usadas como avião particular para políticos e ministros.

Quando um tema volta a circular com força em Brasília, quase sempre existe um motivo prático por trás. No caso dos voos oficiais, a discussão mistura rotina de governo, segurança institucional e uma pergunta simples: por que tantas aeronaves decolam com poucos passageiros.
É nesse cenário que um novo projeto no Senado entra na pauta. Só que, desta vez, a proposta tenta atacar dois pontos ao mesmo tempo: quem pode voar e o que fazer com lugares vazios.
O que a coluna de Lauro Jardim apontou e qual é o número do projeto
A coluna do jornalista Lauro Jardim, em O Globo, informou que o senador Eduardo Girão (NOVO-CE) protocolou um projeto para endurecer o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira por autoridades.
Pelo conteúdo divulgado publicamente pela legenda do senador, trata-se do PL 817/2026.
Na prática, o texto busca restringir o transporte institucional em aviões da FAB ao presidente da República e ao vice-presidente, deixando outras autoridades para hipóteses excepcionais.
Em quais casos outras autoridades poderiam voar em aeronaves da FAB
Pelo resumo publicado a partir da coluna, o projeto lista situações específicas para autorizações excepcionais, como:
- missão institucional ligada à segurança nacional;
- emergência médica devidamente comprovada;
- deslocamento indispensável à preservação da ordem pública;
- missões oficiais consideradas de relevante interesse público, conforme o critério previsto no texto.
Nessas hipóteses, o projeto também prevê publicidade de dados, como a identificação da autoridade transportada e a finalidade institucional do deslocamento.
O ponto mais sensível: assentos “ociosos” e prioridade humanitária
O trecho que mais chama atenção é o que tenta transformar “lugar vazio” em utilidade pública.
O PL 817/2026 prevê que, havendo disponibilidade operacional, as aeronaves possam transportar cidadãos, com prioridade para pessoas em vulnerabilidade social que precisem realizar tratamento de saúde fora da localidade de origem.
Depois de atendidas as prioridades institucionais e humanitárias, o texto abre espaço para que as vagas ociosas possam ser ofertadas ao público em geral, desde que exista viabilidade técnica e operacional.
O que já existe hoje nas regras de uso de aeronaves da FAB
Hoje, o tema já é regulado por normas em vigor, como o Decreto nº 10.267/2020, que trata do transporte aéreo de autoridades em aeronaves do Comando da Aeronáutica.
Além do decreto, o Ministério da Defesa publicou normas complementares, como a Portaria Normativa nº 62/GM-MD/2020, com regras adicionais sobre esse transporte.
Já na ponta da transparência, a própria FAB mantém um portal de Registro de Voos, em que publica informações sobre missões conforme as regras aplicáveis.
Ou seja, o que o projeto tenta fazer é mudar o desenho político do “quem pode” e, ao mesmo tempo, criar um caminho mais explícito para o aproveitamento social da capacidade não utilizada.
Por que esse projeto tem impacto direto para a aviação de transporte da FAB
Mesmo sendo um debate político, o efeito cai em cheio no impacto direto para o transporte de autoridades em aeronaves da Força Aérea Brasileira, porque envolve planejamento de missões, ocupação, segurança e prioridades.
Na prática, qualquer modelo de “assento ocioso” só funciona se a operação conseguir conciliar:
- missão principal e cadeia de comando;
- requisitos de segurança e checagens;
- disponibilidade de rota, slots e logística em solo;
- compatibilidade com missões humanitárias, quando houver acionamento.
Por isso, o texto deve gerar discussão técnica no Senado, mesmo antes de qualquer votação, já que mexe com uma rotina sensível do Estado.





